domingo, 22 de setembro de 2019

Exercício de honestidade intelectual



Apontem uma, uma só proposta do PCP na Assembleia da República que ferisse os interesses do povo trabalhador.

Os deputados da CDU na Assembleia da República têm sido os mais ativos e, muitas das propostas que poderiam ter contribuído para o bem-estar do povo em geral, foram chumbadas pelo PS, PSD/CDS ou com os votos conjuntos das três bancadas.

A força destes partidos, e não só, reside nos media pertença do poder económico que vê no Partido Comunista o seu principal inimigo; partido que festejará o seu centenário no dia 6 março de 1921 (faltam 17 meses).

sábado, 21 de setembro de 2019

A talho de foice


Os Partidos não são todos iguais!

O rega-bofe nos governos PS/PSD/CDS, não deve ser esquecido, são tantos os corruptos que por falta de espaço há dificuldade em os referir na totalidade.



Sermão do bom ladrão

Padre António Vieira

Tanto que lá chegam, começam a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informação que pedem aos práticos é que lhes apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo. Furtam pelo modo imperativo, porque, como têm o mero e misto império, todo ele aplicam despoticamente às execuções da rapina. Furtam pelo modo mandativo, porque aceitam quanto lhes mandam, e, para que mandem todos, os que não mandam não são aceitos. Furtam pelo modo optativo, porque desejam quanto lhes parece bem e, gabando as coisas desejadas aos donos delas, por cortesia, sem vontade, as fazem suas. Furtam pelo modo conjuntivo, porque ajuntam o seu pouco cabedal com o daqueles que manejam muito, e basta só que ajuntem a sua graça, para serem quando menos meeiros na ganância. Furtam pelo modo potencial, porque, sem pretexto nem cerimónia, usam de potência. Furtam pelo modo permissivo, porque permitem que outros furtem, e estes compram as permissões. Furtam pelo modo infinitivo, porque não tem o fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes em que se vão continuando os furtos. Estes mesmos modos conjugam por todas as pessoas, porque a primeira pessoa do verbo é a sua, as segundas os seus criados, e as terceiras quantas para isso têm indústria e consciência. Furtam juntamente por todos os tempos, porque do presente – que é o seu tempo – colhem do que dá de si o triénio; e para incluírem no presente o pretérito e futuro, do pretérito desenterram crimes, de que vendem perdões, e dívidas esquecidas, de que se pagam inteiramente, e do futuro empenham as rendas e antecipam os contratos, com que tudo o caído e não caído lhe vem a cair nas mãos. Finalmente, nos mesmos tempos, não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plus quam perfeitos, e quaisquer outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse. Em suma, que o resumo de toda esta rapante conjugação vem a ser o supino do mesmo verbo: a furtar para furtar. E quando eles têm conjugado assim toda a voz activa, e as miseráveis províncias suportado toda a passiva, eles, como se tivessem feito grandes serviços, tornam carregados de despojos e ricos, e elas ficam roubadas e consumidas.

45.000 € Rita Rica ou Rica Rita

No guião da próxima telenovela da SIC, a cena mais emocionante passa-se no bloco operatório em que um utente com um bisturi em punho corre atrás de uma enfermeira em greve. (Não vou perder esta cena)

A bastonária pretende pagar à SIC o que reconhece dever-lhe, contribuindo ao mesmo tempo para a campanha eleitoral do PSD.

E a Rita ri-se!


E assim se gasta o dinheiro dos enfermeiros.
Dos enfermeiros?
MAS…

A ‘Ordem dos Varredores’ vai pagar uma quantia ainda não definida – mais IVA - para ter uma personagem na telenovela da SIC. A ideia pretende contribuir para a dignificação da classe e a promoção das vassouras com cabos em madeira. A ‘Ordem dos Corruptos de Colarinho Branco’ também está em negociações com a empresa dos balsemões.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Um espelho

Para quem nele se reveja
Coimbra, 1 de Março de 1979


A política é para eles uma promoção e para mim uma aflição. E não há entendimento possível entre nós, apesar do meu esforço. Separa-nos um fosso da largura da verdade. Radicalmente insinceros, nenhum pudor os inibe. Mentem com tal convicção que se enganam a si próprios, e acabam por acreditar que são o que fingem ser. Levam-se a sério no papel de homens providenciais que dão ordem à desordem, virtude ao vício, luz à escuridão. Que outorgam a liberdade apenas a nomeá-la do alto das tribunas. E nem sequer consigo fazê-los compreender que representam sem originalidade uma farsa velha como os tempos, e que os aplausos que recebem já outros os receberam, igualmente inconsequentes e requentados. Narcisos numa sala de espelhos, confirmam-se em cada imagem multiplicada. A circunstância não os circunstancia. Pelo contrário. Vaticina-lhes a duração. O efémero é um anátema dos outros. Vêem na presença actual do nome nos jornais a garantia da perpetuação nos anais da História.


Miguel Torga, in Diário XIII
 

NÃO É O MEU ESPELHO, EU VOTO
CDU