segunda-feira, 6 de abril de 2020

TODOS

(a manhã - Sebastião Salgado)

TODOS
pronome indefinido plural
Todas as pessoas, toda gente, todo mundo


Participação de todos para o bem-comum. Perfeito!

Quando a fome extravasa, as boas almas imploram a solidariedade de todos, e se os bancos entram em falência é de todos que os governos vão extorquir a salvação.

Se um qualquer cataclismo aflige a sociedade, claro está que é pedida a ajuda de todos. Se o desemprego explode é rogado o sacrifício de todos. Se o FMI ou o BCE impõem medidas antissociais é pedida a compreensão de todos.

Este pronome indefinido no discurso dos governantes é matreiro. De todos não é a riqueza, de todos não é o bem-estar, de todos não é a felicidade.

E quando os assalariados exigem solidariedade, trabalho e salários dignos, são escoiceados sempre pelos mesmos.

domingo, 5 de abril de 2020

ESTAMOS TODOS NO MESMO BARCO!

QUEM VAI NO PORÃO?

Frase sibilina amplamente divulgada e aceite, - todos no mesmo barco - sem assinalar as classes a bordo, nem quem conduz o navio.

No mesmo barco sim, mas em que local e quem tem acesso às embarcações salva-vidas?

No Titanic iam todos no mesmo luxuoso transatlântico, mas os imigrantes estavam confinados aos porões e neles ficou a maior percentagem.

“Menos de 10% das mulheres da primeira e segunda classe morreram, e pereceram 54% da terceira classe. Cinco das seis crianças na primeira classe e todas da segunda classe sobreviveram, porém 52 das 79 na terceira morreram.”

As 29 caldeiras eram alimentadas por trezentos fogueiros que atuavam em condições terríveis. Pouquíssimos membros da equipe sobreviveram ao naufrágio.

«O Titanic [neoliberalismo] foi pensado para ser o navio mais luxuoso e mais seguro de sua época, gerando lendas que era supostamente "inafundável".»
O NEOLIBERALISMO TAMBÉM!


ESTAMOS NAS MESMAS ÁGUAS APANHADOS PELO MESMO TUFÃO, MAS O BARCO NÃO É IGUAL PARA TODOS

sábado, 4 de abril de 2020

O regresso à terra

Dentro em pouco arrancamos o faval e os tomateiros perfilam-se para lhe ocupar o espaço.

Não obstante as agressões sofridas, a terra continua generosa, não é de rancores, e enquanto puder fará por esquecer a nossa ingratidão.

O interior do país, berço que nos embalou, berço agreste e injusto alheio à bondade do solo, está pronto a acolher o filho pródigo. Os que, (não como o da parábola) miseráveis, saíram da aldeia para procurar melhores dias, dentro em pouco os filhos pensarão no regresso.

Não há “aldeias turísticas” o turismo morreu, mas a terra está sequiosa de vida aguardando quem a cultive e com ela construa a felicidade.

O interior do país, que PS/PSD/CDS ao gosto da UE despovoaram, destruindo todas as infraestruturas, e porque a normalidade só é possível com o coração do país a pulsar a um ritmo socialmente homogéneo, acreditamos que este aviso é uma oportunidade para, de acordo com o tempo, sair da letargia a que foi obrigado.


sexta-feira, 3 de abril de 2020

O MONSTRO “INVENCÍVEL”

Provocador, por onde passa obriga todos os Estados à genuflexão e os povos persignam-se. O ronco dos propulsores nucleares intimida, os radares espreitam e os sofisticados sistemas eletrónicos escutam e registam o mais ténue segredo.

O monstro custou 4 biliões e quinhentos milhões de dólares, para se movimentar necessita de 4 mil guerreiros, muitos altamente especializados, e o seu imundo ventre alberga uma força bélica desconhecida, além de aviões última geração. O monstro designa-se “USS Theodore Roosevelt (CVN-71)”

Não obstante a atenção permanente a qualquer agressão que vislumbre a milhar de milhas, mantém contato com bases logísticas instaladas por todo o mundo. Ninguém se atreve a travar-lhe a rota.

O monstro começou a não poder respirar, apresentava os sintomas do Codiv-19, que sorrateiro passou todas as barreiras, minou todas as astúcias tecnológicas e instalou-se no bunker obrigando o medonho monstro, aos tropeções, ir procurar refúgio no porto de abrigo mais próximo.

O MONSTRO É A IMAGEM SIMBÓLICA DO NEOLIBERALISMO.