Sei que estás emfesta, pá, tantomar, tantomar... O marnão foi tantoque a voz de Chico Buarque não chegasse à Ajuda, vibrando comovidamente com a multidãoque o acompanhou... Outras vozes entravam na Festapelaprimeiravez, como a vozinesquecível de Zeca Afonso. E as de Adriano, Fausto, Luísa Basto, Sérgio Godinho. Vozes portuguesas numa Festaque homenageava Camões no quartocentenário da morte do Poeta. Na Cidade da Juventude, os sons do jazz, que vinham de várias partes do mundo. A exposição de etnografia, organizada por Giacometti, é uma das memóriasque perduram desse ano.
O Governo está no “caminhoseguro” parasair da crise. «Istonão é o fim da crise, massim o princípio do fim da crise», disse José Sócrates, na conferência de imprensaque se seguiu à reunião do Conselho de Ministros. E aindasob o efeito da canículaque se tem feitosentir disse que Portugal é «um dos primeirospaíses a sair da situação de recessão», a par da Alemanha, França, Grécia e Eslováquia.
Não sei se devido à chuva de meteoritosnão há meio de encarrilharcom essa do
O Ministério da Saúde, emestreita, melhor dizendo, apertadacolaboraçãocom a Organização Mundial de Saúde (OMS) está entrincheirado pronto a combaterqualquerpandemiaque ouse transpor as nossas fronteiras. O vírus das aves deixou de nosamedrontar, as vacasjá voltaram ao seuperfeitojuízo e a gripesuína AH1N1 é jugulada ondequerque se detecte. Os governantes estão atentos! Ai de quem deixe escaparumespirrosemusar o lenço de papelondeguarda os borrifos que deitará no primeirocaixote de lixoqueencontrar e mal estará quemnão lave bem as mãos e as desinfecte com o sprayapropriado.
Quanto a gripes estamos conversados. O problemaque se nos coloca é o de nãotermosproblemas. Como é que se pode fazercampanhaeleitoral num paísondenão se encontra a maislevemáculagovernamentalque seja susceptível de crítica?
O vírusquenos arrasa, a pandemiaque expande o bem-estarsemlimites e pelaprimeiraveznos invade, denomina-se ‘fe-li-ci-da-de’.
Não tenho memória de umequilíbriosocialassimperfeito e de uma satisfaçãoque emane de modotãonatural de todas as classessociais. Os muitoricos reconheceram que o dinheironãolhes traz felicidade e quesólhes é possívelentrar no Reino dos Céuscom o fruto do seusuor e nãocom o do suoralheio.
Os professores ensinam, os alunos aprendem, o Ministériorespectivo está a corresponder aos anseios de mestres e educandos. O diálogo é profícuocomonunca havia sido. Melhorainda, tanto a nívelmédiocomosuperior, todos os jovens, terminados os estudos, têm emprego garantido e salárioquelhes permite organizar a vidasemdepender dos familiaresque, porsuavez, neste clima de segurança, usufruem a vidaemtodo o seuesplendor.
Digam-me lácomo é possíveltecer criticas aos governantes neste ambiente de tranquilidade e bem-estar? Sabendo-se queesse “bem-fazer” foi direitinho para os mais necessitados, reduzindo drasticamente o fossoentrericos e pobres.«Os portugueses sabem quesempre puderam contarcom o PS nosmomentos difíceis e que está paranascerumprimeiro-ministroque faça melhor no défice do queeu». Foi o primeiro-ministroque o afirmou e nãoummentirosoqualquer.
Aos pescadoresnãofaltamar. Não têm legislaçãoque os proteja nem os barcosque foram obrigados a abater, mas o mar e a ondulação pertencem-lhes. Os espanhóis trazem-lhes o peixe e eles, deitados na areia, observam as donzelasembiquíniou fazem surf e lá se vãosurfando,como podem, na doçura da maresia. A felicidade é uma lapaque se lhes agarra e de quenão se podem libertar.
Nestas condiçõesquem é que pode fazercampanhaeleitoral dirigida às gentes do marsemmeterágua?
A felicidade pandémica, ou pindérica como diz a Dona Gertrudes, grassa peloscampos. Aí, pormaisque se queira, não é possívelfazercampanhaeleitoralsemcorrer o risco de se serlevado a ponta de cajado. Os campos, empousio, e os camponeses batendo a sestaemsombrasaprazíveissão a expressãoidílica “desta ditosapátrianossaamada”. O poucoque se cultiva é regateado pelas grandessuperfíciespor invejáveis margens de lucro. Os criadores de gado, nomeadamente os produtores de leite, distribuem gratuitamente a produção às populaçõesquejánão sabem o quefazer de tantafartura.
Os operários, pequenoscomerciantes e industriais estão no conforto dos seuslaresou repimpados de férias vendo as estrelas.
O temporal, dizem os cépticos, virá depois das eleições se continuarmos a votaremquemnos tem bafejado comtantafelicidade.
(…)”A mudançaradical operada na vidapolítica portuguesa depois do 25 de Abril tem na publicação legal do “Avante!” umtestemunhoflagrante. Ele assinala a vitória das forças democráticas sobre o fascismo e ficará como o melhorsímbolo da conquistapelopovoportuguês da liberdade de expressão de pensamento, da liberdade de imprensa, designadamente.
“Ao longo de mais de quarenta e trêsanos, o “Avante!” clandestino foi uma armavaliosa na lutacontra a exploraçãocapitalista, a opressãofascista, a guerra colonial, a dominação imperialista. Foi uma vozirreprimível do PCP, a voz da classeoperária, a voz dos explorados e oprimidos de Portugal. Foi umórgão de informaçãolivre, num Portugal amordaçado. Disse a verdadesobre o nossopovo e outrospovos num clima de deturpação e mentira. Foi uma grandetrincheira da resistência ao fascismo. Foi um “organizador colectivo” dos comunistas, dos trabalhadores, de todos os antifascistas. Foi umórgão de consciencialização e orientação, umgrande mobilizador das massaspopulares na lutapelopão, pelaliberdadepelaindependêncianacional, pelaindependência dos povos das colónias”.
Haverá certamente muitos militantes que felizmente desconhecem esta EP. E se digo felizmente é porque muitos vieram depois para dar continuidade a este magnífico esforço colectivo.
O matutino “Público” pertence a ummagnata da nossapraçaquepagamal a quem o serve e advoga que é preferível ganharaindamenos do queestar desempregado.
«Presidente do gigantegrupoempresarial Sonae, o maispoderosogrupo económico português, Belmiro de Azevedo é um dos maioresempresários do País. De “enfant terrible” a magnata dos negócios, a trajectória deste homem é imparável. Detém a rede de supermercadosModelo e Continente, o jornal “Público”, a Optimus, além do braçoestratégico dos centroscomerciais. É o únicoportuguês a figurar na lista dos homensmaisricos do mundo. Actualmente, está no processoarrojado de lançamento da OPAsobre a Portugal Telecom. “Olhapara o mundocomo D. João II. Paraele, tudo é conquistável”, diz o jornalista Carlos Magno.»
O “bloco” diz combater os exploradores. Grita e esbraceja contra a acumulação da riqueza.
Na sequência da promoçãofeita neste jornal, dito de referência, ao “bloco” refiro as maisrecentes:
No dia 5 quarta-feira, no jornal deste benfeitor e emlugar de relevo a fotografia do ícone do “bloco” parajustificar o nadaque disse. Na páginaseguintemais “bloco” e aindamais “bloco” noutra páginacomsoluçõespara os desalojados. Hojequinta-feira e emdestaque a fotografia do “líder” e meiapágina dedicada ao “bloco”.
Qualquerestúpido compreende!
Ounão?!
Nota: "A GRande Entrevista" da Judite de Sousa feita a Jerónimo de Sousa serviu para promover o "bloco". Eles gostam tanto do "bloco"...