segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Até estou comovido...




Comoveu-se, calculem!... «Andou pela ‘Nova Democracia’ do Manuel Monteiro», espingardou contra tudo que não fosso ultraliberal, agora mergulhado no lamaçal que criou, bate com a pata no peito berrando “mea culpa, mea maxima culpa fascismo sempre, liberalismo nunca mais” e persigna-se arrependido.
Pantomimeiro, reles farsante. Corsário que com muitos outros tomou de assalto o barco há muito encalhado e a apodrecer, e que com tanto esforço o Abril nascido dos tempos sofridos recuperou, içou-lhe as velas, e com a brisa de Abril vogou a todo o pano a caminho do futuro da liberdade por nós sonhado.

Só lhe falta seguir o ritual papal em voga, imitado pelos Espirito Santo e...

pedir desculpa.



(Em entrevista ao Público de 20/12/2014)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Rabo escondido com gato de fora


A marosca do senhor Costa. Ora aí está, o senhor Costa aperta a mão do Livre, uma espécie de pastilha elástica que se lhe colou à sola do sapato, pastilha desenxabida, mas que para muitos parolos corresponde ao regresso do PS à sua esquerda democrática, humanista e conservadora, conservada em clorofórmio desde há muito. No entanto o senhor Costa gosta é do Bloco Central, a quem sub-repticiamente vai fazendo o seu rapapé, lançando algumas biscas do seu jogo armadilhado: “Se nos lembrarmos agora do que foi o Bloco Central (…) tudo teria sido impossível sem a grande capacidade de mobilização, sem a capacidade política mobilizadora do coletivo nacional que Mário Soares assegurou e nos permitiu sair da crise”, e que 2015 era “um bom ano para o país pensar no seu futuro”. E que espécie de mistela é que o senhor Costa nos propõe com este “Sentido de país coletivo”?
Deste “trigo-roxo” já temos que chegue trazido pelas mãos sujas do rançoso “arco da governação” PS/PSD/cds.
*        *         *
Que o senhor Costa traga a Índia dentro de si é natural, meritório e disso se deve orgulhar. A imagem com estes floreados históricos é própria de quem nada tem para nos propor.







terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A RAZÃO DA NÃO RAZÃO



A RAZÃO DA NÃO RAZÃO

Ver as cousas até ao fundo…
E se as cousas não tiverem fundo?
Álvaro de Campos

Entrar de carro em Lisboa quanto mais cedo melhor; verifico o nível de combustível e, não vá o diabo tecê-las, o melhor seria abastecer-me na primeira bomba de gasolina, antes de entrar na auto-estrada.

Se bem o pensei assim o fiz. São sete horas menos cinco minutos, o funcionário lá estava, sentado à entrada do seu cubículo, saudei-o com um sonoro “bons-dias”, pedindo-lhe de seguida para ser atendido.

Resposta seca: faltam cinco minutos para abrir!

Como quem pede desculpa, ousei dizer-lhe que estava com alguma pressa.

Sem perda de tempo, retorquiu incisivo:
- com ou sem pressa na farmácia também teria que esperar!

- Não ficava mal alguma amabilidade… Arrisquei.

- Para comigo, nem a vida tem sido amável, murmurou.

Para preencher o silêncio que se seguiu, permiti-me recordar que, ainda não havia muito tempo, um dos seus colegas se enganara cobrando-me menos trinta euros e, como disso me apercebera, apreçara-me em voltar e repor a quantia que faltava.

O homem olhou-me de frente e disparou:
- Não fez mais que a sua obrigação!
Mais uma vez tem razão, desculpei-me humildemente.

Lembrei-lhe que um cliente… Não me deixou acabar antevendo onde é que eu queria chegar.

- O patrão tanto me agradece assim como de outra maneira. Sabe qual é o meu ordenado?

A rádio emitiu o sinal das sete; o sujeito levanta-se e atende-me como se eu tivesse acabado de chegar; entrego-lhe o cartão do Multibanco para pagamento e então dirigindo-se-me numa postura de menosprezo, bolçou:

- Não sabe que com este cartão já podia estar servido e a caminho?

Apreciei a argumentação ágil e precisa a todas as minhas investidas, replicou sempre com objectividade bem fundamentada e, no entanto, face à civilidade pela qual reciprocamente nos devemos reger, as suas razões não eram razoáveis.

Somos apanhados com alguma frequência nestas encruzilhadas em que a razão e a não razão se confrontam deixando-nos vazios de argumentação.

O próprio uso dos vocábulos não deverá ser deixado entregue aos impulsos do nosso inconsciente; por exemplo: ainda há bem pouco tempo, também numa estação de abastecimento de combustíveis, ao encher o depósito, o mecanismo de segurança não funcionou derramando o “precioso líquido” com o prejuízo e os perigos daí inerentes.

Reclamei junto do funcionário, respondendo-me este, com a maior dos à-vontades, que não tinha sido ele a encher o depósito e, como tal, nada tinha a ver com o que acontecera.

- Mas o sistema está avariado e a bomba de gasolina não é minha; respondi.

- Então se não é sua porque é que me está a chatear?!

Também para casos destes não sou bom de assoar, recorri, no entanto, a uma réstia de sangue-frio para raciocinar e concluir que não estava à altura de continuar uma discussão a esse nível. Paguei, saí, tomei nota da anedota e sorri.

Cada vez mais, devemos exercitar a nossa capacidade de, face ao absurdo, encontrar o seu lado cómico, caso contrário colocamos em risco a nossa sanidade mental.

Privatizam a EDP, a ANA e outras grandes empresas, e nós dizendo que não pode ser, que é património nosso; e a resposta vem firme: Era!

Não encontro o lado cómico destesexemplos; traz o esturro do trágico e o enleio do absurdo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O caos programado


O caos programado

O acaso, a ignorância ou incompetência, não têm lugar na apreciação que possamos fazer sobre o que nos está acontecendo. Não! Tudo foi programado para nos colocar de joelhos perante o d€us capital. Os povos soberanos que em liberdade constroem o seu porvir, não lhes são lucrativos. A banca - Goldman Sachs, BCE, FMI - escolhe a vítima, colocando os seus homens-de-mão em setores chave da governação, gente sem escrúpulos, energúmenos que se comprazem com o sofrimento alheio. São os gestores da extorsão a que nos submetem exercitando o caos onde melhor se movimentam. Têm rosto, e porque são conhecidos, e conscientes dos crimes que praticam, não se cruzam com o povo. Nenhum desses tiranetes se atreve a usar um transporte público ou a se movimentar sem uma brigada de seguranças, não porque temam os senhores disto-tudo, a quem depois de lhes encherem a burra com milhões de milhões os colocam em altas instâncias internacionais ou nas multinacionais que se assenhorearam de tudo o que o esforço coletivo havia conseguido.