terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

ABRIL - cartaz/15

As duas mulas coxas


As duas mulas coxas

«Trata-se de irmãos siameses em litígio porque excessivamente unidos»
Cadernos do Cárcere – António Gramsci

Com ou sem razão esta alimária, a mula, sempre foi e continua a ser muito mal conceituada, não pelos burros, os verdadeiros, esses que estão em vias de extinção. A mula tem o estigma da manha e, como se não bastassem os inúmeros epítetos pejorativos que acumula ‘pessoa reles, fingida ou matreira’, significa também doença venérea e correio de droga, mas principalmente, designa dissimulação onde reina a hipocrisia.

As estórias que o meu amigo Elias gosta de contar encaixam sempre no que o cerca, e embora a sua imaginação me espante, não se cansa de afirmar que a ficção nunca conseguirá ultrapassar a realidade.

O entusiasmo que põe na narrativa das suas “duas mulas coxas” faz-me sorrir e pensar; sim, porque estórias só para entreter e que não nos façam reflectir, não fazem parte do seu reportório.

Com um sorriso matreiro, o meu amigo Elias dá, assim, início à sua estória: Era uma vez uma carroça puxada a duas mulas coxas, cada qual atrelada a seu varal, mancando cada uma para seu lado. A da esquerda, como lhe saltaram os cravos da ferradura da pata direita, (os outros cravos desde há muito que os não tinha), claudicava para o lado direito, e a do varal contrário simulava coxear para a esquerda porque, mula que era, fingir sabia.

E, assim, tropeço aqui, tem-te não caias acolá, desaguisado aparente frente às câmaras de televisão, seguiam um percurso comum sem interromper a marcha. E porque usavam espessos antolhos, escoiceavam às cegas procurando atingir quem as apupasse.

Pedi desculpa ao narrador pela interrupção, mas não resisti em lhe perguntar o que é que transportavam na carroça e a quem se destinava a carga, e encostando-se a mula sinistra tanto à direita por que razão não as colocavam num só varal bem ao centro?

Os dois varais dissimulam a alternância. A carga mais delicada destina-se a garantir aos Bancos impostos baixos e salários de miséria para quem trabalha à mistura com muitas promessas a caminho do esquecimento.
Como carga suplementar, podem ser vistos enormes sacos repletos de demagogia, rolos de desfaçatez para embrulhar os menos atentos e discursos enfadonhos, repetindo a lengalenga habitual.

As mulas zurram todas na mesma frequência, só diferem nos decibéis.

ENTRETANTO HÁ QUEM LHES APERTE O FREIO.

 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

MFA - cartaz/6


1974  -  2014
13 DE FEVEREIRO - APOIAR QUEM NOS DEFENDE

Canção triste


 Youtube

 (o dia-a-dia)

Il Ne Rentre Pas Ce Soir


Il écrase sa cigarette puis repousse le cendrier
Se dirige
vers les toilettes, la démarche mal assurée
Il revient régler ses bières, le sandwich et son
café
Il ne rentre pas ce soir
Le grand
chef du personnel l'a convoqué à midi
"J'ai une mauvaise nouvelle, vous finissez vendredi
Une multinationale s'est offert notre société
Vous êtes dépassé

Et, du fait, vous êtes remercié"
Il n'y a plus d'espoir, plus d'espoir, il ne rentre pas ce soir
Il s'en va de
bar en bar
Il n'y a plus d'espoir, plus d'espoir, il ne rentre pas ce soir

Il se décide à traîner car il a peur d'annoncer
A sa femme et son banquier, la sinistre vérité
Être chômeur à son âge, c'est pire qu'un mari trompé
Il ne rentre pas ce soir
Fini le golf et le
bridge, les vacances à Saint-Tropez
L'éducation des enfants dans la
grande école privée
I1 pleure sur lui, se prend pour un travailleur immigré
Il se sent dépassé

Et, du fait, il est remercié
Il n'a plus d'espoir, plus d'espoir, il ne rentre pas ce soir
Il s'en va de
bar en bar
Il n'a plus d'espoir, plus d'espoir, il ne rentre pas ce soir
Il s'en va de
bar en bar
Il n'a plus d'espoir, plus d'espoir, il ne rentre pas ce soir