terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Os que fazem a História


Uma dezena de polícias das forças especiais, bem equipados e melhor robotizados, detêm uma mulher desarmada cujo crime seria o de se manifestar na pátria de Neruda pela liberdade da líder espiritual mapuche Francisca Linconao. (manifestações em várias cidades do Chile)

Há os que se escusam de nada contestar, alegando por cobardia ou estrutural submissão, velhos slogans, tais como ‘contra a força não há resistência’, não se revendo nestas imagens; as coisas são como são, dizem, quem vier atrás que feche a porta. E acontece que por vezes quando se querem escapar, encontram a porta fechada e não têm a força necessária para sozinhos a abrir.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Os Ressabiados



Os ressabiados são as minhas melhores referências, o GPS que me indica o caminho que não devo seguir. Quando a venenosa e bilderberguer Clara Ferreira Alves me aponta um perigo, é para lá que eu vou.
No 'Expresso' o início de uma das suas capsulas de cianeto:
«Vladimir Vladimirovich. Nascido em outubro de 1952, quando outubro ainda era vermelho. A caricatura de Trump preencheu o cargo de homem do ano, mas o verdadeiro homem do ano foi Vladimir Vladimirovich Putin. O estadista mais ambicioso, competente, inteligente, maquiavélico e implacável de que há memória na História europeia das últimas décadas. “O Príncipe” devia ter sido escrito a pensar neste homem que veio da capital da Mãe Rússia, São Petersburgo. Putin não é Trump, não é ignorante e não dá erros. Não comanda através das redes sociais. A sua vida pessoal e sentimental é um enigma imperial. A sua vida pública é a de um homem que percebeu, em 1989, o que tinha verdadeiramente acontecido ao seu país. Putin estudou.»
 
Mas tenho um outro indicador, o novo patrão de o Público que ficou tão contente com o seu novo cargo que nos aparece sempre a rir. O ‘senhor contente’ trás à arreata dois manguelas que nos dão editoriais, autenticas bussolas que nos dizem os caminhos a não trilhar.

Esta pérola: Pelo menos 76 pessoas, 28 delas crianças, morreram num ataque na cidade de Alepo, a maior cidade da Síria, no Norte do país, segundo o Observatório dos Direitos Humanos, que apoia a oposição síria. (Observatório dos Direitos Humanos, que apoia a oposição síria.) O algodão não engana…
A vitória de Bashar al-Assad em Alepo, graças ao triunvirato Rússia-Irão-Turquia, é tudo menos pacífica. Assad e Vladimir Putin — encantado consigo próprio no papel de czar — cantam vitória sobre um monte de escombros e a acumulação de crimes de guerra. (Segundo o Observatório…) (ler aqui)

Os ressabiados no abismo das suas frustrações vendem ilusões aos patrões e amealham €urões.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A guerra na Síria não é 'civil'



(Artigo amplamente documentado)
Histeria

A histérica campanha em torno da libertação de Alepo é elucidativa. Longe de celebrar o fim de quatro anos de guerra nessa grande cidade síria, os meios de comunicação, governos e parlamentos das potências imperialistas ficaram histéricos com a derrota daqueles a quem o ex-chefe das tropas da NATO na guerra contra a Jugoslávia, general Wesley Clark, chamou (literalmente) «os jihadistas 'bons' financiados pelos nossos aliados» (USA Today, 11.2.16). Os 'jihadistas bons' de Wesley Clark são aqueles que decapitam crianças, ao mesmo tempo que recebem apoio militar dos EUA (BBC, 21.7.16). São os que comem as entranhas de soldados sírios que acabaram de matar, naquilo que a BBC apelidou de 'canibalismo ritual' (BBC, 5.7.13), e são depois entrevistados pela comunicação social inglesa para se «explicarem» (Telegraph, 19.5.13). São os que diariamente bombardeavam com morteiros alvos civis na Alepo não ocupada e chacinam a comunidade cristã síria (como relata a missionária católica argentina Ma. Guadalupe, que viveu estes quatro anos em Alepo; observador.pt, 25.2.16). São os mercenários cujos salários são pagos pelas petro-ditaduras do Golfo (ABC News ou Times of Israel, 1.4.12), conhecidas e intransigentes defensoras da democracia e dos direitos dos povos... E pelo Pentágono (NY Times, 18.9.14 ou Reuters, 22.6.15).
O sofrimento do povo de Alepo foi real. Nos dois lados da cidade, e não apenas a Leste. Foi-o, porque o imperialismo (dos EUA e da UE) optou desde o início pela militarização dos protestos de 2011, armando e financiando bandos terroristas para efectuar a 'mudança de regime' tantas vezes exigida publicamente pelos Obama/Clinton, Hollande, Cameron e companhia. A guerra na Síria não é 'civil'. É uma guerra de agressão externa, que visa destruir e fragmentar o país, para melhor controlar os enormes recursos da região.
Nada disto é novo. Em 1957 «Harold MacMillan [PM inglês] e o presidente [dos EUA] Dwight Eisenhower aprovaram um plano [dos seus serviços secretos] CIA-MI6 para encenar falsos incidentes, como pretexto para uma invasão da Síria pelos seus vizinhos pró-ocidentais», conforme documentos oficiais descobertos em 2003 (Guardian, 27.9.03). Até a linguagem parece actual: «O plano prevê a criação dum 'Comité da Síria Livre' e o armamento de 'facções políticas com capacidades paramilitares [...]' dentro da Síria. A CIA e o MI6 instigariam levantamentos internos». O imperialismo nunca aceitou de bom grado a libertação dos povos. Em Maio de 1945, no preciso mês em que terminava a II Guerra Mundial, «tropas francesas ocuparam o edifício do Parlamento sírio em Damasco, no qual entraram após rebentar com o portão a tiros de artilharia, de acordo com o correspondentes da British United Press. […] aviões franceses deixaram cair várias bombas sobre Damasco e tropas francesas metralharam várias ruas [da cidade]» (Sydney Morning Herald, 31.5.45). Tudo isto para impedir que, após 400 anos de dominação turco-otomana e um quarto de século de colonização francesa, o povo sírio alcançasse a sua independência. Tudo isto, poucos meses após a libertação de Paris da ocupação alemã.
A histeria é grande, porque a derrota do imperialismo em Alepo é pesada. O Embaixador sírio na ONU diz que agentes dos serviços secretos dos EUA, Israel, Arábia Saudita, Catar, Turquia, Marrocos e Jordânia estão cercados em Alepo. A histeria é também porque os dirigentes imperialistas sabem que, cada vez mais, estão a perder o controlo ideológico sobre os povos. Como ainda há poucos dias ficou patente na sua derrota (mais uma) no referendo que visava alterar a Constituição italiana. O que torna legítima a pergunta: o que fazem o BE e outras forças que se proclamam de esquerda, levando água ao moinho das campanhas propagandísticas que tentam 'legitimar' as guerras imperialistas? Já foi assim aquando da guerra à Líbia. Não aprendem? Ou não querem aprender?
Jorge Cadima

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Do facebook da Ana Margarida de Carvalho


in TORNADO jornal online

«A todos aqueles que me perguntaram porque é que eu cedi, porque não resisti, porque não bati o pé, porque é que não aguentei a pressão... O Garcia Pereira explica    aqui »

A lei da selva e os silêncios cúmplices

Nos últimos dias, as redes sociais interessaram-se e até se inflamaram com a pública denúncia do despedimento forçado, disfarçado embora e como convém de “resolução por mútuo acordo”, da Jornalista da revista Visão Ana Margarida de Carvalho.