domingo, 25 de setembro de 2016

Os farsantes


 
Um autocarro parado num descampado com passageiros selecionados, um helicóptero presidencial com seguranças q.b., um presidente que se mistura com o povaréu, é filmado e vai à vida.

Recordei Bush no Iraque com o peru de plástico na bandeja.

É assim que os trastes representam farsas à sua medida.

sábado, 24 de setembro de 2016

As armadilhas da televisão



Semiótica da Televisão

As armadilhas da "representação" televisionada

Nos modos de produção de “sentido” televisual, o problema do seu caráter representativo ou participativo tem também muita influência. Ao já de si odioso modelo de gestão dos “tempos televisivos” afogado pelo império da publicidade e do fundamentalismo de mercado, há que juntar o modelo intermediarista que a televisão comercial tomou como seu para nos impor o seu discurso, os seus gostos, os seus valores e dejeções ideológicas. Uma verdadeira calamidade.
A única coisa que pretendem é impor-nos alguém ou algo que “explica” tudo, com os seus meios e modos, a seu bel-prazer e conveniência. Leem-nos as notícias por eles seleccionadas e que dizem (com exagerado ênfase) ser “o mais importante”. Dizem o que devemos comprar, a que preço, com que “virtudes” e à custa de que condições. A crédito ou a pronto. Dizem-nos quem e o que é “belo”, “sedutor”, “sensual”, “atrativo”, “elegante” ou de ”sucesso”… impõem-nos os seus prazos e ritmos. Manipulam-nos o dicionário, o vestuário, o imaginário e o relógio. Em tempo real.

Há sempre um explicador para tudo, vendedor ou condutor… empenhado em ser o simpático, o eficiente, o esclarecido ou o iluminado. Disposto a levar-nos ao paraíso dos seus interesses políticos, ideológicos e comerciais. Principalmente comerciais. A televisão mercantil é uma máquina de guerra ideológica cravejada de intermediários que a tempo inteiro estão prontos para nos esvaziar a cabeça de qualquer ideia, de toda a possibilidade e oportunidade de participação autónoma. Há sempre alguém que conta anedotas por nós, há sempre alguém que canta canções por nós, que dança, que informa, que cozinha, que “sabe”, que “entende”, que “diz”, que “sorri”, que “saúda”… por nós e sem a nossa autorização ou prévio acordo. É o “mundo” deles que dizem “representar-nos”. E nós pagamos.

Os mais “espertos” apercebem-se da sua ditadura na representação e nos fingimentos e sabem assumir a forma de ”participação” que lhes convier, usando as pessoas como decoração, como meros figurantes de ocasião em encenações “democráticas” ou “populares”, quando tal lhes dá jeito. Dizem que “o público opina”, “participa” quando eles dizem, como eles dizem, até o que eles decidem. Democracia cronometrada. Não poucas televisões públicas estão infetadas com este veneno ideológico televisivo “representativo” que cansa, que dói, que ofende e humilha os povos “de todas as cores e latitudes”.

Não temos uma verdadeira Televisão Participativa. Salvo casos incipientes e dolorosamente incompreendidos, como a VIVE TV da Venezuela – no seu início – algumas televisões comunitárias que se conseguem salvar de intermediários parasitas de todo o tipo (igrejas, ONGs, partidos políticos oportunistas, Messias…) A Televisão Participativa, como Democracia Participativa, está por construir. É necessário muito trabalho e muita atenção crítica para eliminar das nossas cabeças (e das estações televisivas que os povos dirijam) o perigo de repetir o discurso burguês, o discurso do patrão nos écrans. Como se fosse nosso. São necessárias agudeza e experiência, desconfiança prática e vigilância científica, para não ser vítima da inoculação ideológica que nos representa como lhes convém.

A luta de classes também se expressa nos écrans. Não nos vamos cansar de insistir na urgência de romper com os modelos burgueses de comunicação, aproveitando criticamente só aquilo que seja aproveitável (fundamentalmente tecnológico) e rejeitando tudo o que de mais odioso tem um modelo de “produção de sentido” em Televisão, especializada como ela está em apagar dos olhos dos povos os próprios povos e em criminalizar os líderes sociais e as lutas sociais que desenvolvem esforços inimagináveis de participação na criação de um mundo novo, justo, sem guerras, sem fomes, sem classes e à vista de todos. Acabemos com a propriedade privada da televisão e com os monopólios. Uma Televisão Participativa é possível, é necessária e urgente.

Fernando Buen Abad
Tradução CS/APS

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Desgraçado país…

Estado de emergência em Charlotte USA, terceiro dia de repressão no coração da besta.
O povo luta no ventre da besta, a mesma que fomenta os mais hediondos crimes em todo o planeta. Cratera que vomita a barbárie a que nem o próprio povo escapa. Este ano já foram abatidos pela polícia branca quase 200 afrodescendentes, é a lei da bala dos que em todo o mundo impõem a lei da bomba.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O Presidente Evo Morales na ONU

«Estamos vivendo um novo obscurantismo global, causado pela barbárie do sistema capitalista e imperialista, que atua contra a dignidade do ser humano. O maior objetivo da humanidade, neste século, deveria ser erradicar o capitalismo e o imperialismo como modelo de sociedade. Se não construímos outro modelo de sociedade o mais rapidamente possível, os objetivos de desenvolvimento sustentável serão substituídos pelos objetivos da morte.» [ler mais aqui]

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Como apagar a História




PC [pesé]. s. m. (Ing., sigla de Personal Computer). V. Computador pessoal. (pág. 2790)

Se encontrarem nos meus textos a sigla PC é porque me estou a referir ao Personal Computer (PC), e não ao Partido Comunista Português cuja sigla PCP o dicionário não contempla. Esta advertência resulta de uma consulta ao Dicionário de Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, o tal que foi amplamente badalado quando da inserção do vocábulo “bué”, que tanto escândalo causou. Nele encontrarão as siglas de todos os partidos atuais ou já defuntos tais como PS, PSD, CDS-PP, PP, UDP, PPM, PRD, PSN ou o imberbe e sempre presente BE.

As siglas de todos os partidos e partidinhos, alguns já metamorfoseados outros que se eclipsaram, estão contempladas neste instrumento de trabalho, ou seja, há bué de siglas partidárias, só o PCP foi “esquecido”. A memória tem os seus labirintos, o inconsciente os seus abismos e o sectarismo vastos alçapões.

Compreende-se. O dicionário levou décadas a concluir, trabalho minucioso de Professores, Doutores, Catedráticos e muitos, muitos sábios e sabichões da nossa praça; o Personal Computer (PC) nasceu há pouco e o PCP já completou 95 primaveras.

Um ou outro esquecimento, lapso de algum relapso, amnésia asinina e outras deformações são naturais aos pensadores. Quem poderá duvidar da honorabilidade de tão Ilustres Personalidades (IP) que, muito naturalmente, teriam deixado por desmazelo, distração ou preguiça numa qualquer gaveta, ou bolso, ou…, uma sigla que o seu inconsciente desde há muito vem apunhalando.

Consulto quase diariamente dicionários, enciclopédias e outros depositários da memória coletiva onde encontro a marca de classe de quem os organizou.

Também em França, na ‘L’Histoire au jour le jour’, (calhamaço de 1250 páginas) editado pelo “democrático” ‘Le Monde’, que se propôs relembrar todos os acontecimentos mundiais de relevo de 1944 a 1996, no mês de Abril de 1974 refere unicamente o dia 10 sem qualquer alusão à Revolução dos Cravos tão noticiada em França e cujas implicações ultrapassaram as nossas fronteiras.

Senhores da Academia das Ciências de Lisboa, não tenham quaisquer pruridos, estes calhamaços aceitam ou rejeitam tudo o que vos interesse lembrar ou fazer esquecer, para exaltação do sistema e da classe que defendem e promovem. Para o Le Monde o 25 de Abril não existiu, para o dicionário da Academia, PC só o Personal Computer!

São opções, intenções, posições, imposições, inquietações, deformações: Provocações!

Seus mauzões!...