sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

COLAGENS




os pobres são solidários. “CES” é a sigla de «Contribuição Extraordinária de Solidariedade», e é nas magras pensões que os cães vêm morder para fazer mais e mais afortunados ricos.



Relatório da ONU sobre o desenvolvimento humano em 2013 : números surpreendentes!



Plus riche qu’on ne pense
Le monde n’a jamais produit autant de richesse qu’aujourd’hui. En cas de distribution égale de la richesse, une famille moyenne (au niveau mondial, deux adultes et trois enfants) pourrait disposer d’un revenu de 2.850 dollars par mois. C’est étonnamment beaucoup. Ce montant ne permettrait sans doute pas de vivre dans le luxe mais il est toutefois plus que suffisant pour fournir à tous les habitants de cette planète des installations sanitaires, l’électricité, l’eau potable et une maison confortable, même si cela devait se faire selon des méthodes écologiquement durable.(2)
Autrement dit, il y a suffisamment de richesse pour tous, mais un humain sur trois ne dispose pourtant pas de sanitaires les plus élémentaires, un sur quatre n’a pas d’électricité, un sur sept vit dans un bidonville, un sur huit a faim et un sur neuf ne dispose pas d’eau potable.(3)
Cela, parce que la richesse est répartie d’une façon extrêmement inégale. Avec la richesse produite aujourd’hui, chaque personne pourrait disposer en moyenne d’un revenu de 19 dollars par jour. En réalité, un humain sur six doit se débrouiller avec moins de 1,25 dollar par jour.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

SUGESTÃO

Não merecem tanta beleza, eu sei, mas não resisto a sugerir que o Conselho de Ministros se realize neste magnífico farol onde muito provavelmente as conclusões não seriam tão violentas como o têm sido até aqui.
Foto da Foz (Porto) eleita foto do dia (5/12/2013) pela National Geographi  

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

OS CLEPTOCRATAS




Toda a glória de viver
das gentes é ter dinheiro
e quem muito quiser ter
cumpre-lhe de ser primeiro
o mais ruim que puder.
(Gil Vicente)


Os cleptocratas não sujam as patas, são ratoneiros matreiros, descendentes directos do embuste e da perfídia. Têm, como modernamente se denomina, uma actuação "abrangente"; apresentam-se como pessoas sensatas, impolutas e pacatas.

Movimentam-se na "Bolsa" dos outros, claro, com apetência para as boas "Acções", as más relegam-nas para parceiros terceiros.

Frequentam a alta sociedade – conceitos virados do avesso - expelem promessas que rendem juros deixando os promissário em apuros.

Têm ao seu serviço operacionais profissionais, não actuam directamente, comandam do escritório "inteligente" que lhes reforça a astúcia impenitente.

Os cleptocratas são a nata do autocrata, não vivem em autogestão, têm como Deus e patrão o cifrão.

Seguem sabiamente o rasto do dinheiro com o olfacto apurado de um perdigueiro e seguram-no como o melhor dos cães de fila.

Com esta cáfila não se refila.

Mais difíceis de eliminar que à nojenta barata, possuem sensores de grande acuidade, o que lhes permite identificarem o Decreto, a Lei ou o Regulamento que sirva os seus desígnios.

"Não deixe um negócio tão sólido fugir-lhe das mãos, um dos mais atractivos mercados cimenteiros da Europa, cujos resultados líquidos serão de 14 milhões de contos em 94 e de 15 milhões em 95, vendida abaixo da média dos mercados: a CIMPOR". (Desculpem mas este paragrafo é de um velho artigo relacionado com outros ladrões).

Os cleptocratas agem dentro da legalidade democrática construída à sua medida. Manobram com  os baixos salários e cortes de pensões, sugam onde faltam cêntimos para engrossar milhões.

Movimentam-se na área neoliberal, não assaltam bancos nem actuam por "esticão", teleguiados sempre pelo cifrão, compra consciências de ocasião. Conhecem o preço de uma ilusão e explora o filão!

Açambarcam o trigo, controlam o pão.

Não os conhecemos pessoalmente nem tampouco com eles nos cruzamos, têm seguranças, deslocam-se em bólides ou em aviões privados, e como bons cleptocratas que se prezam vão à missa, rezam, confessam-se, compram as indulgências no paraíso em que vivem sem receio de mais tarde entrar no purgatório.

domingo, 5 de janeiro de 2014

OS VIRA-CASACAS

 
Iniciamos as comemorações do 25 de Abril dando especial atenção aos que por Ele lutaram e que melhor O traíram, confrontando-os com o que aparentaram ser e o que são ou sempre foram.

José Jorge Letria escreve e até verseja e também canta. Oiçam!


sábado, 4 de janeiro de 2014

Carta de Armindo Rodrigues a Mário Soares



Mário Soares:

Está a grande desvergonha consumada. Acabo de ouvi-lo pela Televisão, pedir o auxílio de todos os Portugueses. Como cidadão honrado que sempre fui, acudo ao seu apelo, sem com isso pretender, de modo nenhum, reatar quaisquer relação consigo. Quero apenas, ao que lhe disse na carta que a pôr-lhes cobro lhe escrevi há tempos, acrescentar alguma coisa. Deve ir em sete anos, tive a higiénica necessidade de afirmar no Teatro Vasco Santana, cheio à cunha, que, quanto a mim, você jamais fora sequer antifascista, mas apenas anti-salazarista, e pela razão única de o Salazar ocupar o lugar que lhe era devido a si, por desde muito jovem a ele ter aspirado.
Para satisfazer as sus insaciáveis ambições, digamos de passagem que até algo ridículas, não se poupa você, nem poupa a Nação, e olhe que é a Nação e não o País como a sua crassa ignorância teima em dizer, às suas sujidades. Pela sua política, você foi o chasco dos seus primeiros parceiros governamentais da direita. Chasco o há-de ser por igual dos segundos. Lembre-se do que lhe vaticino. Aliás, o achincalhe é evidente. Desaparecida, por exemplo, na Televisão a sua imagem, logo nela apareceram as dos seus novos comparsas, adversários apregoados da véspera, com sinais inequívocos de gáudio e de chacota. Nem foi essa, muito longe disso, a primeira vez que tal aconteceu. Achincalhado o tem sido você ali por mais de uma ocasião, por grosseirões e grosseironas, alcandorados pela mediocridade charra dos nossos reaccionários a importantes figurões.
E aqui perguntará Você ao que venho eu exactamente. É simples. É-me indispensável, posto que a saúde física me está faltando, mostrar-lhe uma vez mais ao menos que a moral a continuo a ter sólida. Por isso lhe afirmo que, quanto me lembro, acaso haver sido seu amigo seja a recordação de toda a minha vida que me causa maior repugnância. E como é crível não durar eu muito e, por outro lado o considero, pelo seu amor da evidenciação a todo o propósito, capaz, quando eu morrer, de pensar comparecer ao meu enterro, gravemente lhe declaro esperar que minha mulher, como última prova de afecto, nesse caso o escorrace da minha presença inerte.

Armindo Rodrigues

Lisboa, 27 de Maio de 1983

P.S.  – É claro que me reservo o direito de utilizar esta carta como entender.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A FESTA CONTINUA


3 de Janeiro de 2014
«No último ano da troika, Cavaco declara fim da recessão»

Desejaram-nos as Boas Festas e um Bom Ano, deram-nos foguetório, e por cada bolinha na taça de champanhe visionavam mais um explorado. Viva 2014! Viva! Grunhiam em uníssono delirando de prazer os governantes, grandes patrões e outros escroques.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O CAMALEÃO

Mário Soares visto por José Saramago
23.1.86
  
Neste princípio de ano quero deixar bem claro que continuo a considerar este sujeito, o obreiro, a personagem mais diabólica na destruição do 25 de Abril e a quem devemos a demolição dos nossos sonhos e o desespero para onde nos empurrou.

Aproxima-se o 40º Aniversário do 25 de Abril e, com o despudor habitual, irá surgir ao colo de toda a direita revanchista, Partido Socialista incluso, como o pai da democracia, o libertador da Pátria.

Estou preparado, não o vou esquecer.