sábado, 20 de agosto de 2011

Adivinha para o fim de semana - 4


"o repouso dos guerreiros"
No penoso exílio europeu

os guerreiros descansam de que batalha?

1 – bateram-se com um jantar no “Irlanda Pub”

2 – continuaram a luta com quatro garrafas

3 – fizeram frente a uma soneca

4 – ou estão a recuperar forças para a contra-revolução.

A quem acertar ofereço um chapéuzinho carnavalesco.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A Bolsa

A bolsa desce, a bolsa cai, a bolsa sobe, a bolsa treme, a bolsa estagna, a bolsa flutua, a bolsa mergulha, a bolsa dá cambalhotas, a bolsa não embolsa, a bolsa bolça.


A primeira página do jornal do merceeiro Belmiro não é animadora. O jornal da SONAE que dá voz a todos os acérrimos defensores do grande capital reflecte o caos. Receia o “abrandamento da economia” resultado do “mini-crash nas bolsas”. Receia…

Entretanto sobe o desemprego; é o crash do mercado de trabalho que coloca ao dispor do patrão Belmiro salários mais apetecíveis.

Amanhã a imprensa dita de referência, com trombetas e tambores, anunciará que a bolsa está a recuperar: Subiu 0,1% .

O capitalismo atingiu a fase trágico-cómica e os seus apaniguados dizem-se e desdizem-se com o à-vontade de qualquer farsante.

Mais que farsante. Conivente no crime!


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Diógenes e os alucinados

«procuro um homem honesto»

Eu bem avisei Diógenes para que não perdesse o seu precioso tempo à procura de um governante que zelasse pelo povo. Eu disse-lhe que a honestidade não está neste pantanal de corrupção.

Por aqui só encontrará hipnotizadores de pacotilha
Diógenes, repara na expressão alucinada do corsário que ao serviço dos banqueiros comanda este navio com rota bem definida a caminho dos nossos haveres, deixando-nos exangues. Gente honesta, bom Diógenes!?

Presta atenção à revolta, repara nos rostos de gente digna e honesta marcados pela fome ou na angústia dos desempregados; e são tantos, tantos que podes dispensar a lanterna.

Diógenes, repito, a honestidade não mora aqui. Encontrarás visionários do já visto, profetas do já passado. Gente que se compra e se deixa vender. Na carroça do poder o vocábulo ‘honestidade’ foi banido.

Não percas a esperança, bom Diógenes, lutaremos para que um dia a tua tarefa seja fácil e aprazível.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Os carroceiros chegaram ao poder...

A RAMPA

“A pobreza, e a obediência quem a conserva é por força.”

Matias Aires

(Reflexões sobre a vaidade dos homens)

As imagens gravadas a fogo de emoção instalam-se, com tamanho vigor na memória, que delas dificilmente nos podemos libertar:

Calçada íngreme, o macho, atrelado à carroça repleta de pedra tentando conquistar o percurso impossível, as ferraduras sem apoio faiscando, e o animal impotente não conseguia avançar. O carroceiro, dando ao termo o significado mais pejorativo, praguejava e de chibata em riste flagelava, a golpes de raiva incontida, o animal indefeso. Numa tentativa para continuar a marcha, as patas dianteiras fraquejaram, ficando ajoelhado, preso aos varais, como alguém que implora piedade. Celerado, o monstro desce da carroça e com o cabo do chicote descarrega toda a brutalidade sobre o animal prostrado, procurando que o pobre se levante para continuar o calvário, e, porque não o consegue, num paroxismo de barbárie, com ambas as mãos em tenaz, agarra o focinho do macho e morde-o demorada e ferozmente.

Pareceu-me que o animal chorava; eu, que ainda nem sequer frequentava a primária, fugi soluçando. A imagem persegue-me sempre nas horas de injustiça que, na generalidade, se abate sobre os mais fracos.

Passados alguns anos, na primavera da minha juventude, deparo com um polícia que espancava com o cassetete um bêbado que nem forças tinha para se levantar. Intervim! Fui preso juntamente com o ébrio. Julgado sumariamente e condenado a dez dias de prisão; impulso decisivo para consolidar opções e solidificar, para sempre, a revolta consciente.

A personalidade baliza-se por miríades de aparentes pequenos nadas e, assim, aos poucos, vamos construindo a escala de valores que, uma vez assumida, forçoso é cumpri-la. E é neste compromisso que encontramos o nosso próprio equilíbrio.

Sempre recusei partilhar com o carroceiro ou o polícia de então o caminho deslizante para a ignomínia, colocando-me na rampa íngreme e difícil a caminho da justiça e da liberdade.

Hoje, assisto e resisto aos golpes de chicotes-lei, revestidos de pergaminhos democráticos, onde os poderosos zurzem aqueles que lhes puxam a carroça dos cifrões com vocábulos melífluos e, sem escrúpulos nem piedade, tentam impor-lhes caminhos escorregadios atulhados de fraudes, a caminho da burra dos banqueiros.

Em nome da modernidade, dilata-se e aprofunda-se, cada vez mais, o fosso entre os que nada têm e os que tudo açambarcam, a classe média, os pequenos comerciantes, agricultores e industriais junta-se aos assalariados para onde, aos poucos, vão escorregando também as profissões liberais. E todos estes trabalhadores, para que possamos ser competitivos, deverão nivelar salários e direitos, dolorosamente conquistados, pelos dos países onde se trabalha por dez réis de mel coado. E dentro de uma lógica redutora, escabrosa, desumana, para sermos cada vez mais atractivos aos investidores, teremos que nos despojar de tudo o que nos distingue da pobre besta que me fez chorar.

O talentoso Alphonse Daudet, na colectânea de contos reunidos em ‘Lettres de Mon Moulim’ brinda-nos com “La mule du Pape” a qual com ou sem rancor, esperou sete anos para, no local exacto e no momento preciso, usar a única mas poderosa arma que lhe fora concedida: o coice.

Não percamos a esperança; há em cada um de nós a paciência e a força da célebre mula papal, com uma importante diferença: hoje tudo se passa a grande velocidade.

Os carroceiros chegaram ao poder, há que exercitar o coice!

domingo, 14 de agosto de 2011

A linguagem indispensável e urgente


Eles roubam tudo...

Roubar é a sua profissão: eles roubam, roubam, roubam...

Roubam todos os dias e a todas as horas; roubam nos dias úteis e nos dias inúteis; roubam nos domingos, nos feriados e nos dias santos; roubam enquanto dormem e roubam quando estão acordados.

Eles roubam, encapotados, congelando salários e reformas, e roubam, sem máscara, subsídios de Natal a trabalhadores e reformados.

Eles roubam, à mão armada, o direito ao emprego aos jovens e roubam, a tiro, aos idosos, o direito à dignidade, condenando-os a reformas de miséria.

Eles roubam, em quadrilha, o direito ao pão a milhões e, sempre em quadrilha, concedem-lhes o direito à caridadezinha ultrajante e anti-humana.

Eles roubam direitos laborais e roubam direitos humanos fundamentais aos cidadãos.

Eles roubam serviços públicos essenciais, roubam o direito à saúde, à educação, à habitação – e roubam o direito à felicidade.

Eles roubam, roubam, roubam...

Eles roubam aos que trabalham e vivem do seu trabalho.

Eles roubam aos que já trabalharam e ganharam, com trabalho, o direito a uma velhice digna.

Eles roubam o emprego aos que querem trabalhar, pondo-lhes à frente espessos muros.

Eles roubam, roubam, roubam...

Eles roubam ao País a sua independência e, rastejantes, levam o roubo à boca dos grandes e poderosos da Europa e do mundo, aos quais lambem as mãos.

Eles roubam Abril – a democracia, a liberdade, a justiça social, a soberania nacional, a Constituição, o futuro – e semeiam sementes do passado que Abril venceu.

Eles roubam, roubam, roubam...

Roubar é a sua profissão.

E, quais robins dos bosques de patas para o ar, roubam aos pobres para dar aos ricos – e enchem, com o roubo, os cofres das grandes famílias, dos exploradores, dos vampiros parasitas.

E se alguém se engana com o seu ar sisudo e lhes franqueia as portas à chegada, eles roubam tudo e não deixam nada.

E poisam em toda a parte: poisam no governo e na presidência da República; poisam nas administrações das grandes empresas públicas e privadas; poisam nos bancos falidos fraudulentamente e nos bancos que, fraudulentamente, levam à falência as pequenas e médias empresas.

Poisam nos prédios, poisam nas calçadas...

A luta os vencerá.


José Casanova

Avante! 11/8/2011