sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O TRAQUE

O Goucha fez como aquele individuo que para conseguir protagonismo na festa em que ninguém o ouve, expele um traque, se fedorento melhor, para afirmar pelo cheiro a sonoridade que poderia ter passado despercebida.

Para que sortisse o efeito que pretendeu, a ventosidade do Goucha teria de ir além o seu canal, era necessário que falassem do seu canal, o canal de que se orgulha, a TVI, claro.

É perigoso colocar no ventre de um cretino uma arma letal, o cretino sabe o que faz, tem consciência do alarido que provocam as suas provocações, mas por vezes, não mede as consequências.

Resta saber se de facto são cretinos ou se procuram atingir diretamente as consequências, essas que nos preocupam, promoção do nazi-fascismo para principiar, com Mário Machado.

“Encontro de irmãos” disse.

 No seu primeiro dia de governo o “irmão” Jair Bolsonaro determinou a eliminação dos Ministérios da Cultura, do Desporto e do Desenvolvimento Social, desaparece também o Ministério do Trabalho.

Os ministérios da Integração Nacional, Planeamento, Desenvolvimento e Gestão, e Segurança Pública também serão eliminados durante o seu mandato.

Todas as referências à comunidade LGBTI no organigrama ministerial e nas diretrizes para a proteção dos Direitos Humanos serão banidas.

Através de decreto, criou o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, presidido pelo pastor evangélico e advogado, Damares Alves, que atuou como conselheiro de uma frente parlamentar evangélica.

O Irmão Marcelo foi o único Presidente presente na cerimónia da tomada de posse do irmão Jair.


Talvez seja o momento de propormos à Assembleia da República a criação do

Ministério da Vergonha


quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

OS BUFOS

“Sobre a nudez crua da verdade política o manto cruel da censura.”
 

Continuo sem poder partilhar o conteúdo dos meus blogs no facebook, e a entrada nesse espaço também me está vedada.
“as minhas mensagens incluem conteúdos que outras pessoas no facebook denunciaram como abusivas”.

A delação foi o instrumento mais ignóbil posto ao serviço da inquisição, hoje sem fogueiras no Rossio, nas redes ditas sociais, queimam-se as ideias, promove-se a ignorância escancarando os portões ao fascismo a que apelidam de populismo.

“Estar atento”, é a palavra de ordem.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

“Eleições, tão livres como na livre Inglaterra.”


No balanço do ano político, hoje, primeiro dia do ano, os Manholas da SIC abriram as goelas ao Bloco em que todo o naipe, do Robles em recuperação, ao patriarca Louçã, sem esquecer a Mortágua e terminando com a sacerdotisa Martins, apresentaram o seu espetáculo. O CDS apareceu com os mediáticos artistas, Cristas de frente e de costas, primeiros planos, em campo aberto, uma festa. O senhor Costa e o Rio, que não diz por onde vai correr, mantiveram-se taco-a-ataco, como o senhor Feliz e o senhor Contente. Aos partidos com assento na Assembleia da República foi dada visibilidade e voz, menos ao Partido Comunista Português, para o PCP, nem a mais leve referência.

Aproxima-se o acto eleitoral, e vão-nos fazer crer que “as eleições vão ser tão livres como na livre Inglaterra.”

O MANHOLAS DA SIC PROMOVE A ALA LIBERAL DE QUE ERA PARTE, É A RAIZ ATIVA DA ASSEMBLEIA FASCISTA, PROPALADA COM ESTE CARTAZ.


O plano económico e social do governo Bolsonaro



O plano económico e social do governo Bolsonaro
Por Joáo Pedro Stedile e João Marcio

O capitão reformado Bolsonaro já se comprometeu com o "mercado", a entregar toda as decisões da área econômica ao grande capital, sob a hegemonia do capital financeiro e das empresas estrangeiras (personificado no Paulo Guedes e seus Chicago Boys, que inclui Levy no BNDES). Pelas declarações do Presidente, será um governo comandado diretamente por homens de negócio comprometidos com a redução do "custo Brasil", ou seja, com o aumento do lucro privado. Um governo com esse perfil não apenas continuaria, mas radicalizará a agenda Temer, a fim de implantar:

1) A redução brutal dos custos de remuneração da força de trabalho (isto é, a redução do salário mínimo e o fim de diversos direitos trabalhistas combinadas com a deterioração das condições de trabalho, por meio da generalização do trabalho intermitente, da terceirização e do sucateamento da justiça do trabalho);

2) Apropriação privada de todos os recursos naturais possíveis (petróleo, minérios, terras, água e biodiversidade) eliminando qualquer entrave burocrático ou legal. Passando por cima de populações tradicionais e preocupações ambientais; Vejam as declarações sobre revisar a reserva Raposa serra do sol, pois há 90,(noventa!) Empresas que apresentaram pedidos para explorar suas riquezas minerais. Vejam a riqueza do pré-sal, que a FUP estimou um patrimônio de um trilhão de dólares, já entregue nos processos de leilões até agora, e que devem seguir ainda mais. Para  eliminar qualquer barreira ambiental colocou um ministro truculento, sem experiência e totalmente alinhado com o agronegócio e os grandes capitalistas, que o financiaram.

3) Privatização de todas as 149 empresas estatais. Vão deixar apenas parte da Petrobras. Eles estimam que podem recolher aos cofres públicos cerca de 850 bilhões de reais, que vai ajudar a mascarar o déficit publico, porem representa apenas dois anos de juros que o governo paga aos bancos. E nesse processo entreguista entra a aprovação da entrega da Embraer para a Boeing. Já em processo final de venda, mas que falta aprovação do governo, pela clausula de reserva.

4) Privatização da previdência social. O problema não é o déficit nem os privilégios, sobretudo de juízes e militares que não serão modificados. Mas o que os bancos querem é o direito de implementar uma previdência privada, sonhando com os grandes fundos de pensão, como poupança nacional a ser acessada sem custos. Como já acontece agora com a previ do BB, com a previdência da Caixa e da Petrobras. Que se transformaram grandes operadores no mercado especulativo de investimentos.

5) O sucateamento e a privatização da educação pública, mediante a redução de recursos e investimentos crônico de escolas e universidades, a implantação em massa do ensino à distância via empresas privadas, a substituição de concursos públicos para técnicos e professores pela contratação via terceirização, a redução drástica das bolsas de estudo, pesquisa e apoio à permanência nas universidades, a imposição de reitores pelo MEC contra a escolha democrática de comunidade acadêmica e a perseguição ideológica à liberdade de ensino e pesquisa;

6) O sucateamento e a privatização da saúde pública (mediante o desfinanciamento do SUS, a regulação fraca das empresas privadas de saúde, a generalização das parcerias público-privadas como modelo de gestão e a substituição de concursos públicos pela contratação temporária via terceirização);

7) Além da privatização do sistema publico financeiro: Banco do Brasil, BNB e Caixa, haverá um processo de terceirização e privatização dos serviços públicos em geral. Tudo o que pode dar lucro, será transferido para as empresas capitalistas ganharem.

8) O favorecimento à indústria armamentista (nacional e estrangeira), mediante a liberação do porte de armas e a prioridade orçamentária às demandas das polícias e das forças armadas; incluindo acordos com Israel, para fornecimento de equipamentos.

9) Um modelo de segurança pública ainda mais belicoso, menos responsável perante a sociedade e menos responsabilizável juridicamente; com liberação da venda de armas, diminuição da maioridade penal, para 16 anos, e um processo punitivo que vai encher nossos presídios, mais do que estão…

10) O alinhamento externo do Brasil e subordinação aos interesses econômicos dos EUA e  também um alinhamento politico aos governos de direita, como Itália, Israel, Taiwan, colocando o país numa agenda militarista que contraria a sua tradição diplomática e põe em risco a paz na região.

Conclusão

Para implantar uma agenda desse tipo (o livre mercado para os cima e a "lei do cão" para os debaixo), só com intimidação, perseguição e violência.
Do ponto de vista pessoal, o  presidente é um imbecil, tosco, sem cultura, que nunca foi levado a sério, nem nas forças armadas. Ele só é confiável para o "mercado" (a burguesia, como se dizia ) porque vai terceirizar todas as decisões estratégicas do seu eventual governo, ficando apenas com pautas secundárias para despejar as suas bravatas e lançar factóides à opinião pública. Essa é a leitura dos agentes econômicos relevantes que estão pagando a conta da campanha dele. O problema (para eles) é que o Bolsonaro é despreparado até pra entender isso, o que coloca um horizonte de imprevisibilidade e incerteza para os "investidores" (os capitalistas). Ademais, o sujeito não tem base social organizada e partidária, capaz de lhe dar sustentação de massas (o tal do PSL é um fenômeno de ocasião, sem consistência programática).
Por outro lado, o Bolsonaro carrega um ranço autoritário que é constitutivo da sua figura pública, do qual ele não pode abrir mão sem negar a si próprio. E é esse ranço que gera uma reação contrária a ele que é socialmente plural e internacionalmente consensual até agora.   
Em suma, o sujeito só convence de fato os fanáticos que o seguem. Os capitalistas o estão utilizando agora, mas já o precificaram, estabelecendo como prazo de validade a execução das reformas neoliberais (o pacote de maldades contra o povo e contra o patrimônio nacional, ao estilo terapia de choque - um ou dois anos, no máximo). Depois disso, o sujeito será dispensável. 
Também vai usar o combate “espetaculoso” e seletivo à corrupção, a cargo do ministro Moro, reforçando o lava-jatismo, uso político e seletivo das leis, combinado com violação de garantias constitucionais, sempre calibrados segundo a conjuntura.  Vai voltar a lei do Borges, “aos amigos tudo, e aos inimigos a Lei!”

A incerteza (para todos) consiste em que, depois de aberta a caixa de Pandora, os demônios não voltam a ela facilmente e, como diz a lei de Murphy, nada é tão ruim que não possa piorar mais.

- João Pedro Stédile é dirigente nacional do MST
- João Márcio é professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro