Ministros aparvalhados balbuciam trivialidades, anunciam reuniões e conclusões de farsa, o PR aproveita para se deslocar ao Vaticano, a insensibilidade dos governadores deste protetorado é insana, repugna e entristece.
O 25 de novembro de 1975
anunciou o temporal, os primeiros sopros da tempestade traziam avisos de
privatizações, intempéries de corrupção, o desabar de empresas estatais que
poderiam ter amenizado o sofrimento que ora nos aflige; a EDP que havia levado luz
a aldeias isoladas, foi desmembrada e entregue a preço de saldo a abutres que
se pavoneiam de bolso recheado, a água, as comunicações rodoviárias,
ferroviárias ou de telecomunicações, não escaparam à gula, e a Banca usurária e
arrogante controlando a alcateiam que nos usa. Todas as estruturas que sustêm um Estado
soberano e independente foram relegadas a interesses privados, e privados
ficamos do que nos pertencia com as consequências visíveis e sentidas. Ministros
aparvalhados balbuciam trivialidades, anunciam reuniões e conclusões de farsa, o
PR aproveita para se deslocar ao Vaticano, a insensibilidade dos governadores
deste protetorado é insana, repugna e entristece.
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
ResponderEliminarJosé Saramago - "Cadernos de Lanzarote", - Diário III - pag. 148, 1995
Não podia estar mais de acordo. As dificuldades existentes têm-se agravado desde há muito tempo pelos aparentes choques de quem nos tem governado , mas que concretamente , têm defendido a mesma política neoliberal, sobrepondo os seus interesses de classe aos interesses das populações. Resta-nos defender uma Constituição, apesar de "ferida". Abraço
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