sábado, 27 de maio de 2023

EUA, uma sociedade doente

Nova Zelândia, Austrália, Canadá, Reino Unido, França, Venezuela e Uruguai emitiram alertas para os seus cidadãos que viajam para os Estados Unidos por causa da violência armada nesse país.

Segundo Gun Violence Archive, (GVA), grupo americano sem fins lucrativos com um site e plataformas de distribuição de comunicação social que catalogam todos os incidentes de violência armada nos Estados Unidos. Nos primeiros quatro meses deste ano, segundo o Gun Violence Archive, houve 13.959 mortes relacionadas com armas nos EUA (a maioria, suicídios), dessas 491 eram adolescentes e 85 crianças.

OTANazi

 

Otan prepara uma gigantesca provocação militar na Alemanha com milhares de soldados

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(A próxima guerra na Europa será entre a Rússia e o fascismo, só que o fascismo se chamará democracia.) Fidel Castro

A Bundeswehr (Bundeswehr) está se preparando para "o maior exercício aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de todos os tempos". De 12 a 23 de junho, 25 nações participarão das manobras do Air Defender 23 no espaço aéreo da Alemanha e países vizinhos.

A defesa dos países da Otan se tornou mais relevante do que nunca desde o início da operação militar especial russa na Ucrânia, segundo o jornal alemão Bild.



sexta-feira, 26 de maio de 2023

O tal “socialismo de rosto humano”

Maioria absoluta [PS] contra todas as respostas sociais

AbrilAbril

26 DE MAIO DE 2023

Em mais um dia de votações, o PS votou contra todas as propostas que melhoravam as condições de acesso das pessoas com deficiência à Prestação Social assim como a regime de reparação de acidentes de trabalho e de doenças profissionais. 

Mais uma vez o Partido Socialista com a sua maioria absoluta bloqueou um conjunto de propostas que visavam melhorar as condições de vida das pessoas, desta vez as pessoas com deficiência e dos idosos em situação de pobreza, bem como fortalecer a proteção social e a segurança no trabalho. 

COM SOCIALISMOS DESTES A DIREITA PERDE O SEU ESPAÇO


quinta-feira, 25 de maio de 2023

A verdade que os cretinos recusam ver

O “Ocidente” continua a rejeitar a PAZ  e a fornecer pás para sepultar ucranianos.

O ministro alemão de Defensa, Boris Pistoriusser, questionado no Bundestag pelo deputado sem mandato Robert Farle por que a Alemanha não está se esforçando para encontrar uma solução pacífica para o conflito no país, respondeu:

"Se parássemos de fornecer armas à Ucrânia hoje, o fim da Ucrânia viria amanhã. Vocês querem aceitar, mas nós não queremos", 

domingo, 21 de maio de 2023

Mau presságio: G7 reúne em Hiroshima

«A Ucrânia é o tema em destaque na cimeira de três dias, realizada numa cidade que simboliza os efeitos de uma bomba atómica norte-americana em 1945.»

«O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou no um novo pacote de ajuda militar para a Ucrânia no valor de até US$ 375 milhões. O Pentágono disse que o anúncio ocorre após a reunião do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, com seu homólogo ucraniano, Vladimir Zelensky, no Japão.»

 

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Vem defender o SNS

«Caixa, BCP, Santander e BPI tiveram lucros acima de dois mil milhões de euros no ano passado. Foram 5,5 milhões por dia. Receitas com juros renderam cinco mil milhões com a ajuda do banco central.». 


«O número de utentes sem médico de família aumentou 29% num ano, ascendendo agora a quase 1,7 milhões.»

“Simplesmente Galamba”

“Simplesmente Maria” foi o folhetim radiofónico de maior sucesso de todos os tempos, a partir de março de 1973, das 13:30 às 14:30, e teve duzentos episódios.

Nessa altura os almoços eram calmos, caiam algumas lágrimas na sopa, e a vida ia decorrendo com a infelicidade semelhante à da infeliz Maria. Encobria-se a morte dos jovens na criminosa guerra colonial ou os que fugiam à repressão e ao fascismo caetanista.

“Simplesmente Galamba” é o novo folhetim, repleto de crimes, embustes e traições por onde circulam milhões de euros da criminosa privatização da TAP.

Toda esta farsa galambista foi encenada para encobrir o que estão tentando ocultar, a privatização da TAP


quinta-feira, 18 de maio de 2023

Promoção do fascismo e da fina flor democrática

 "Top protagonistas de notícias Tv

abril de 2023

(duração total das notícias em que intervieram diretamente)



terça-feira, 16 de maio de 2023

"A convite do Partido Comunista da China (PCC)"

 

15 Maio 2023

Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP, inicia hoje uma visita à República Popular da China.

A visita da delegação do PCP, dirigida pelo seu Secretário-Geral, realiza-se a convite do Partido Comunista da China (PCC) e tem lugar no quadro das relações de amizade entre o PCP e o PCC.

A delegação terá oportunidade de se deslocar a Xangai, a Hefei e a Pequim.

 

segunda-feira, 15 de maio de 2023

CAÇA ÀS BRUXAS E FOGUEIRAS FASCISTAS

 

As novas fogueiras da Inquisição

por

António Filipe

Membro do Comité Central do PCP e professor universitário 

Mais de 200 anos após a extinção da Inquisição e quase 50 anos após o derrubamento do fascismo há quem queira impor em Portugal uma espécie de inquisição baseada na russofobia

1. O reitor da Universidade de Coimbra acha que pode despedir o diretor do Centro de Estudos Russos daquela Universidade com a mesma arbitrariedade com que um qualquer patrão de uma empresa de vão-de-escada despede um jovem em período experimental. Não há processo disciplinar, não há factos que o justifiquem. Há o facto de o demitido diretor ser russo e há a delação feita por dois ucranianos de que o diretor recomenda livros de autores russos e tem uma opinião sobre a guerra da Ucrânia que não coincide com a dos delatores.

Em todas as notícias que vieram a público sobre este despedimento, feito à margem de qualquer processo legal, o que é grave numa instituição pública, não há mais factos que o justifiquem a não ser a nacionalidade do autor e a delação acerca das suas opiniões.

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sexta-feira, 12 de maio de 2023

As víboras nazissionistas

Para estes bárbaros não há sanções nem bloqueios, os tão badalados direitos humanos não se aplicam a estes criminosos, e o Augusto Santos Silva (PS) prefere visitar e venerar o seu amigo Zelensky.

Palestina. 28 mortos e quase uma centena de feridos: bombardeamentos afetam principalmente residências e serviços públicos em Gaza.

O Ministério da Saúde relatou a morte de 28 palestinos, incluindo 6 crianças, 4 mulheres e 2 idosos, além de quase uma centena de feridos, entre eles 24 crianças, 13 mulheres, e 3 idosos, como resultado das agressões da ocupação dos nazissionistas.

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A agressão concentrou-se em locais povoados, infraestruturas agrícolas, destruição de estradas, rodovias e infraestruturas, como eletricidade, água e redes de esgoto. Pelo menos 5 edifícios foram bombardeados e completamente destruídos, assim como cerca de vinte casas e outras 314 unidades foram parcialmente demolidas.


quinta-feira, 11 de maio de 2023

Senhor S Silva, agradeço o incentivo mas ainda faz frio para avançar

 O Presidente da Assembleia da República de Portugal, foi à Ucrânia encorajar Zelensky a marchar “contra os canhões” e passar revista aos tanques que lhe ofereceu, se é que lá chegaram. Para o senhor Santos Silva, Guaido ainda é o presidente da Venezuela. Um PS submisso aos ditames do império ianque, sem um resquício de dignidade.

Entretanto a primavera já chegou, mas como as manhãs ainda estão frias, Zelensky diz que «Com o que já temos poderíamos avançar, mas necessitamos de mais tempo para preparar a contraofensiva, enquanto continuamos a esperar as ajudas prometidas, declarou Zé-lenski, numa entrevista à BBC. “Perderíamos muita gente, assim, temos que esperar. Precisamos ainda um pouco mais de tempo”.»

 

E TANTO SOFRIMENTO PARA O POVO


quarta-feira, 10 de maio de 2023

O saco de gatos

A Europa tem de "virar-se para o mundo"

Abordando a política externa, Scholz sublinhou que o bloco comunitário deve "virar-se para o mundo" em vez de se posicionar como uma terceira grande potência ao lado dos EUA e da China, como expressou em abril o presidente da França, Emmanuel Macron, que propôs que a Europa fosse "um terceiro polo".


quarta-feira, 3 de maio de 2023

E o crime passa ao lado

Enquanto as hienas da comunicação dita social nos vão entretendo com as risadas próprias à sua necrófila condição, escondem-nos o saque. As galambices, estórias e crimes sibilinamente apadrinhados por costas e marcelos, são um tapa-olhos para apagar mais um esbulho imposto pelos neoliberais de Bruxelas e aceite caninamente por um Governo que se diz socialista. A TAP, a Nossa TAP, vai ser entregue por gente sem escrúpulos a proxenetas, negócio escuro entre canalhas. Vamos ficar ainda mais pobres.

Só lhes falta “privatizar a puta que os pariu” como disse, e muito bem, José Saramago.

 

domingo, 30 de abril de 2023

Continua o saque ao nosso património

Um Governo, autodenominado de socialista, continua a pôr em saldo o pouco que já nos resta e a destruir o SNS, Justiça e todo o Sector Público. Com “esquerda” desta não necessitamos de extrema-direita.

AbrilAbril

29 DE ABRIL DE 2023

TAP. Enquanto se caçam notas, uma grande empresa nacional é destruída

Enquanto uns caçam Galambas e outros continuam a caçar a TAP, a verdade sobre o criminoso processo de ataque à companhia aérea vai jorrando da comissão de inquérito perante a quase indiferença mediática.

Paulo Duarte, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA/CGTP-IN), durante a sua audição na Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP na Assembleia da RepúblicaCréditosManuel de Almeida / Agência Lusa

Como já foi alertado, o centro do debate mediático sobre a TAP nunca é a TAP. Esta sexta-feira, o debate centrou-se nas notas que terão sido tiradas numa reunião, que o ministro das Infraestruturas garante não existirem e o adjunto despedido jura terem sido tiradas. Assim, enquanto uns caçam Galambas e outros continuam a caçar a TAP e a enterrar uma grande companhia nacional, a verdade sobre o criminoso processo de ataque à TAP vai jorrando da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à TAP perante a quase indiferença mediática.

O facto mais grave ocorrido nos dois últimos dias passou praticamente sem críticas ou mesmo registo. É que, na quinta-feira, o Governo anunciou o início do quarto processo de privatização da TAP, depois de os três primeiros lhe terem provocado mais de mil milhões de euros de prejuízo. Particularmente o primeiro, a venda à Swissair, que faliu antes de concretizar a compra, e o último, a venda a David Neeleman, cuja dimensão do estrago se vai conhecendo melhor com a actual CPI.

No mesmo dia, continuaram as audições às organizações dos trabalhadores, que «enterraram» completamente o processo de reestruturação, imposto pela Comissão Europeia, ilustrando com casos concretos: os cortes no número de trabalhadores destruíram a capacidade de retoma da operação da TAP; os cortes salariais que, além de prejudicarem a vida dos trabalhadores que os sofrem, afastam todos os dias trabalhadores especializados da TAP, que encontram noutras empresas – particularmente no estrangeiro – melhores remunerações e condições de trabalho; o encerramento do infantário cria um problema aos trabalhadores com crianças menores, particularmente àqueles que entram nos primeiros horários (5h, 6h) e àqueles que saem nos últimos turnos; o recurso sistemático a aviões com tripulações que não falam português prejudica a companhia. Tudo isto, imposto pela Comissão Europeia, aceite pelo Governo português e ferreamente implementado pelas administrações. Aliás, não exactamente tudo. Os cortes salariais terão sido uma opção do Governo português. Pelo menos é isso que transparece de um documento da Comissão Europeia entregue à CPI pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).

O que é impressionante é a capacidade de a Comissão Europeia ter percebido que a pandemia lhe criara a oportunidade de conseguir, pelos mais ínvios caminhos, concretizar o seu projecto de mais de 20 anos: integrar a TAP num dos três grupos monopolistas que «devem» restar na Europa (Lufthansa, Air France/KLM ou British/Ibéria). Contando, como sempre, com a subserviência do Governo e da oposição neoliberal.

A audição da Comissão de Trabalhadores serviu ainda para lembrar uma outra realidade; que existem leis de primeira e de segunda. É que, como lembrou o deputado Bruno Dias, as comissões de trabalhadores têm o direito de participar nos processos de reestruturação, de conhecer as propostas e dar opinião sobre elas. Está na lei. Mas nada disso aconteceu na reestruturação da TAP. Foram entregues documentos truncados à margem da lei. Foram negadas informações ao abrigo de um segredo que pode ser exigido (se justificado) mas não pode servir de desculpa para negar informação. E esse tipo de ilegalidades contribui para tornar opaca a gestão – seja nas empresas públicas seja nas empresas privadas. O problema está no retrocesso democrático da gestão das empresas (e não apenas das públicas). É esse retrocesso democrático que alimenta a corrupção, o nepotismo, e todas as formas de abuso.

Entretanto, habituados a fazer o mal e a caramunha, os partidos que apoiaram a privatização da ANA, que permitiram que esta cancelasse a construção do Novo Aeroporto de Lisboa, há oito anos que apoiaram a liberalização do handling, que aceitaram o direito de a Comissão Europeia impor uma reestruturação à TAP e despedir dois mil trabalhadores que fazem falta – o PS e o PSD quando no poder, mas com o apoio ideológico da IL – falam agora do perigo de um Verão caótico no Aeroporto de Lisboa. Que seguramente o será. Mas porque as privatizações e o neoliberalismo andam a enterrar este país. Enquanto se discute se numa determinada reunião se tomaram notas e se há direito de exigir vê-las, ou de escondê-las ou de mentir sobre a sua existência.

 

Este artigo integra a série de apontamentos sobre a comissão parlamentar de inquérito à TAP, disponíveis aqui.

 



domingo, 23 de abril de 2023

“Onde estavas no 25 de Abril?”

 

Vivendo Abril em Paris

“ESTÃO A FALAR MUITO DE PORTUGAL”

A fotocópia do documento dactilografado «O “Movimento”

das F.A. e a Nação», de 11.3.74, antecedeu a “Circular

nº3” da “C.D.E. – a força do povo” de 25 de Março de 1974,

esta já impressa e com referências e apreciações ao “Movimento

de Oficiais acerca da sublevação do RI 5 das Caldas” e

que repetia a Circular n.º 2 com a “Circular das Forças Armadas”

de 18 de Março. Estes documentos haviam chegado a

Paris e impunha-se que fossem discutidos e analisados, tendo

em conta a quem se dirigiam e em que condições. Assim o

entendeu a célula onde me encontrava organizado e, para tal,

marcámos uma reunião para as 21 horas da noite de 24 para

25 de Abril, quando todos os participantes se encontrariam

libertos das suas jornadas laborais.

Atravessei Paris, de Malakoff a La Courneuve, onde reunimos

no escritório de um dos camaradas. A discussão prolongou-se

até à uma da manhã do dia 25. Detivemo-nos na agressividade

de alguns parágrafos, nas intenções veladas de outros

e, quanto a mim, detive-me neste axioma expresso no final

do documento: «Na verdade, o exército só será o “povo em

armas” quando entre Exército e Povo não existirem quaisquer

barreiras». Saímos apreensivos e esperançosos, tudo se me

apresentava possível. Em que direção e para quando?

Cheguei a casa – habitava então em Villejuif – pouco antes

das três da manhã, cansado e confuso. Distante como estava,

era difícil não ser subjetivo; faltavam-me as vivências e a distância

distorcia as escassas informações que chegavam; por

maior que fosse o esforço que fizesse, a emotividade exacerbava-se e havia que recorrer a um maior esforço para impedir

que a emoção ignorasse a realidade. Como tinha um horário

de trabalho flexível, poderia dormir até às tantas. Cerca das

nove da manhã, a minha filha que tinha ido para a escola

regressou a casa correndo, acordou-me e, ofegante, foi dizendo:

“Estão a falar muito de Portugal!”.

Tinha mudado de casa havia poucos dias, não tinha telefone

nem sequer um rádio a funcionar. Pedi-lhe que fosse comprar

pilhas para o pequenino transístor de bolso e, entretanto,

fui-me arranjando para sair. Sair para onde? Trabalhando nas

comunicações, seria no meu próprio local de trabalho que

me encontraria melhor colocado para não só contactar e ser

contactado pelos meus camaradas e amigos, como também,

e especialmente, pela situação privilegiada em que me encontrava,

tendo à minha disposição o Telex, na altura, o meio mais

eficiente nas telecomunicações. A decisão estava tomada -

iria “trabalhar”.

Não me excitei demasiado. Por temperamento, mantenho

sempre uma penosa calma nos momentos de grande

entusiasmo ou expectativa. Transístor colado ao ouvido, ia

recebendo de cinco em cinco minutos o ponto da situação.

Apanhei o autocarro até à Porte d’Italie, comprei tabaco e

continuei noutro autocarro até Porte d’Orléans, sempre atento

às informações sobre Portugal que continuavam a fazer

manchete. Ao chegar à Porte d’Orléans ouvi uma informação.

Não me recordo qual, mas perturbou-me; desci e, de súbito,

senti uma forte pressão no peito - a calma controlada dá nisto.

Encostei-me a um quiosque publicitário – as velhas “Colonnes

Morris” ex-libris de Paris – e pouco depois, uma voz

preocupada, seguida de uma mão que me pousou no ombro,

questionava-me num francês com sotaque castelhano: “Que

se passe-t-il camarade”?

Não era possível, num momento tão importante da minha

vida, encontrar alguém que melhor pudesse compreender o

que estava sentindo e perante quem tivesse que moderar a

minha alegria-sofrimento. Era Ângela Grimau, viúva do comunista

Julian Grimau, assassinado por Franco. Não sei ao certo

o que lhe respondi e tão-pouco o diálogo que mantivemos;

sei que fomos tomar café num local que fazia parte da minha

rotina e que, após algumas lágrimas de descompressão, saí

mais calmo e recomposto para Malakoff onde trabalhava.

Ainda não entrara no centro de comunicações e já o telefone

soava; sentíamo-nos todos como que suspensos das informações

que nos chegavam e desejávamos aferir sem saber

como nem onde. Liguei o telex para Lisboa, Porto e outros

locais onde em princípio poderia obter algumas informações

mas, para meu desespero, na maior parte dos casos estavam

menos informados que eu a dois mil quilómetros de distância.

Entretanto, o telefone não parava de tocar. Trocávamos

sugestões, marcávamos encontros. Na sequência da reunião

que havíamos tido, elaborámos um comunicado que enviei

para o “Movimento das Forças Armadas”, recebido em Lisboa

às 16h07, tendo sido no dia seguinte publicado num dos

vespertinos da capital:

 

M U I T I S S I M O U R G E N T E

Ao Movimento das Forças Armadas

L I S B O A / P O R T U G A L

INTERPRETANDO OS SENTIMENTOS DOS IMIGRANTES

PORTUGUESES EM FRANÇA SAUDAMOS AS FORÇAS QUE

DERRUBARAM O REGIME FASCISTA QUE HÁ QUASE 50 ANOS

OPRIMIA O POVO PORTUGUES STOP APOIANDO AS POSIÇÕES

DO VOSSO MOVIMENTO ANTERIORES AO DIA 25 DE ABRIL

LEMBRAMOS AS MEDIDAS INDISPENSÁVEIS E IMEDIATAS A

TOMAR:

1) AMNISTIA GERAL E TOTAL PARA TODOS OS PRESOS, PERSEGUIDOS,

EXILADOS, POLÍTICOS E MILITARES E A LIBERTAÇÃO

IMEDIATA DE TODOS OS PRESOS POLÍTICOS E MILITARES.

2) ABOLIÇÃO DA PIDE/DGS

3) CESSAR-FOGO IMEDIATO NAS COLONIAS PORTUGUESAS

SEGUIDO DE ABERTURA DE NEGOCIAÇÕES PARA A INDEPENDÊNCIA

DAS MESMAS E O REGRESSO DOS NOSSOS SOLDADOS.

4) ESTABELECIMENTO DAS LIBERDADES FUNDAMENTAIS

NOMEADAMENTE:

a) LIBERDADE E LEGALIDADE PARA TODOS OS PARTIDOS

POLÍTICOS.

b) LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO.

c) LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

d) LIBERDADE SINDICAL

5) ABOLIÇÃO DA CENSURA

 

Emoção, como motor da intervenção expresso, neste

documento que guardo ainda hoje. Horário cumprido, saí

correndo ao encontro de amigos e camaradas. Nessa mesma

noite, resolvi regressar no primeiro comboio que saía para

Portugal.