domingo, 5 de maio de 2013

Ontem como Hoje




Sugiro que nos abstraíamos das datas para melhor percebermos dos fios com que é tecida a revolta. E, assim prevenidos, não baixarmos os braços.
 
«DETERIORAÇÃO DA SITUAÇÃO ECONÓMICA E SOCIAL»

   A centralização, concentração e acumulação de capitais e a formação dos grandes grupos económicos dominantes, numa economia atrasada como era a de Portugal, criaram, nos últimos anos da ditadura, novas contradições e problemas e a deterioração da situação económica e social.
   A anunciada «política de desenvolvimento» e o «Estado Social» do governo de Marcelo Caetano revelaram ser uma miragem desmentida pelos factos.
   Governo e monopólios recorreram a um brutal agravamento da exploração dos trabalhadores. Proibiram durante dois anos modificações nos contratos colectivos de trabalho. Aumentaram a jornada de trabalho e o número de horas de trabalho semanal. Fixaram salários e pagaram abaixo do fixado. Intensificaram os ritmos de trabalho a que chamaram aumento da produtividade.
   A subida incessante dos preços (11,5% em 1972, 19,2% em 1973) provocou a baixa dos salários reais e do poder de compra dos trabalhadores e da população. Aumentou o desemprego. O número de emigrantes, que em 1960, fora de 30.000, subiu para mais de 170.000 em 1970.
   O processo de centralização de capitais e de formação dos grupos monopolistas significou a ruína e a falência de centenas de milhar de pequenas e médias empresas, com graves repercussões na vida económica e na situação social.
   Uma política fiscal degressiva beneficiou o grande capital com isenções e esmagou os trabalhadores e as classes médias. De 1970 para 1973, os impostos indirectos, que mais atingem a população com menores recursos, aumentou 70%, o imposto profissional 53%.
   O decretado congelamento de salários nominais, com a consequente diminuição dos salários reais e o aumento dos preços e dos impostos, reduzindo a capacidade de compra da população, reduzindo a capacidade de compra da população, reduziu o mercado interno. Os grupos económicos voltaram sectores importantes da produção para o mercado externo, mas a falta de capacidade de competição, a diminuição da produção agrícola, a carência de produtos nacionais e a sua importação criaram défices crescentes na balança externa.
   O governo desvalorizou o escudo para aumentar as exportações, mas o resultante aumento do preço das matérias-primas, equipamentos e artigos de consumo corrente importados tornou-se também um elemento de agravamento dos défices. O défice da balança comercial passou de 7,9 milhões de contos em 1964 para 17,7 milhões em 1970 e 28,4 milhões em 1973. Surgiram também défices na balança de pagamentos.
   A centralização de capitais pelos grupos monopolistas continuou a verificar-se, mas, nesses anos, devido a um processo especulativo, sem ligação com a actividade produtiva.
   De 1968 para 1972, os 12 principais bancos acusaram o aumento de 7,3 para 13,3 milhões de contos do capital reserva. Em 100 das maiores companhias dos grupos monopolistas, a subida é de 36,6 para 545 milhões de contos e os lucros líquidos declarados sobem de 2,7 para 3,6 milhões de contos.
   Não se trata de uma expressão de aumento efectivo da riqueza nacional e de progresso económico. A par da acumulação de mais-valia resultante do agravamento da exploração dos trabalhadores, tão vertiginoso aumento do capital das grandes empresas deve-se a formas especulativas de apropriação e centralização de capital. Entre elas, acompanhando a baixa das taxas anuais de crescimento e da formação bruta de capital fixo, os grupos monopolistas multiplicaram os processos de centralização de capital, incluindo o apossamento das «poupanças», através da especulação bolsista. Os índices das cotações dos títulos de rendimento variável subiram em flecha em 1972 e 1973, atingindo, em alguns casos de 10 a 30 vezes o valor nominal.
   Alheio a uma verdadeira actividade económica, um tal caminho de louca especulação para assegurar a centralização de capitais, a continuar, conduziria a uma ruptura, provocando a falência e liquidação de muitos milhares mais de empresas e à efectiva desorganização e desagregação da economia nacional. Nos primeiros meses de 1974, últimos meses da ditadura, deu-se o sinal de rebate. A cotação das acções da Bolsa de Lisboa, numa súbita inversão, registou uma baixa vertical. Era o crack que se aproximava e que a Revolução de Abril evitou.
Álvaro Cunhal
«A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril»
(A contra-revolução confessa-se)
1999

sábado, 4 de maio de 2013

NÃO HÁ TEMPO A PERDER!

«Perdas nos "swaps" cresceram para 2.840 milhões de euros»



1.     Maria Luís Albuquerque era directora financeira da REFER.
2. A REFER contratou swaps
tóxicos enquanto Maria Luís Albuquerque era a sua directora financeira.
3. Maria Luís Albuquerque é nomeada
secretária de Estado e tutela o IGCP.
4. O IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública), sujeito às orientações de Maria Luís Albuquerque, define o que são swaps tóxicos.
5. O IGCP, tutelado
por Maria Luís Albuquerque, vem dizer que os swaps tóxicos contratados pela REFER enquanto ela era directora financeira não são, afinal, tóxicosapenas exóticos.
6. A REFER fica
com os prejuízos e Maria Luís Albuquerque continua a ser secretária de Estado de Vítor Gaspar (um ministro tóxico ou exótico?), dá-lhe total cobertura.

"Contratos da Refer foram inteiramente adequados e transparentes" diz Maria Luís Albuquerque

"Assumo total responsabilidade pelos contratos da Refer"confirma
Vitor Gaspar

«Presidente do IGCP pode ganhar até 10 mil euros por mês»

O Governo autorizou nesta quarta-feira salários mensais até 10 mil euros para o presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), João Moreira Rato, e até 6998 euros e 7960 euros para os dois vogais. (Lusa 10/04/2013)
«Processo entre a Câmara de Milão e quatro bancos resultou numa pena total de 90 milhões de euros, condenação de gestores bancários a penas de prisão e num acordo extrajudicial no valor de 450 milhões.
JPMorgan e Deutsche Bank entre os condenados. Governo usa precedente legal

«Tanto Vítor Gaspar como Maria Luís Albuquerque se congratularam com a criação de uma comissão de inquérito a estes contratos, considerando ser o meio adequado para o apuramento das responsabilidades, mas permitindo "manter confidenciais" um conjunto de informações "que não podem ser tornadas públicas neste momento "de modo a salvaguardar o interesse do Estado".»
in «Dinheiro Vivo», 30.04.21013
Ou seja, podemos saber tudo o que eles querem que saibamos.
NÃO HÁ TEMPO A PERDER!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

OS CÃES DE FILA

 [Oiça aqui]


Os mastins de serviço são extremamente agressivos, quando abocanham a presa, as mandíbulas bloqueiam retendo a vítima até se extinguir. Em matilha exacerbam ainda mais a ferocidade, agem como depredadores exaltando os instintos sanguinários que tanto os caracteriza. Uivam cada vez que se lhes acena um microfone ou se apercebem das câmaras de televisão.



«Ano de 2014 vai ser o mais duro em matéria de consolidação orçamental, com cortes que deverão atingir os 2,8 mil milhões de euros. As prestações sociais e as despesas com pessoal serão as rubricas com maiores reduções.»

quarta-feira, 1 de maio de 2013