sábado, 24 de setembro de 2011

Amílcar Cabral - Intelectual e revolucionário

Intelectual e revolucionário de primeira água

Percorremos juntos o mesmo caminho, irmanados na luta pela liberdade.

Os “gritos de revoltam” foram comuns e “confraternizaram com todos os homens.”

E na luta comum vencemos o antigo fascismo.

A LUTA VAI CONTINUAR!

AS LUTAS NÃO TÊM FIM NEM TRÉGUAS.

POEMA

Quem é que não se lembra

Daquele grito que parecia trovão?!

– É que ontem

Soltei meu grito de revolta.

Meu grito de revolta ecoou pelos vales mais longínquos da Terra,

Atravessou os mares e os oceanos,

Transpôs os Himalaias de todo o Mundo,

Não respeitou fronteiras

E fez vibrar meu peito...

Meu grito de revolta fez vibrar os peitos de todos os Homens,

Confraternizou todos os Homens

E transformou a Vida...

... Ah! O meu grito de revolta que percorreu o Mundo,

Que não transpôs o Mundo,

O Mundo que sou eu!

Ah! O meu grito de revolta que feneceu lá longe,

Muito longe,

Na minha garganta!

Na garganta de todos os Homens

Amílcar Cabral

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades..."

"Esta é a ditosa pátria minha amada..."

Lutamos para que também seja nossa e não só de alguns, porque sabemos tal como tu tão sabiamente expressaste: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, / Muda-se o ser, muda-se a confiança; / Todo o Mundo é composto de mudança, / Tomando sempre novas qualidades…”

Exigimos uma pátria solidária, onde todos possamos viver em comunhão e não sujeitos a um grupo de canalhas que sadicamente se aproveitam do sofrimento alheio.

Pátria onde os trabalhadores não sejam tratados como objectos à disposição do poder económico.

Eles, PS/PSD/CDS, recusam-se a aceitar a evidencia por ti enunciada há já quase cinco séculos:

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o Mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades…”

É a mudança que vamos exigir!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Os novos Carrajolas

A sua aparente fragilidade magoa a cobardia dos que se escondem ou recuam frente aos exploradores.

Os novos Carrajolas aí estão, de ferocidade controlada, assassinando metodicamente sem escrúpulos e dentro da sua legalidade. A metralhadora do tenente Carrajola é arma obsoleta. Os assassinos de hoje vivem em corporação, reúnem periodicamente e tomam decisões: dificultam os transportes aos doentes impedindo-os de acederem aos serviços de saúde, retiram participações nos medicamentos agravando o padecimento dos que de sofrimento têm que chegue, reduzem as participações aos desempregados deixando milhares de famílias na indigência, impõem mais impostos, disparando num só sentido: contra quem trabalha!

Os novos Carrajolas não assassinam frontalmente, usam métodos eivados de sadismo. Matam simplesmente porque impedem que se possa viver. São contra a eutanásia e deliciam-se a ver morrer os que poderiam viver condignamente e ter acesso à felicidade.

Se não lutarmos, os novos Carrajolas continuarão sem remorso a sua nefasta obra.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

EÇA IRÁ COMENTAR


Não creio que te juntasses à manifestação do dia 1 de Outubro mas, para mim, bastava que publicasses no dia seguinte uma das tuas crónicas causticas sobre a cáfila que nos espezinha.

Esse monóculo poria em fuga a escória de jornalistas a soldo da ralé que detém o poder.

É provável que, tal como nós, não soubesses por onde começar. Os cromos são tantos, os roubos e as canalhices em tamanho tal, que se nos torna impossível dar-lhes a tempo e horas o tratamento desejável.

Pelo menos gostaria de ver que o que dirias desses joguetes despejados no presente executivo!

Há um vocábulo que não faltaria na tua crónica: BILTRES!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Fernão Lopes é o nosso cronista.

O cronista da revolução de 1383-1385

Hoje Fernão Lopes faria parte dos cronistas desempregados. As suas crónicas não seriam do agrado do Balsemão do Clube de Bilderberg nem do merceeiro Belmiro nem dos outros traficantes de consciências.

Considerado o nosso primeiro historiador, Fernão Lopes tinha a preocupação de explicar os factos, fossem eles de carácter económico, político ou social e, para não fugir à verdade histórica, questionava toda a documentação utilizada.

Foi um historiador, cronista e intelectual honesto.

Vai estar connosco no 1º de Outubro.

Fernão Lopes será o nosso cronista.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Palestina de todos nós


A nossa luta trava-se em todas as frentes

A liberdade do povo palestino é também a nossa


O combate contra os Banksters onde quer que se encontrem é um dever colectivo

A liberdade não tem fronteiras

Lutar contra os nazissionistas ou contra o governo PS/PSD/CDS tem igual sentido.



No 1º de Outubro continuamos a luta pela dignidade que a todos é devida.

sábado, 17 de setembro de 2011

Decretos da Comuna de Paris de 1871

O susto foi tão grande que, ainda hoje, só o facto de se pronunciar o vocábulo “comuna” causa um profundo mal-estar aos açougueiros que governam o mundo.

Razão para divulgar este decreto de 1871 e aproveitar para lembrar a manifestação convocada para o dia 1 de Outubro.

Decretos da Comuna de Paris de 1871

Artigo I. As velhas autoridades de tutela, criadas para oprimir o povo de Paris, são abolidas, tais como: comando da polícia, governo civil, câmaras e conselho municipal. E as suas múltiplas ramificações: comissariados, esquadras, juízes de paz, tribunais etc. são igualmente dissolvidas.

Artigo II. A comuna proclama que dois princípios governarão os assuntos municipais: a gestão popular de todos os meios de vida colectiva; a gratuidade de tudo o que é necessário e de todos os serviços públicos.

Artigo III. O poder será exercido pelos conselhos de bairro eleitos. São eleitores e elegíveis para estes conselhos de bairro todas as pessoas que nele habitem e que tenham mais de 16 anos de idade.

Artigo IV. Sobre o problema da habitação, tomam-se as seguintes medidas: expropriação geral dos solos e sua colocação à disposição comum; requisição das residências secundárias e dos apartamentos ocupados parcialmente; são proibidas as profissões de promotores, agentes de imóveis e outros exploradores da miséria geral; os serviços populares de habitação trabalharão com a finalidade de restituir verdadeiramente à população parisiense o carácter trabalhador e popular.

Artigo V. Sobre os transportes, tomam-se as seguintes medidas: os ônibus, os trens suburbanos e outros meios de transporte público são gratuitos e de livre utilização; o uso de veículos particulares é proibido em toda a zona parisiense, com exceção dos veículos de bombeiros, ambulâncias e de serviço à domicílio; a Comuna põe à disposição dos habitantes de Paris um milhão de bicicletas cuja utilização é livre, mas não poderão sair da zona parisiense e de seus arredores.

Artigo VI. Sobre os serviços sociais, tomam-se as seguintes medidas: todos os serviços ficam sob controle das juntas populares de bairro e serão geridos em condições paritárias pelos habitantes de bairro e os trabalhadores destes serviços; as visitas médicas, consultas e assistência médica e medicamentos serão gratuitos.

Artigo VII. A Comuna proclama a anistia geral e a abolição da pena de morte e declara que a sua acção se baseia nos seguintes princípios: dissolução da polícia municipal, dita polícia parisiense; dissolução dos tribunais e tribunais superiores; transformação do Palácio da Justiça, situado no centro da cidade, num vasto recinto de atracção e de divertimento para crianças de todas as idades; em cada bairro de Paris é criada uma milícia popular composta por todos os cidadãos, homens e mulheres, de idade superior a 15 anos e inferior a 60 anos, que habitem o bairro; são abolidos todos os casos de delitos de opinião, de imprensa e as diversas formas de censura: política, moral, religiosa etc; Paris é proclamada terra de asilo e aberta a todos os revolucionários estrangeiros, expulsos [de suas terras] pelas suas idéias e acções.

Artigo VIII. Sobre o urbanismo de Paris e arredores, consideravelmente simplificado pelas medidas precedentes, tomam-se as seguintes decisões: proibição de todas as operações de destruição de Paris: vias rápidas, parques subterrâneos etc; criação de serviços populares encarregados de embelezar a cidade, fazendo e mantendo canteiros de flores em todos os locais onde a estupidez levou à solidão, à desolação e ao inabitável; o uso doméstico (não industrial nem comercial) da água, da eletricidade e do telefone é assegurado gratuitamente em cada domicílio; os contadores são suprimidos e os empregados são colocados em atividades mais úteis.

Artigo IX. Sobre a produção, a Comuna proclama que: todas as empresas privadas (fábricas, grandes armazéns) são expropriadas e os seus bens entregues à colectividade; os trabalhadores que exercem tarefas predominantemente intelectuais (direção, gestão, planificação, investigação etc.) periodicamente serão obrigados a desempenhar tarefas manuais; todas as unidades de produção são administradas pelos trabalhadores em geral e diretamente pelos trabalhadores da empresa, em relação à organização do trabalho e distribuição de tarefas; fica abolida a organização hierárquica da produção; as diferentes categorias de trabalhadores devem desaparecer e desenvolver-se a rotatividade dos cargos de trabalho; a nova organização da produção tenderá a assegurar a gratuidade máxima de tudo o que é necessário e diminuir o tempo de trabalho. Devem-se combater os gastadores e parasitas. Desde já são suprimidas as funções de contramestre, cronometrista e supervisor.

Artigo X. Os trabalhadores com mais de 55 anos que desejem reduzir ou suspender sua atividade profissional têm direito a receber integralmente os seus meios de existência. Este limite de idade será menor em relação a trabalhos particularmente custosos.

Artigo XI. É abolida a escola “velha”. As crianças devem sentir-se como em sua casa, aberta para a cidade e para a vida. A sua única função é a de torná-las felizes e criadoras. As crianças decidem a sua arquitetura, o seu horário de trabalho e o que desejam aprender. O professor antigo deixa de existir: ninguém fica com o monopólio da educação, pois ela já não é concebida como transmissão do saber livresco, mas como transmissão das capacidades profissionais de cada um.

Artigo XII. A submissão das crianças e da mulher à autoridade do pai, que prepara a submissão de cada um à autoridade do chefe, é declarada morta. O casal constitui-se livremente com o único fim de buscar o prazer comum. A Comuna proclama a liberdade de nascimento: o direito de informação sexual desde a infância, o direito do aborto, o direito à anti-concepção. As crianças deixam de ser propriedades de seus pais. Passam a viver em conjunto na sua casa (a Escola) e dirigem sua própria vida.

Artigo XIII. A Comuna decreta: todos os bens de consumo, cuja produção em massa possa ser realizada imediatamente, são distribuídos gratuitamente; são postos à disposição de todos nos mercados da Comuna.

Extraído da Introdução do livro Escritos sobre a Comuna de Paris

Seleção e tradução de Osvaldo Coggiola (professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo e militante no Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior – Sindicato Nacional, ANDES-SN