quarta-feira, 12 de junho de 2013

Junho, mês de luta e de saudade

 Vivemos dias bravios e de bravura
Junho, mês de saudade, reflexão e luta. Mês de orgulho pelos homens que nos deixaram em Junho de 2005 legando-nos saber, integridade e esperança.

Vasco Gonçalves (3/5/1922-11/6/2005) 

Álvaro Cunhal (10/11/1913-13/6/2005) 

Eugénio de Andrade (19/1/1923-13/6/2005)

Álvaro Cunhal

[Desenho de Álvaro Siza Vieira]

DIZEM ALGUNS…

Dizem
alguns que tu
foste uma lenda arrancada
das páginas da história. Que a tua
palavra ardia
como uma tocha, às vezes
como uma lança cravada
na carne da ignomínia.
                                              Eu diria
apenas que foste
a encarnação dum sonho, o rosto
humano da utopia.

Albano Martins

O centenário do nascimento de Álvaro Cunhal está sendo comemorado em todo o país. E são tantas e sentidas as manifestações de apreço pelo que representa para todos nós que, mais do que um belo poema, damos-lhe a notícia de que continuamos a lutar com entusiasmo e confiança. Sabemos que é a melhor homenagem que lhe podemos prestar.

 

a Vasco Gonçalves

Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.
Quem conheça o sul e a sua transparência
também sabe que no verão pelas veredas
da cal a crispação da sombra caminha devagar.
De tanta palavra que disseste algumas
se perdiam, outras duram ainda, são lume
breve arado ceia de pobre roupa remendada.
Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão
era morada e instrumento de alegria.
Esse eras tu: inclinação da água. Na margem
vento areias lábios, tudo ardia.

Eugénio de Andrade

O Comum da Terra


Recordar a sensibilidade de Eugénio de Andrade, reconhecendo a honestidade e o patriotismo de Vasco Gonçalves, amplia a sua dimensão de homem e de poeta.
«De tanta palavra que disseste algumas
se perdiam, outras duram ainda, são lume
breve arado ceia de pobre roupa remendada
Relendo Eugénio de Andrade saímos de sensibilidade reforçada para melhor apreciar Vasco Gonçalves, intelectual brilhante, lutador abnegado e de apego sem limites ao nosso povo.

domingo, 9 de junho de 2013

NOME DE VASCO - Armando Silva Carvalho

 Vasco Gonçalves 3/5/1922 – 11/6/2005
NOME DE VASCO

A tua voz excessiva tornava-os mais pequenos.
Eles exigiam-te palavras untuosas,
as
secas flores da jactância,
seu sono e alimento.
A
verdade saía da tua boca iluminada
e
eles tinham os ouvidos postos na mentira
no
bocejo intrigante, na fala camuflada.
A tua
voz recuada na origem não se perdia
nos afazeres verbais da litigância
não sabia a ganância.
Era o vento dos pobres sobre os metais do luxo.
Não te punhas a embalar o povo
como à criança que tarda a adormecer.
Atiravas-lhe à
cara as palavras abruptas
um rosto incorruptível por marés de ferrugem
e
gestos de morrer.

A tua
fronte vasta tornava-os mais pequenos.
Nela despertava o
susto das mães familiares,
o
trigo parco dos homens nas tabernas
que te olhavam ingénuos vendo a seara crescer.
Ao
colo dos pais os meninos sorriam
e os
velhos viam coisas saltar dos teus cabelos.
Mas eras tu que soltavas a vida
amarrada a
um poste como um burro de carga
a
vida desavinda que os enraivecia
e
que lhes dava um coice na pança saciada.

Aqui perde-se o tempo a trabalhar as lendas.
Mas o teu rosto não pode adormecer
sobre a toalha tépida que tece a tua ausência
onde derramo o choro e os outros vão beber.
Porque o teu pulso não suportava a febre
e erguia-se no
ar como um pássaro agudo
que respirasse os ventos antes de partir.

Sobre o ladrar dos cães a tua voz alteia
como a papoula que o tempo não desfolha
a
coluna de fogo que cai sobre a alcateia.
És o
lagar imenso onde as uvas fermentam
sob os pés descalços e vivos da memória.
És a
boca que a História utilizou por boca
o
corredor onde o orvalho cresce entre a juventude
e os
homens se passeiam com trigo na cintura.
Neste
lugar de Inverno lembramo-nos de ti
como quem desperta.
Ninguém aqui precisa de recuar no tempo
nem das sereias que engolem o nevoeiro.
Ninguém aqui suporta que tu voltes
como um Desejado
com o seu cortejo de rotas feiticeiras
que gritem pelo teu nome junto aos becos do mar
com as suas luas gordas de saudade e preguiça.
Teu nome está de como um mastro
de
cal rubra.
Estás
aqui, entre nós, no meio do teu País.
Connosco vais
contigo porque o povo assim o quis.
  Armando Silva Carvalho

quinta-feira, 6 de junho de 2013

ADIVINHA



«Não posso indicar outro processo senão trabalhar e produzir cada vez mais, limitar-se a consumir cada vez menos
 
Oliveira Salazar 1943
ou
Passos Coelho     2013


terça-feira, 4 de junho de 2013

OS SUPERDONOS DO MUNDO

Seguro vai com Portas à reunião do Clube Bilderberg- 2013

António José Seguro, Secretary General, Portuguese Socialist Party
Paulo Portas, Portugal Minister of State and Foreign Affairs
José Manuel Barroso, President, European Commission
Francisco Pinto Balsemão, Chairman and CEO, IMPRESA



«Cerca de 150 persos, incluindo políticos, membros da realeza, banqueiros, multimilionários e empresários, assistirão à reunião que se realiza de 6 a 9 de junho.

Entre os participantes figurarão Christine Lagarde,  directora do FMI; Henry Kissinger, ex secretario de Estado de EE.UU.; o general David Petraeus, ex comandante aliado no Afganistão e chefe da CIA; o presidente de Google, Peter Sutherland; o presidente executivo da BP, Robert Dudley, etc»


Desde 1954 que os mais ricos e influentes líderes do mundo têm feito parte do Clube Bilderberg.
Todos os presidentes dos Estados Unidos desde 1958 e todos os altos funcionários da União Europeia têm sido sócios do dito Clube Mundialista.
 
Vejam aqui quais são os participantes deste encontro do Clube Bilderberg (CB) e como vai ser de grande utilidade que António José Seguro lhes diga (segundo ele) aquilo que pensa. Os multimilionários que, pela mão do Balsemão o convidaram, aguardam ansiosos o quão importante é o que lhes tem para dizer.
Lacraus da mesma ninhada, vai-lhes ser confiada a tarefa de continuar o crime. Passos Coelho está gasto e Balsemão prepara a mudança na continuidade.

Mais alguns apontamentos sobre Bilderberg aqui aqui aqui



"Au prochain siècle, les nations comme nous les connaissons seront désuètes. Tous les états reconnaîtront une seule autorité centrale.
La souveraineté nationale n'était pas une si bonne idée après tout."

Strobe Talbot
Secrétaire d'État député pour l'administration Clinton, 20 juillet 1992.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

«Obreiros anónimos do futuro»



«Enquanto a humanidade for humanidade, as acções que hoje praticamos estarão sempre presentes, resistindo ao tempo e ao esquecimento a que nos votarão os nossos netos. os nossos corpos terão perdido a forma humana, as suas partículas viverão separadas e dispersas e ainda nas sociedades futuras os efeitos das nossas acções evocarão a nossa passada existência. Com esta concepção, sentimo-nos (hoje) obreiros anónimos do futuro. Ao problema da morte, do não ser, responde satisfatoriamente a certeza consoladora deste prolongamento da nossa existência. Se se pudesse falar em eternidade, esta seria a única eternidade da nossa vida, como seres pensantes e voluntariosos.»


Álvaro Cunhal,Um Problema de Consciência”, 1939

domingo, 2 de junho de 2013

Temos que fazer pela vida



«Bem pago está quem por satisfeito se dá»
 

Hoje, num jornal fomos confrontados com um país que se adultera e esvai. Todos os dias as notícias sufocam criando o desespero. O discurso oficial é recebido do robot instalado em Marte. Os governantes rodeados de gorilas sentem em cada um de nós um inimigo e respondem em conformidade.
 TEMOS QUE FAZER PELA VIDA!...