«…saibaquecadapalavra, acção ou inacção, têm consequências no mundocontemporâneoque a todospertence. Porconseguinte, cabe a cadaum de nós torná-lo melhor; se o não fizermos, tornar-nos-emos responsáveisporumeventualcolapso mundial.»
Tal e qual, somos todos responsabilizados pelo “colapso mundial”. Nemmaisnemmenos.
30 páginas a transbordarem de vacuidades, decalques, sopas requentadas oujá azedas.
E maisnão digo. Leiam se voschegar a paciência.
NÃO SE DEVE…
Não se deve deixar os intelectuaisbrincarcom os fósforos
Porque, meussenhores, quando o deixam sozinho
O mundomentalmeussenhores
Não é nadabrilhante
E mal se apanhasozinho
Age arbitrariamente
Erigindo a sipróprio
Alegada e generosamenteemhonra dos trabalhadores da
construçãocivil
Um auto-monumento
Não é demaisinsistir, meussenhores
Quando o deixam sozinho
O mundomental
Mente
Monumentalmente.
(tradução de Manuela Torres)
IL NE FAUT PAS…
il ne faut pas laisser les intellectuels jouer avec les allumettes
Parce que Messieurs quand on le laisse seul
Le monde mental Messssieurs
N’est pas du tout brillant
Et sitôt qu’il est seul
Travaille arbitrairement
S’érigeant pour soi-même
Et soi-disant généreusement en l’honneur des travailleurs du
Para os que advogam que a nossacrise vem do exterior, relembro esta crónica de há 4 anos, Setembro de 2005.
111
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
……………………………
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
Fernando Pessoa - Mensagem
Num estudo divulgado peloSemanário Económico, «a manter-se o ritmo das últimas trêsdécadas, 111 anos é o tempoque o País demorará paraatingir a média do produtointernobruto (PIB) da UE.»
Se me permitem acrescentaria sómaisumano – commildiabos, maisanomenosano, quemal daí virá? Comestepequeno acrescento, ficaríamos comum logótipo emblemático facilmente reconhecível e condizente com a nossasituaçãopassada, actual e futura; o 112 é o número de todas aflições, desastresoucatástrofes de qualquernatureza,cheira a clorofórmio, soa a tragédia e faz-nos lembrar o relampejar do ni-nó-ni.
Se, de facto, não estamos a viverumcataclismo,quealguémmesaiba adjectivar a actual situaçãoquenos traz à memória o passadorecenteemquepor várias vezesnos afirmaram ser Portugal um “oásis”, de talmodoidílicoquenuncademosporele. Que rolávamos no “pelotão da frente” sempre a pedalar nas bicicletas fixas dos ginásios, quefrustração! Da lanternavermelha,perdão, laranja e rosapouco se tem falado.Talvezumproblema de daltonismointelectualoudeslembrança!
Perdemo-nos no deserto de tantas desgovernanças, e do oásisnem a miragem; quanto ao “pelotão da frente”, levámos todoestetempo a encherpneus, e jánosfalta o ar. Ofegantes, vamos cavando os alicerces desta nossaviltristeza:Subsídiosparamanter as terrasempousio e abater a nossafrotapesqueira investindo na compra de submarinosparamelhormergulhar a nossaindigência e alguma vergonha, se alguma aindanosresta.
O nossograndeesforço no investimentoprodutivopara conseguirmos chegar à média do PIB europeu, encontramo-lo no envio de militaresporta-estandartes do imperialismoIanque nas suas criminosas agressões, despendendo assimmilhões e milhões de eurose acelerando deste modo a nossalestacaminhadaquenos levará, dentro de cento e onze anos à média do produtointernobruto da UE.
Temos vendido a preços de saldo a maquinaria da nossaindústriatêxtil, à medidaquevão encerrando as fábricas, a indianos e chineses, depois de termosalienado ao desbaratotoda as máquinas da SiderurgiaNacional.
Sabendo quesem a qualificação dos nossosjovens seremos sempre o que somos, e porqueentre os 29 países da OCDE os nossosalunos ocupam o 26º lugarem literacia da leitura, a 27ª posição no domínio da matemática e a 28ª emciências, paracolmatar esta tremendadeficiência e atingirmos a média europeia do PIB, a classedocente é menosprezada e desmotivando-a dificultam o regularexercício das suasfunções.
Serenamente, a serenidade e a auto-estima são os cajados aconselhados pelosgovernantes, aguardemos o ano de 2116 para comermos pipocas, hambúrgueres e muitas maismixórdiasque a globalização distribuirá pelospaíses pobrezinhos.
Convivemos com este vírus social com a maior das à-vontades
os jornais de quando em vez publicam estatísticas e nas épocas festivas os "bancos contra a fome" mostram-nos os bons corações a escorrer caridade. As vacinas encontram-se nos cofres-fortes dos bancos e as leis sonegam-nas aos esfomeados.