quarta-feira, 20 de abril de 2016

A propósito da crise: - António Gramsci



22/1/1891 - 27/4/37

A propósito da crise:

(...) Quando toda a economia mundial se tornar capitalista e atingir um certo grau de desenvolvimento; isto é, quando a "fronteira móvel" do mundo económico capitalista houver alcançado as suas colunas de Hércules. As forças contra-operantes da lei tendencial e que se resumem na produção cada vez maior de mais-valia relativa têm limites, que são dados, por exemplo, do ponto de vista técnico, pela extensão e pela resistência elástica da matéria e, do ponto de vista social, pela quantidade suportável de desemprego em uma determinada sociedade. Em outras palavras, a contradição económica torna-se contradição política e é resolvida politicamente por uma subversão da práxis.
Antonio Gramsci
(Cadernos do Cárcere - Volume 1)


terça-feira, 19 de abril de 2016

EMPECHEMENT

Porque o Sen. Aloysio Nunes, que atualmente exerce a liderança do PSDB no senado, foi a Washington um dia depois da votação do impeachment?

A India, China, Rússia, Austrália ou sequer o Reino do Butão se pronunciaram sobre a impugnação ou empechement, para quem não sabe português.

Mas o Império sempre atento, lança de imediato o anátema ou a bênção consoante os seus imperiais interesses. 

John Kirby, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, em conferência de imprensa nesta segunda-feira (18) deixou a esperança de que o Brasil irá lidar democraticamente, com o que descreveu como "momento político desafiador".
 "Certamente este é um momento político desafiador para o Brasil, mas, como temos dito, acreditamos que as instituições do Brasil são suficientemente maduras para lidar com os desafios do país".

A DESESTABILIZAÇÃO ESTÁ EM MARCHA NO BRASIL E O IMPÉRIO MAIS TRANQUILO

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A dança dos lacraus


  É neste estado que se tomam decisões “históricas”

A democracia burguesa é isto, desbragada e vinhenta

 Quem assistiu ao debate e votação para a deposição de Presidente Dilma Rousseff, sentiu a náusea provocada pelo excremento ‘democrático’ que definiu os autores e atores de tão degradante espetáculo.

COMPETE AOS TRABALHADORES BRASILEIROS ESCORRAÇAR ESTA ESCÓRIA

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Porque acabei de ouvir

E é sublime!

terça-feira, 12 de abril de 2016

“Reinar sobre uma Sociedade do Medo”


União Jihadi Europeia
25/3/2016, Pepe Escobar

Passaram-se quatro meses, antes que Salah Abdeslam – um dos supostos membros do comando que atacou em Paris 13/11– fosse capturado em Bruxelas, depois de um tiroteio. Ele não fugira para a Síria; não arredara pé de sua toca de endereço conhecido em Molenbeek.

Passaram-se apenas quatro dias até desvendar o complô seguinte – um ataque coordenado de jihadistas no aeroporto de Bruxelas e numa estação de metro a 500 metros de distância da sede da União Europeia.

Sob cenário de revide, foi altamente previsível. O ministro de Relações Exteriores da Bélgica Didier Reynders até alertara durante o fim de semana que ataques eram iminentes. Mais preocupante é o vazamento de que os serviços secretos belgas – e as agências de inteligência ocidentais – tinham informação "precisa" sobre o risco de ataque contra o aeroporto e um provável ataque contra o metrô.

Ainda mais significativamente, e antes da prisão de Abdeslam, um passarinho contou a ninguém menos que o sultão neo-otomano Erdogan, governante de um "aliado chave da OTAN", que "Não há motivo algum pelo qual a bomba que explodiu em Ancara não possa explodir em Bruxelas, em qualquer outra cidade europeia." Erdogan tentava aí, é claro, traçar uma sórdida falsa conexão entre curdos e salafistas-jihadistas. Mesmo assim soou como se enunciasse um misto de profecia e ameaça.

Schengen: acordo nado morto
A Europa mais uma vez foi afogada na mesma velha litania pervertida. Dois irmãos jihadistas suicidas. Um especialista ISIS/ISIL/Daech na fabricação de bombas – que pode ter fabricado os coletes explosivos usados em Paris, carregados com Triperóxido de Triacetona [ing. Triacetone Triperoxide (TATP)]. Um bombardeador de aeroporto foragido, que deixa um testamento no próprio laptop. Um misterioso rifle encontrado próximo dos jihadistas detonados. Nenhum passaporte encontrado – pelo menos, até agora. Mas, sim, em vez de passaporte, encontrou-se uma incriminatória bandeira do ISIS/ISIL/Daech.
Um tsunami de policiais congestionaram as ruas das capitais europeias para "aliviar a ansiedade pública" e "atuar como fator de contenção" – como se esse show de força atuasse para reforçar alguma coisa, além do medo.

O Departamento de Estado dos EUA – para não falhar em seu espetacular recorde de sandices e estupidezes – imediatamente vomitou que o ISIS/ISIL/Daech está "sob pressão". É possível até que diplomatas norte-americanos tenham dado um telefonema a seu "aliado na OTAN" Erdogan, para quem o falso "Califato" pode, no mínimo, ser aproveitado como agente pré-posicionado e acionável no tabuleiro de xadrez do Oriente Médio.

Vagalhões de políticos da União Europeia babaram as mais oportunas lágrimas de crocodilo sobre os ternos Zegna, lamentando "um ataque contra a Europa democrática" – ataque o qual, vale lembrar, foi perpetrado por cidadãos nascidos e criados na União Europeia, convertidos em transformers jihadistas na guerra feita à distância contra a Síria, e pesadamente apoiados por variados estados-membro da União Europeia.

Índices de audiência para o mais recente show da União Europeia – a selvagem promoção do tal "desafio à segurança" da Fortaleza Europa – saíram pelo telhado. Em mais de uma capital da União Europeia, torres do relógio badalaram em uníssono "celebrando" a demonização dos refugiados e a decapitação do multiculturalismo.
E o Acordo Schengen, que já andava em passo de morto vivo, foi atingido por golpes de serra elétrica e está agora, ora essa, muito mais morto.

O fim do acordo Schengen pode custar à União Europeia coisa como $100 bilhões. Mas a xenofobia e a islamofobia – garantidas a todos sem custo adicional – nunca estiveram tão prósperas.

Fontes da Europol juram que pelo menos 5 mil jihadistas teriam entrado na União Europeia disfarçados de refugiados. Ninguém até agora perguntou: mas se foram tão positivamente identificados, por que ainda não foram presos? Pelo menos 400 deles podem estar prontos para gerar terror por toda a Europa.

Maria Zakharova, porta-voz do ministério de Relações Exteriores da Rússia, escapando agilmente de um caldeirão de desinformação, pelo menos já fez lembrar a todos o triste resultado de uma política de padrões ambíguos (da UE), que faz diferença em terroristas "do bem" (seus "rebeldes moderados") e "do mal".

O aeroporto de Bruxelas está a poucos quilômetros de distância do quartel-general da OTAN – cuja suposta missão é manter a segurança da Europa enquanto, na prática, vai atuando como um Robocop, da África à Ásia Central. Os jihadistas, por sua vez, miraram contra um aeroporto suposto de segurança máxima e uma estação de Metrô da qual se vai a pé, facilmente, até Barlaymont, quartel-general da Comissão Europeia (CE). Poderiam igualmente ter planejado atacar duas usinas nucleares em Doel e Tihange.

O fato de o ISIS/ISIL/Daech estar explodindo cidadãos da União Europeia e de muitas outras nacionalidades bem debaixo dos narizes da OTAN tem, necessariamente, de erguer sobrancelhas de desconfiança. Sobretudo se se sabe que, para a OTAN e sua lamentável galeria de Drs. Fantásticos, Breedloves/Breed-ódios [aprox. "gera-amores/gera-ódios"], o "inimigo" não é o salafismo-jihadismo, mas a Rússia "do mal".

Que tal uma Responsabilidade de Proteger (R2P) para a Europa?

É sempre iluminador examinar como a Think-Tank-elândia está lendo a cena. Depois de Paris, houve muitos elogios entusiásticos, quando a França declarou-se "em guerra", ampliou a própria "atividade militar" no Oriente Médio e fez aprovar uma "Lei Patriota" à francesa, destinada a continuar vigente por muito tempo.

Agora, os pensadores do Excepcionalistão estão inconformados, porque a União Europeia não tem exército (na verdade, tem: o exército da OTAN) e, assim sendo, "não tem como reagir" ao que batizaram de "9/11 belga". É claro que a OTAN pode "reagir": pode marchar sobre o ISIS/ISIL/Daech em todo o "Siriaque" invocando a "Responsabilidade de Proteger", nesse caso centenas de milhões de civis na União Europeia). Mas essa não é nem algum dia foi prioridade.

Pôr a culpa toda na Bélgica, que seria estado falhado, é fácil demais. É parte do quebra cabeça, mas não é o xis da questão.

Esperem agora que os "líderes" da União Europeia reúnam-se para fazer alguma coisa, qualquer coisa, sobre/para/contra o ISIS/ISIL/Daech. Talvez lhes oferecer – ou deixarem-se humilhar por – um acordo do tipo do acordo (ilegal, nos termos da lei internacional) que firmaram recentemente com Erdogan seu "aliado na OTAN", e que ameaça imigrantes como se fossem peça de mercadoria barata e passa por cima de incontáveis barreiras logísticas e legais.
Imediatamente em sequência, com os mortos de Bruxelas ainda insepultos, o primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu mais uma vez 'exige' uma "zona segura" na Síria – e onde mais seria? –, insistindo em que a segurança da Europa começa pela Turquia.

A crise dos refugiados da Europa também começou pela Turquia: foi Ancara quem os expulsou em massa, para começar, dos campos turcos de contenção. Questão legítima é se Ancara teria colhões para inundar a Europa sob ondas de refugiados, se não tivesse luz verde de Washington. Nesse caso, a 'justificativa' seria meter a Turquia à força, dentro da União Europeia – é a cláusula de Erdogan, de que as negociações nessa direção sejam aceleradas – para reforçar o status anti-Rússia da própria UE.

A União Europeia sempre pode oferecer ao ISIS/ISIL/Daech um negócio do tipo "Vocês não nos bombardeiam aqui na Europa, e nós não bombardeamos vocês no Siriaque". Mas, calma! Esse acordo (informal) já existe e está operante, via a coalizão CCG-OTAN liderada pelos EUA.
Que ninguém espere que os políticos da União Europeia liguem os pontos e vejam que a guerra clandestina da União Europeia contra a Síria – especialmente mediante o fornecimento de armas, por Grã-Bretanha e França, a legiões de "rebeldes moderados" – está gerando o correspondente revide. Esperem só o inferno de "segurança" reforçada nos aeroportos servido com garrafas de Perrier.

Já é hoje mais do que estabelecido que que houve em Washington uma "decisão desejante" [ing. willful decision"], de deixar ISIS/ISIL/Daech – que nasceu em Camp Bacca, prisão norte-americana no Iraque – crescer e prosperar. O aeroporto de Bruxelas estava em nível absolutamente máximo de segurança. Uma célula salafista-jihadista conseguiu escapar de uma monumental caçada policial por toda a cidade de Bruxelas, por quatro meses.

Um gambito da Operação Gladio – conduzida por CIA/OTAN, exatamente como nos velhos tempos – ainda é hipótese de trabalho muito sólida. A Operação Gladio implantou na inteligência ocidental um princípio inamovível de inteligência, pelo qual se justificaria matar civis, em nome de causa superior.

Deter e fazer regredir a cooperação econômica/comercial entre Rússia e Europa ainda é objetivo chave do Excepcionalistão. O que nos leva a uma subtrama: a mídia-empresa comercial ocidental continuará a bater na tecla [ou no gatilho] segundo o qual todos aqueles horríveis "muçulmanos" sapateiam sobre "nossos valores" – enquanto na Rússia, claro, cada vez que o terror ataca, a culta é toda de Putin por causa de seu "autoritarismo e violência" no norte do Cáucaso.

Em ambiente de Gladio do século 21, ataques sob bandeira falsa que levam à subversão da democracia por uma estratégia de tensão crescente servem agora a mais um objetivo: controlar e manipular a opinião pública europeia – pelo medo, pelo terrorismo e por agentes provocadores (ISIS/ISIL/Daech encaixam-se perfeitamente nesse quadro) –, para o objetivo orwelliano final de manter a Europa pressionada e submissa aos imperativos geopolíticos do Excepcionalistão.
O objetivo orwelliano sempre é reinar sobre uma Sociedade do Medo. Pelo menos, todos já sabemos que os bandidos do falso "Califato" nunca se darão o trabalho de atacar a OTAN, autodescrita como defensora dos "valores" da Europa. É ou não é?