quarta-feira, 21 de março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
OS JESUÍTAS
OS JESUÍTAS
“Espécie de bolos folhados com recheio, em forma de triângulo isósceles.”(de - O Pasteleiro e a Geometria)
Na fábrica, devido a um atraso na entrega de materiais, dispensaram-na mais cedo. O almoço havia sido magro. Estava cansada, não propriamente uma fatiga física; sentia-se abatida, prostrada, envolta numa preocupação que a apertava, um mal-estar indefinido.
Entrou num café, sentou-se e pediu uma bica para justificar a ocupação da mesa. Apetecia-lhe um bolo, mas preferia partilhar esse prazer logo que o filho chegasse da escola. Tinha que esperar ainda duas horas por ele e... tanto para fazer em casa!...
Deu por si a mexer o café e, só depois, se apercebeu que se esquecera de o açucarar. Como é costume dizer-se, “não estava lá.” Não!
Procurava encontrar solução para o resto da semana em que muito provavelmente não poderia ir esperar o filho à saída da escola, e também não o deixaria assim ao deus-dará!
Enquanto cismava, reparou numa travessa de jesuítas no balcão-vitrina, brilhantes, apetecíveis. Resistiu à tentação, havia prometido a si mesma esperar pelo filho.
Entretanto, ia tentando lembrar-se de alguém que a pudesse ajudar, mas sem resultado. O marido trabalhava longe, estava a prazo e procurava assegurar o emprego e também não tinha hora certa de saída.
Como ? Quem ?!
Invadia-a uma grande debilidade, sentiu-se desfalecer. Pensou que fosse fraqueza.
Voltou a olhar para os jesuítas. Porquê jesuítas? - procurava abstrair-se da sua principal preocupação jogando com as palavras – aos bolos poder-lhe-iam ter chamado “loiolas”, “hipócritas” ou “ardilosos”.
Mas a obsessão voltava cada vez com mais intensidade: o banco de horas, o filho e a impossibilidade de o acompanhar à escola e... os jesuítas; os bolos e os outros.
Na mesa ao lado uma senhora lamentava-se: O marido, motorista do senhor ministro, chegava a desoras a casa porque tinha que levar e esperar pelos meninos na discoteca.
Uma necessidade insuportável de respirar fundo e um aperto dorido no peito sufocava-a. Pediu um copo com água sem já ser ouvida; suores frios, sons distantes, um clarão e as trevas.
De imediato, todos se inquietaram com o episódio, ninguém no café deixou de manifestar a sua preocupação, dar os seus palpites, chamar o 112, obrigá-la a beber o inevitável copo de água, lamentar o sucedido.
Solícitos e de consciências tranquilas, cada qual levou para casa um episódio que relatou à sua maneira, fazendo jus, certamente, à sua participação no incidente.
Se a algumas das prestimosas criaturas, lhes tivessem dito que este era um dos muitos resultados do pacote laboral, ir-se-iam esgueirando comprometidas, sub-repticiamente, cobardemente porque não há ninguém que se não sinta culpada.
É muito mais cómodo chamar o 112 ou dar um copo de água, sobretudo a alguém que só tem sede de justiça.
A força da razão em movimento
«Marx escrevia que a ideia ou a teoria se transforma em «força material» a partir do momento em que se apodera das massas.»
Um milhão de pessoas desfilando pacificamente e gritando em coro alguns slogans contundentes constituem com efeito uma viva manifestação de desagrado em relação ao poder instalado. E, no caso presente, uma ameaça. Este milhão de indivíduos demonstra marchando que o que até aí era apenas projecto político ou reivindicação sindical constitui agora uma força material, uma força de combate tangível, pronta para passar à acção: é a incarnação da ideia. De uma ideia que se pôs em movimento. A manifestação de rua constitui a afirmação física de uma opinião: ela dá corpo a uma reivindicação, transforma-a em ideia-força.


«««««««««««««««Marx écrivait que l’idée ou la théorie devient «force matérielle» dès qu’elle s’empare des masses.
«««««««««««««Un million de personnes défilant pacifiquement et reprenant en choeur quelques slogans point trop vagues constituent en effet un vivant désaveu à l’égard du pouvoir en place. Et, le cas échéant, une menace. Ce million d’individus démontre en marchant que ce qui n’était jusque-là que projet politique ou revendication syndicale constitue désormais une force matérielle, une force de frappe tangible, en ordre de marche : c’est l’incarnation de l’idée. D’une idée qui s’est mise en marche. La manifestation de rue constitue l’affirmation physique d’une opinion : elle donnecorps à une revendication, elle la transforme en idée-force.
Jean Salem
«ÉLECTIONS, PIÈGE À CONS ?»?» - que reste-t-il de la démocratie?
quarta-feira, 14 de março de 2012
As despesas com o bacalhau baixaram...
"Portugueses estão a adaptar-se" à crise.
Mas não se conseguem adaptar a estas sinistras figuras.
É difícil encontrar uma foto deste doutor sem ar de celerado.
Não obstante, a fisionomia plasma a rigor os impulsos do bestunto.
No raio-X à sociedade em Portugal, orientado por esta ferramenta de Mários Soares, os dados são arrebatadores. Na mesa dos portugueses há menos leite e bacalhau. Diz o doutor. O volume de leite caiu 4,5% nos últimos três meses de 2011, enquanto as despesas com o bacalhau baixaram para 1,4% o ano anterior, em relação ao mesmo período do ano de 2010.
O consumo de leite caiu mas o doutor acha que as crianças continuam bem alimentadas, o que contraria a apreciação dos professores ao constatarem que muitas crianças chegam em jejum às escolas. 
Segundo o estudo liderado por António Barreto e dados do INE (Instituto Nacional de Estatística), os portugueses cortaram nos gastos com a carne.
Mas ao contrário do que afirma o doutor os portugueses não se adaptam à fome e vão afirmá-lo no dia 22.
terça-feira, 13 de março de 2012
Luta e perpétuo recomeço
(também conhecida pela ‘greve dos pregos’)
estávamos lá…
«Foi a maior greve geral da história do movimento operário português»
Carvalho da Silva, coordenador-geral da CGTP, 28-03-88
«Se há greve, eu não a notei. E se a greve é geral, muito menos; tão-pouco parcial. Eu diria, quando muito, parcialíssima»
Cavaco Silva, primeiro-ministro, 28-03-88
Tal como Soares, esta personagem cinzenta mantém inalterável o ódio visceral às conquistas de Abril. Não lhes podemos dar tréguas. PS/PSD/CDS instrumentos da mesma política anti-laboral.

segunda-feira, 12 de março de 2012
Trabalhadores na imobilidade…

Governo vai criar 1.150 gestores de carreira para acompanhar desempregados
- O Governo vai transformar os 1000 técnicos de emprego do IEFP em gestores de carreira dos desempregados e conta juntar-lhes mais 150 dirigentes que vão ser convertidos de modo a acompanhar de perto os inscritos,
O Governo está atento e age com medidas céleres para solucionar o grave problema do desemprego. Sem contar com a sangria diária dos que emigram, contas por alto, muito mais de um milhão de portugueses estão desempregados.
Qualquer um de nós pode comprar nos alfarrabistas manuais de ilusionismo. Os governantes, essas bestas presumidas, como diria Pitigrilli, usam de modo destrambelhado esta técnica de ilusão e quando procuram fazer sair da manga a clássica pombinha surge-lhes Coelho infectado de micsomatose.
Para os analistas, cronistas, politólogos e outros vigaristas, os desempregados são trabalhadores que vão para imobilidade. Karl Marx chamou-lhes “exército Industrial de Reserva”. Que horror!… até parece que há classes em guerra. Abrenúncio!

