sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

AS HIENAS

As hienas riem, uivam, gemem, choram, cantam e gargalham

estes cristãos em alcateia são muito mais ferozes.


deus elegeu-o bispo

O bispo de San Sebastián, José Ignacio Munilla, afirmou que “existem males maiores” do que os que estão sofrendo “os pobres” no Haiti, como por exemplo “a nossa pobre situação espiritual”.


Este celerado regouga


Numa televisão cristã o mediático reverendo Pat Robertson proclama que os haitianos ‘prometeram servir o demónio se ele os livrasse dos franceses, sendo desde então alvo de sucessivas maldições’ e que ‘temos que rezar para que se voltem para Deus’.


«Após uma revolta de escravos, a servidão foi abolida no Haiti em 1794 e em 1801 o escravo Toussaint Louverture tornou-se governador. Os franceses foram derrotados em 1804 o Haiti proclamou a independência.» E deste modo o demónio foi servido!


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A PATRANHADA

«A economia está a crescer mas os salários e empregos vão continuar a cair»


Para os analistas, economistas à trela do sistema e outros papagaios bem remunerados, a economia é a economia, o nosso bem-estar ou desespero são frutos de uma outra galáxia.

A economia sobe e os salários e o emprego descem como se houvesse economia sem trabalho, como se não fosse o trabalho, o motor e o combustível de uma sociedade saudável!

Podem os grandes cérebros da Escola de Chicago e seus aduladores lançarem um desdenhoso sorriso sobre as contradições apontadas. Podem com a sua sapiência fazer crer que a fome é nada mais que um estado superior do apetite, não conseguirão no entanto convencer um desempregado ou alguém que receba o salário mínimo que quando a “economia cresce os salários reais e o emprego caem”.

A economia deles sobe e a nossa fome alastra.


É caso para dizer: Basta!

domingo, 10 de janeiro de 2010

João Guimarães Rosa


“
Um dos maiores ourives da palavra…”

“Em meus textos.
quero chocar o leitor,
não deixar que ele repouse
na bengala dos lugares-comuns,
das expressões acostumadas
e domesticadas.
Quero obrigá-lo a sentir
uma novidade nas palavras.”

JOÃO GUIMARÃES ROSA
1908 – 1967

Permito-me partilhar convosco a alegria deste reencontro com João Guimarães Rosa, escritor que tão grande contributo deu na construção da língua portuguesa.

“Aquilo saía gemido e tremido, e vinha bulir com o coração da gente, mas era forte demais. Octaviano pediu a seu Saulinho para mandar o pretinho calar a boca. Mas seu Saulinho tinha tirado da algibeira o retrato da patroa, e ficou espiando, mais as cartas… Porque seu Saulinho não sabia ler, mas gostava de receber cartas da mulher, e não deixava ninguém ler para ele: abria e ficava só olhando as letras, calado e alegre, um tempão…”

(in Sagarana)

--- “Quando tudo era falante… No centro deste sertão e de todos. Havia o homem --- a coroa e o rei do reino --- sobre grande e ilustre fazenda, senhor de cabedal e possanças, barba branca para coçar. Largos campos, fim das terras, essas províncias de serra, pastagens de vacaria, o urro dos marruás. A Fazenda Lei do Mundo, no campo do Seu Pensar… Velho homem morreu, ficou o herdeiro filho…

…Nos pastos mais de longe da Fazenda, vevia um boi, que era o Boi Bonito, vaqueiro nenhum não aguentava trazer no curral…

O sinal desse boi era: branco leite, cor de flor. Não tinha marca de ferro. Chifre de bom parecer. Nos verdes onde pastava, tantos pássaros a cantar.

(in Manuelzão e Miguilim)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Luís Veiga Leitão

Dois epigramas

O sábio das coisas simples

olhou em torno e disse:

não há profundidade

sem superfície

É preciso dizer bom dia

quando o dia anoitece

ser exacto todo o dia

envelhece

Luís Veiga Leitão

(1915 – 1987)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Abaixo a corrupção Viva a Comissão

A Comissão contra a corrupção tomou posse.

Ainda bem. Apoiado.



E para que não reste a mínima réstia de dúvida quanto à probidade dos eleitos que fazem parte dessa comissão, proponho que os próprios exijam que seja averiguada a origem de todos os seus bens assim como se os cargos que ocupam são fruto dos seus méritos.

Mas… O levantamento do sigilo bancário poderá ficar fora da comissão parlamentar. Só um projecto de lei, da autoria do PCP, incide sobre esta matéria. E não é certo que venha a ser integrado no pacote de diplomas a discutir pela comissão.

A criminalização do enriquecimento ilícito também está a criar engulhos.

E o CDS – um clown faz pelo menos sorrir - vai apresentar um projecto para que a lei passe a contemplar o estatuto do “arrependido” para crimes ligados à corrupção.

A corrupção tem os seus homens de mão.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O combustível para fazer empresários

Governo cria linhas de crédito para desempregados

A partir de 15 de Setembro, os desempregados que queiram abrir um negócio vão poder aceder a um programa de apoio do Governo. Ao todo, são duas linhas de crédito, no valor de cem milhões de euros. O Governo acredita que, com esta medida, vai ser possível criar duas mil e setecentas empresas e quatro mil e quatrocentos postos de trabalho

170 mil desempregados não recebem subsídio.


O combustível para fazer empresários

Está desempregado? Não desespere! Monte a sua própria empresa, seja o seu próprio patrão, nós damos-lhe o apoio necessário tal como fizemos à empresa que o despediu e se deslocalizou.

Seja um empreendedor de sucesso, gerente da sua própria oficina, conduza os seus negócios. Liberte-se! Em poucos minutos, ajuda-mo-lo a oficializar o seu novo estatuto de empresário. Vá à NET e consulte “empresa na hora”, onde será encaminhado por uma mão amiga. Pode formar a sua empresa através das páginas WEB criadas para o efeito, escritórios virtuais com alojamento gratuito on line. Abrimos-lhe as portas do futuro, melhor dizendo, os portões da felicidade.

Para formação dos novos empresários e englobado no “pacote anti-crise, organizam-se seminários, conferências, cursos abertos ou workshops (é tão snob estar num workshop) com doutores, psicólogos e muitos outros patuscos que se pavoneiam nesses espectáculos que os sustentam.

Aí se estabelece o perfil do pequeno empreendedor ou se encaminha o candidato para as “novas oportunidades”, um outro embuste que não passa de um entretenimento passageiro.

Fazem crer que é mais fácil ser empresário que obter um emprego e, repetida a ideia à exaustão, até há quem acredite.

Há males que vêm por bem: ficou sem trabalho, mas foi promovido a patrão. Abra um café ao lado daquele café que abriu em frente ao café que faliu. Seja criativo. Sim, criativo! Neste caso não o podemos ajudar, a criatividade terá de ser mesmo sua. Está, pois, de mãos livres e mente aberta, podendo dar largas à imaginação. Nós, governantes, estamos incondicionalmente disponíveis para lhe dar assistência.

“Empresa agora e na hora da nossa morte…”. Desculpem, este parágrafo é fruto de um erro informático.

Viva e beneficie da modernidade e das oportunidades que lhe oferecemos; a sociedade mudou e os horizontes alargaram-se. Não seja careta, lembre-se que vive, desde o Homo Sapien,s o mais apaixonante momento da história onde o tempo cavalga a virtualidade. Tão lindo, não é?

O desempregado que é potencialmente um empreendedor - expressão muito em voga - não deve empreender, cismar sobre a sua condição de excluído, nem deve dar ouvidos aos sépticos que lembrando Garrett perguntam: “Quantos desempregados são necessários para fazer um pequeno empresário?” Lembre-se que mais de 2300 desempregados criaram as suas próprias empresas em 2007, desconhecendo-se quantos já abriram falência, sabendo-se ainda que o Instituto Nacional de Estatística (INE) reconhece que são já 635 mil os desempregados e que chegam a entrar no desemprego mensalmente cerca de 43 mil.

Ficar sem trabalho não é uma fatalidade; é, sim, tal como afirmou um celerado governante que não chegou a ser preso: “um estado de espírito”.

O combustível que alimenta a máquina de fazer os pequenos empresários, engenho tão publicitado pelos governantes, é imposto pelo neoliberalismo que os governos aplaudem, e denomina-se: desempregados.

O degrau que os promove a patrão está ao nível do patamar onde se encontram os desempregados.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ó da guarda

Chamem a polícia!

Estou sem telefone desde esta manhã. Eu e as pessoas que me querem contactar têm insistido com a Portugal Telecom (PT) mas sem resultado.

Se eu não cumprir com o pagamento das facturas cortam-me o telefone.

Tal como a EDP que me deixou às escuras este fim de ano a PT na mesma linha de desrespeito para com os utentes deixa-me sem telefone.

Assim vão as privatizações! O que conta são os lucros e a subida das ações.

Cambada e ladrões.

Chamem a polícia!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Viva a EDP

O meu Ano Velho não deu pela chegada do seu primogénito.

Às 22.30 do dia 31 fiquei às escuras e a energia só foi restabelecida hoje dia 1 pelas 14 horas. Para começar não se pode dizer que seja um bom augúrio. Mas talvez fosse melhor assim. O 2009 pisgou-se sem me dar Cavaco e porque quem sai aos seus não degenera o 2010 deve trazer na fralda a mesma caca com que o paizinho nos presenteou durante todo o ano.

Porque estava às escuras fui obrigado a acender velas pelo defunto, e o tempo ventoso não me permitiu que o acompanhasse até à vala comum para lhe lançar no focinho toda a merda que destilou.


Que viva a EDP! A propósito. Qual a cotação da EDP na bolsa?