terça-feira, 24 de setembro de 2019

VAMOS SALVAR O PLANETA, “até que a vaca tussa”

                       E a vaca não tosse.

A menina sueca, “brinquedo” do capitalismo, que Soros financia, vem dar lições aos políticos e, emocionada, diz que por este caminho “a vaca não vai tossir.” O Reitor corta no bife, para que a vaca tussa. Os estudantes, que já frequentam as boîtes, com a anuência dos governantes, faltam às aulas para mostrar aos adultos que por este andar a “vaca não vai tossir”, na escola primária a miudagem faz redações sobre “O Planeta” e, a televisão pergunta-lhes se sabem onde está “O Planeta”.

E toda esta macacada é tão previsível como a chegada do outono após o último dia do verão. “O Planeta” continua a rodar e a rir das a análises e dos analistas, que nem uma só vez referem O CAPITALISMO, AS MULTINACIONAIS OU O NEOLIBERALISMO, COMO SE NADA TIVESSEM A VER COM TOSSE DA VACA.

A América Latina é a segunda potência mundial em produção de proteína animal, a região produz mais de 144 milhões de toneladas de carne, ovos e leite por ano, o suficiente para alimentar várias vezes as populações famintas de todo o continente.

A fome não pára de aumentar no mundo e já atinge mais de 821 milhões “Expresso

O CAPITALISMO É ALHEIO À FOME E ÀS GUERRAS E AO PLANETA

NÃO É ? 


Aos Vindouros, se os Houver…

Vós, que trabalhais só duas horas
a ver trabalhar a cibernética,
que não deixais o átomo a desoras
na gandaia, pois tendes uma ética;
que do amor sabeis o ponto e a vírgula
e vos engalfinhais livres de medo,
sem preçários, calendários, Pílula,
jaculatórias fora, tarde ou cedo;
computai, computai a nossa falha
sem perfurar demais vossa memória,
que nós fomos pràqui uma gentalha
a fazer passamanes com a história;
que nós fomos (fatal necessidade!)
quadrúmanos da vossa humanidade.


domingo, 22 de setembro de 2019

Semiótica do Demónio Exibir o mal para ocultar a maldade - Por Fernando Buen Abad

Semiótica do Demónio

Exibir o mal para ocultar a maldade

Por Fernando Buen Abad

Nas páginas interiores, o jornal a ‘Jornada do México’ publicou (7 de setembro de 2019), uma notícia inquietante porquanto alude à contratação de um novo exorcista, dado que “o arcebispo reconhece que há muito trabalho para a expulsão de entes malignos”. Tudo, certamente, com a anuência e, talvez a bênção do Vaticano. [1]

Possuídos, como estamos, por todas as abominações engendradas pela ideologia da classe dominante, cabe-nos também carregar com os estragos da maldade personificada no "Demónio". (Satã, Lúcifer...) e uma longa lista de nomes pensados para nos aterrorizar da manhã à noite. Os poderes hegemónicos sabem que os povos assustados controlam-se melhor. É uma História realmente arrepiante.

O demónio, e o conjunto completo dos seus significados, infiltraram-se desde sempre na Cultura e na Comunicação, mas a partir do desenvolvimento dos monopólios mediáticos, ardilosos, deitaram a mão ao Demónio, com fins mais "satânicos". No "imaginário coletivo", desenhado pelos fabricantes do "senso comum", o diabólico passou a ocupar um novo papel como arma da guerra ideológica. Já não é o Satã de Dante, nem o Metistófeles de Goethe, nem o de certas tradições literárias do ente maligno por antonomásia; hoje acrescenta-se à manipulação da imaginação, a sua caracterização de uma forma visível que o poder elege para aterrorizar as suas vítimas. Génio e figura.

Desde que o cinema e a indústria editorial decidiram usar o Diabo, requereram a participação do Vaticano. Não se pode disputar o "negócio" implícito num inimigo tão valioso sem ter conjurado os estragos de uma luta inter-burguesa baseada na competição por um símbolo tão rendível. Por exemplo, para que a Igreja Católica Apostólica e Romana aceitasse exibir o ente maligno infiltrada no corpo de uma menina, que se masturba com um crucifixo e profere carradas de insultos, maldições e denúncias... houve que pactuar com os novos usos de um “brinquedo" simbólico e antigo.

Ganhou dez nomeações para os Óscares, enquanto alguns vetos e proibições só serviram para garantir mais público. Começou como um romance de William Peter Blatty (publicado em 1972) e depois um filme de William Friedkin (1973). Blatty trabalhou como agente de inteligência da aviação, especializado em guerra psicológica. Cada qual pense o que quiser. Anos antes, havia estreado com “êxito” o romance de Ira Levin, que vendeu quatro milhões de exemplares: "O bebê de Rosemary" ou em alguns países da América Latina "A semente do diabo". Propaganda satânica que produziu muito "estrume do diabo". Como o designou o Papa Francisco. [2]

Sinal dos tempos

A caracterização ou formalização (dar forma) do Mal Externo nos corpos de meninas ou meninos, já é em si bastante "diabólico." Há que ter cérebros bastante demoníacos para se sentarem a escrever, linha por linha, as maneiras perversas com que aterrorizar o público e fazer disso grandes negócios e episódios históricos de dominação ideológica. O Diabo, como sinal de classe, engloba vetores "sensoriais" com raízes histórico-culturais muito diversas. A propaganda do mal, por sua vez, é herdeira do maniqueísmo mais desenfreado, numa estratégia que vem sendo a pedra angular das instituições religiosas onde o maligno é indispensável porque sustenta toda a estrutura que luta contra ele, nos campos da ideologia, de certa teologia e não poucos mercantilistas e arrivistas do maligno. E não é um pleonasmo. E, por isso, verifica-se que mesmo Marx é satânico. [3]

O "combate" simbólico contra o mesmíssimo Satã, fundamenta o exorcismo que se encarrega de expulsar o demónio - e seus comparsas – fora das pessoas, dos lugares ou fetiches possuídos pelo "rei da maldade". O exorcista tem o poder de expulsar (poder conferido ou conquistado, conforme o caso) em nome de Deus ou de Cristo e, portanto, é um ato religioso, institucional, muito diferente aos que se conhecem nas práticas que alguns povos nativos praticam contra os males, noutras cosmovisões e axiologias diferentes, e por vezes opostas, às das igrejas e ao Diabo católico. Para ser exorcista estuda-se no Athenaeum Pontificium Regina Apostolorum. Se houver "vocação".

Alguns acreditam que o Diabo é um "anjo caído", que desenvolveu um grande poder inteligente com propósitos malignos; que consegue exercer a sua influência devido aos pecados da humanidade. Hoje há exorcismos cara a cara e também há à distância por televisão. Bastantes igrejas televisionadas exibem orgulhosamente os seus triunfos contra Satanás em canais pagos e em horários nobres. É um demónio que diversificou suas formas de propaganda, que não precisa do corpo de cabra nem de cornos "taurinos". Basta que algum sintoma, alguma coisa estranha, faça suspeitar a sua presença, para que, rapidamente, os crentes peçam ajuda eclesiástica. Custe o que custar.

Assim, entende-se por que o capitalismo identificou o Diabo como um poderoso filão comercial, no qual é possível, ao mesmo tempo, reprimir o comportamento e espremer os bolsos. Entende-se por que os setores mais rançosos das Igrejas aceitaram "compartilhar" os lucros do Diabo e ampliaram os canais da maldade para que os negócios da “luta do bem contra o mal” fiquem entre eles. Na realidade, mais do que Satanás, devemos temer o capitalismo e seus administradores que reinventaram e re-potenciaram toda a noção de maldade para horrorizar as massas. Em face das guerras, os saques bancários, a inflação, o endividamento, as fomes, o desemprego, a exploração dos trabalhadores e as canalhices mediáticas globais (só para citar alguns) as aventuras "perversas" de Satanás parecem "brincadeiras de criança". Assustam mais os tweets de Donald Trump. Temos que inventar novas formas políticas de justiça social como "exorcismo" do século XXI? 



Exercício de honestidade intelectual



Apontem uma, uma só proposta do PCP na Assembleia da República que ferisse os interesses do povo trabalhador.

Os deputados da CDU na Assembleia da República têm sido os mais ativos e, muitas das propostas que poderiam ter contribuído para o bem-estar do povo em geral, foram chumbadas pelo PS, PSD/CDS ou com os votos conjuntos das três bancadas.

A força destes partidos, e não só, reside nos media pertença do poder económico que vê no Partido Comunista o seu principal inimigo; partido que festejará o seu centenário no dia 6 março de 1921 (faltam 17 meses).

sábado, 21 de setembro de 2019

A talho de foice


Os Partidos não são todos iguais!

O rega-bofe nos governos PS/PSD/CDS, não deve ser esquecido, são tantos os corruptos que por falta de espaço há dificuldade em os referir na totalidade.



Sermão do bom ladrão

Padre António Vieira

Tanto que lá chegam, começam a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informação que pedem aos práticos é que lhes apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo. Furtam pelo modo imperativo, porque, como têm o mero e misto império, todo ele aplicam despoticamente às execuções da rapina. Furtam pelo modo mandativo, porque aceitam quanto lhes mandam, e, para que mandem todos, os que não mandam não são aceitos. Furtam pelo modo optativo, porque desejam quanto lhes parece bem e, gabando as coisas desejadas aos donos delas, por cortesia, sem vontade, as fazem suas. Furtam pelo modo conjuntivo, porque ajuntam o seu pouco cabedal com o daqueles que manejam muito, e basta só que ajuntem a sua graça, para serem quando menos meeiros na ganância. Furtam pelo modo potencial, porque, sem pretexto nem cerimónia, usam de potência. Furtam pelo modo permissivo, porque permitem que outros furtem, e estes compram as permissões. Furtam pelo modo infinitivo, porque não tem o fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes em que se vão continuando os furtos. Estes mesmos modos conjugam por todas as pessoas, porque a primeira pessoa do verbo é a sua, as segundas os seus criados, e as terceiras quantas para isso têm indústria e consciência. Furtam juntamente por todos os tempos, porque do presente – que é o seu tempo – colhem do que dá de si o triénio; e para incluírem no presente o pretérito e futuro, do pretérito desenterram crimes, de que vendem perdões, e dívidas esquecidas, de que se pagam inteiramente, e do futuro empenham as rendas e antecipam os contratos, com que tudo o caído e não caído lhe vem a cair nas mãos. Finalmente, nos mesmos tempos, não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plus quam perfeitos, e quaisquer outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse. Em suma, que o resumo de toda esta rapante conjugação vem a ser o supino do mesmo verbo: a furtar para furtar. E quando eles têm conjugado assim toda a voz activa, e as miseráveis províncias suportado toda a passiva, eles, como se tivessem feito grandes serviços, tornam carregados de despojos e ricos, e elas ficam roubadas e consumidas.