sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O FIGO e o milho


A fábrica de publicidade FIGO & Cia, vende a sua imagem para promover qualquer porcaria.

É tudo uma questão de preço.

O Figo já publicitou Bancos infestados de mafiosos, “deu” o seu apoio para que o “Mundial” que movimentou milhões se realizasse na sua santa terrinha. O Figo desde que lhe paguem engrandece qualquer canalha, anuncia piaçabas para latrinas, faz propaganda a qualquer merda e, obviamente, nada o impede de ajudar a vender ministros.

O apoio de Figo a Sócrates e ao PS pago com dinheiro saído de um “saco azul”de uma empresa pública terá custado 75 mil euros. E, recebida a massaroca o Figo afirmou que «Sócrates é uma pessoa séria, honesta e profissional». E José Sócrates que não regateou o preço da afirmação confessou sentir-se muito “honrado”.



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Nós por cá, todos bem -- 3


Os loucos e as ruínas


DN «Governo e patrões insistem na travagem dos salários.»

«Quatro instituições financeiras lucraram um total de 376,2 milhões de euros no primeiro trimestre, o que representa lucros de 4,18 milhões por dia.»

«Desemprego já atinge 696,9 mil portugueses e apenas 350,8 mil recebem subsídios.»

«Estradas de Portugal (EP) pede 500 mil euros às concessionárias para a realização dos eventos de assinaturas de contratos de adjudicações de obras.» (Eventos ou festas, espectáculos, comemorações, etc., com objectivos promocionais)

«Cinco milhões de portugueses vivem no estrangeiro e os cidadãos nacionais continuam a emigrar para a Suiça, Andorra, Luxemburgo e França e nos últimos anos também para o Reino Unido e Espanha. E segundo a OCDE, Portugal está de regresso aos caminhos da emigração. Entre 2000 e 2007 emigraram 640 mil portugueses»

«A EDP vai investir 4000 milhões de dólares nos Estados Unidos e criar nesse país 5000 postos de trabalho.»

«A Refer emitiu 1600 milhões de euros de dívida e estuda mais operações»


O que nos vale é terem encontrado água na "face oculta" da lua!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A "face oculta" do nosso vocabulário


GLOSSÁRIO (II)

“Assim se prova, que há arte de furtar, e que esta seja ciência verdadeira, é muito mais fácil de provar, ainda que não tenha escola pública, nem Doutores graduados, que a ensinem em Universidades, como têm as outras ciências.”

“Arte de Furtar” (1742)


Na falta de outra, temos «uma certa cultura de corrupção» segundo o ex-Procurador-geral da República, Cunha Rodrigues. E nesta área, afirmo eu, mantemo-nos no pelotão da frente e ninguém nos consegue despir a camisola amarela, rosa ou laranja, tanto faz.

Os mentores dos sacos azuis vivem numa área escura do poder de legalidade difusa; não sendo crime a escuridão, ninguém sabe, nem vê ou ouve o que se passa no interior dos sacos, quem põe, tira ou… deixar ninguém deixa. Controlo democrático, nem pelo olfacto.

“Saco” exprime “acto de saquear”, (ver Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa) tendo a vigiá-lo o “azul” que também significa “polícia” (veja o Grande Dicionário da Língua Portuguesa) assim “saco azul” não é, mais nem menos, do que o “saque policiado” mas, não tenhamos a pretensão de vir algum dia a compreender os labirintos no interior de um saco azul que é, todos o sabemos, um saco sem fundo.


E o Glossário continua:


Dar a palmada ou dar o golpe circulam na gíria colorida do gingão e, claro que, deitar a luva ou deitar a unha não são expressões de salão, assim como depenar e depenador também não. Defraudador e defraudar são mais suaves no burlar. Porém, depredação e depredar são o roubo violento, muito diferentes do descaminho, um termo bonitinho, próximo do desvio e não longe do desfalque ou desfalcar, despojo ou despojar. Mas nobre, nobre mesmo, é o desvio…o desviar, não se utilizam abaixo do milhar e, creio que com a inflação, já deviam ter sido promovidos a milhão. Dolo, até pela pronúncia tem classe e pavoneia-se pelos corredores do poder e dos tribunais.

Empochar, empalmar, empalmação andam muito pelas ruas do calão e eliminar, tal como endrominar, também. Empolgar é mais violento e o engodar tem ardil. Encobrir é guardar objectos de origem duvidosa; sinónimo de receptar. Esbrugar ou esburgar é ser forçado a dar dinheiro, a pagar uma soma avultada e esbulho e esbulhar são mais violentos e abrangentes indo até ao abuso de poder; já escamotear é roubar com muita habilidade e escorchar anda pelos mesmos becos do despojar. Escroque, galicismo, entrou no nosso linguajar e ficou como burlão, intrujão, vigarista e trapaceiro que é. Ao esgueirar-se, subtrai-se com astúcia, desvia-se, sendo a estafa burla; espoliar é extorquir e esquivar-se furtar; enquanto que subtrair herança é expilar. Extorquir, extorsão e extorsionário são termos rudes; já, extravio navega nas águas do desvio.

Fajardo furta habilmente, faz fajardice em suma; falcatrua e falsificar andam muito a par; a malta diz fanar, fazer a folha e fangueirada é furto que vale a pena. Fazer, fezada, fazer rajá é simplesmente roubar, mas fazer a pala é encobrir o roubo; e ainda com o verbo fazer temos o fazer mão baixa e fazer mão de gato. O flibusteiro vive de expedientes, da trapaça; forjar é falsificar; fraude ou fraudulência, fraudar, fraudador andam no campo do engano, do defraudar já citado. Furto, furtar e furtança são linhas do mesmo novelo, onde se enrola a trapaça.


Razão para voltarmos com o “Glossário (III)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O bafo dele

Com um bafo destes…


A mão esquerda mantém-no à distância. Há que travar a impetuosidade. Enternecido faz beicinho mas evita o ósculo. Retém a respiração, o bafo dele é bafiento. Tanta efusividade cansa. Ainda não perguntou à Ministra da Gripe se já o teria vacinado contra a gripe porcina.


Que é um quadro enternecedor, não nos restam quaisquer dúvidas.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A face oculta do nosso vocabulário

“E quando os vejo continuar no officio illesos, não posso deixar de o atribuir à destreza de sua arte, que os livra até da justiça mais vigilante, deslumbrando-a por mil modos, ou obrigando-a que os largue, e os tolere; porque até para isso têm os ladrões arte.”

“Arte de Furtar” (1742)




Por ser necessário, e os acontecimentos assim o exigirem, vou reeditar o meu glossário.


Glossário I


Com uma cultura tão rica na “Arte de Furtar”, cultura que os nossos antepassados souberam preservar e que o nosso dia-a-dia não decepciona, o vocabulário que nesta actividade, tão abrangente, surge nos media é de uma pobreza confrangedora.

Roubam-se tostões, desviam-se milhões; este amanhou-se, aquele desfalcou, aqueloutro abotoou-se. Sempre a mesma lenga-lenga. Bem contados, não vão além de escassas dezenas os termos usados na mais brilhante e lucrativa actividade no nosso país.

Preocupado com este hiato cultural, crente e ufano de contribuir para que nos possamos entender muito melhor neste negócio em galopante expansão, que é o gamanço, fui à cata de palavras que, através dos séculos, a nossa desonestidade fabricou e que o presente não desdenha, códigos que abrangem todas as classes e que, contradição das contradições, se aplicam na sua quase totalidade aos mais espoliados.

O safe-se quem puder reflecte o sistema que dá pelo nome de neoliberalismo, monstruosa ave de rapina que vai deixando o planeta exangue, devorando o Mundo e abrindo o caminho ao saque generalizado.

É tempo de engendrar novos termos e fazer reviver, pelo menos, os cerca de trezentos que a preguiça ou a rotina mantêm sepultados no esquecimento, hoje que a sede do lucro imediato torna os bolsos insaciáveis e o pudor, rechaçado, não sabe como e onde se refugiar.


Vamos a isto; é tempo de nos ilustrarmos:


Abafação é furto, abafador a pessoa que não deixa seguir o livre curso de um processo; o que encobre; ladrão e abafar ou albafar a acção. Abarbatar e abotoar-se é deitar mão do alheio e, em calão, o achatar, assim como afiançar, é simplesmente roubar. Afanar é já da gíria - e é giro. Enquanto o agadanhador surripia, agadanhar é lançar o gadanho, tirar à força, tal como agafanhar. Alapardar é apossar-se do que pertence a outrem ou seja locupletar-se ilegalmente. O alcance tem nobreza, é mais para pessoa fina, não tem a ver com a plebe, pela delicadeza do termo, não está longe da alicantina, cheia de astúcia e manha. Aliviar é coisa de carteirista. Também sinónimo de roubo, anexar é termo abrangente, mais próximo do apoderar-se, apossar-se, apropriar-se, enquanto que apanhar alguém com a boca na botija, sendo também roubar, é termo frouxo. Arrancar, arrebanhar, arrebatar, arrepanhar são palavras fortes, principalmente quando colocadas ao lado do assenhorear-se, expressão delicada, punhos de renda, com classe.

Bater a carteira é roubar às ocultas a carteira do bolso de outrem, mas, só bater é, no Brasil, o nosso aliviar, tal como buscar tem o busco como autor. Ao bifar, furta-se disfarçadamente. O borlão, borlador ou burlista exerce a arte de burlar, obviamente. Mas deitar a mão a… é benzer.

Ao capiangar, furta-se com destreza, sendo o capiango um ladrão astuto, já o cafunge e o camafouje são gatunos, gente vil. Captar, faz-se com astúcia. Cardanho ou cardar é roubo na área do palmar, mas catar e catrafilar fazem parte do jargão do choro, larápio sem estatuto. Comer é espoliar, saquear, e consumir iludir. O palavrão, concussão, muito em uso, é específico para o funcionalismo público, uma honra para alguns. Corte é roubo, acção de cortar-se ou apropriar-se de coisa alheia. E para terminar a terceira letra do alfabeto, ficamos com cresta e crestar que se aplicam ao desfalque e ao despojar.


Para bem da nossa cultura, para que nos possamos entender falando e escrevendo sobre matéria tão actual e importante, escreva-nos se desejar enriquecer o nosso vocabulário.


Até ao próximo glossário (II).