«Metaõ todos os Ministros, Cabos, e Officiais as mãosemsuasconsciências, e acharáõ, quetantapenacomo o ladraõ merece, quemlhe dá occasiaõ semelhantepara o ser.»
(Arte de Furtar, Capitulo XX)
Senhoresescroques, onzeneiros, pichelingues, sovaqueiros e toda a malandragemque chafurda neste lameiro. Nãovosvãofaltar sinónimos paradefinir as manhas, piratices e palmanços, quesão o vossomodo de ser e estar, nesta sociedadequevos acarinha. Procurei comestescerca de 300 vocábulosdiferentes, prestar-vos umserviço, de modo a que seja empregue, paracada crapulice distinta, o termomais adequado. Desejo-vos muitas prescrições e outras benesses ao dispor de toda a pandilha quenospilha. Este é o últimoglossário, tomem notas, digo, tomem apontamentos. Safa!
Dos jogos malabares, que na sociedadetanto se praticam, o gingão, muito a propósito, empregamalabarcomoroubar, e omalandro, quetambém pode sergatuno, tem comodiminutivosmalandrete, malandrimoumalandrote e seushierárquicossuperiores o malandraçooumalandrão. Aomalversar, fazem-se desvios abusivos. Mamata é roubo de altonível e marmeladanegócioinescrupuloso; ladroagemvício de serladrão, e meliantegatuno. Barrela, queme fugiu à ordemalfabética, significa engano, logro, esparrela e comedeiraquetambém vem fora de ordem refere-se a lucrodesonestomuitopróxima de exacção, malversãoporabuso de poder; rapina. Emcalão, mordido é o roubado. Mosco é furtoemresidênciacomchavefalsa, furtoaudacioso, comassalto; jámeter a unha é extorquir, meter a mão, roubar. Ocultar é sonegarrendimentos… cometendo fraude.Onzenar é praticarusura, e onzeneiro o seuautor. Palmar é bifar; palmanço, gamar e dar a palmada tem a mesmaraiz. O pandilheiro faz parte da pandilhaouquadrilha de ladrões. O pantomineiro, mestreemhistóriasparaenganar, exerce a pantomina e, com as suaspantominices, acaba porlevar à certa, cominteligência, a vítima escolhida. Para o populacho,picar é roubar, e pichelingue o larápio. Ao pifar, furta-se.Pilhar tem extremos, vai do relespilha-galinhas à pilhagem praticada, geralmenteporumgrupo, de forma devastadora; maspilha é o larápio e pilhooupilhante o gatunooupatife. E chegámos ao pirata, ladrãoouladra do mar e nãosó, sujeitosque estamos a piratices, piratada, piratar, piratagem e a todas as piratariasque se nos colam comosanguessugas, indivíduosquepormeio de exacções tiram dinheiro a outrem.
Plágioouplagiar é usurpar as ideias oupalavras de outrem, rouboliterário; plagiato acção de apresentarcomoseu o que se copiou e o plagiadorouplagiário andam nosbicos dos péscomsuoralheio. Prear é apossar-se de (alguémou alguma coisa) oupilhar, se a frase o consentir.Prendertambém pode entrar na área do suborno: subornoque se tornou num vocábuloque se traz na lapela, símbolo de sucesso, promoçãosocial et cetera e tal. Prescrever, prescriçãosão as alavancasque emperram a engrenagemjudicialembenefício, geralmente, dos colarinhosbrancosque desviamgrandessomas; manigâncias! A responsabilidade da suainclusão neste glossário é minha, talcomoprivatizarcujaraiz é comum a Privarquemaisnão é quetiraroudespojar. Desapossaré tirar. Quadrilha é bando de malfeitores, subordinados a umchefequeporvezesaté pode legisla, privatiza e forçar as prescrições. Bementendidoque o quadrilheiro é o que faz parte da quadrilha. Rapace o querouba, querapina, e rapacidade a inclinaçãoparatalmister. Rapar é apropriar-se dos bens de outrem, deixando-o semnada. Rapinarouboviolento, pilhagem e rapinaçãorouboardiloso; e da mesmaraiz seguem rapinador, rapinagem, rapinice, rapinanço, rapinante e rapinar.Raptotambém é acto de furtar e raptar pode significartirar alguma coisa a alguém, usando a força. E não podia faltar o rato-de-sacristia, beatofalso e ladrão de igrejas, vai dar ao mesmo. Se o ratoneiro é pessoaquerouba, járatonice é rouboinsignificante. Na gíria, rifar é bifar. Rouba é o mesmoqueroubo e roubador o quefurta e, como há tantosmodos de roubar, defendamo-nos daroubalheira quotidiana a que estamos sujeitos. Sacomãotermoem desuso que designava o salteador e saco o acto de saquear. Saca, é umelemento de composiçãoque traduz a ideia de sacaroutirar, daí sacarsignificartambémtirar a alguém, embenefíciopróprio e contrasuavontade. A malandragemusasafarparadesignar os seusfurtos, e os modernosdicionáriosjá incluem o termo. Saltada é roubocomassalto e saltorouboemestrada, pilhagemousaque. Quando se diz que o país está a saque, todos compreendem, apercebem-se dos que estão a saquear e, porvezes, até conhecem osaqueador. Senhorear-seouassenhorear-se é tornar-se, ilegitimamente, senhor de. E sonegar é deixar de mencionar, comfraude, acto correnteparasuasexcelênciasque, embolsando milhões, apresentam prejuízos. Ao sovacar, o sovaqueiro pira-se com o roubodebaixo do sovaco, sendo denominado tambémladrão de fazendas. Umpobrediabo! Ao subtrair, furta-se alguém de forma escondida oufraudulenta, termomuitopróximo do surripiarousurripilhar, comumleque alargado, que vai da surripiação ao surripiadoousurripilhado, surripianço e ainda o respectivosurripiadorque comete o surripio, acto ouefeito de furtar. Tirar é desvioouroubo, depende da classe e do montante, etomar é apoderar-se de bensalheios. Trabalho e trancanhir é, emcalão, roubo, assalto, mastrancanhir tem pinta! Tranquibérniaoutraquibérnia acto ounegócio de má fé. Trapaçaroutrapacear é enganar, fazercontratofraudulento, burla ouembuste; trapacice acto do que fez a trapaça. Unhar é muito usado na “Arte de Furtar” do Padre Manuel da Rocha. Quanto a usurpação, pormeio de violênciaouartifício, tem comoartífice o usurpador, quemaisnão faz queusurpar, ao adquirirfraudulentamenteou apossando-se violentamente do alheio. O vigarista burla ouengana os ingénuos ouincautos e que, ao vigarizar, faz vigarice. Na letraxissó encontrei o localonde se encontram os pequenostrapaceirosquevão de canapara o xadrez, xilimouxilindró.
FIM
Enriqueça o nosso património envie mais “entradas”.
«Donde colho que naõ he bom o dinheiropara paõ; que se fora paõ, nunca houvera de matar a fome.»
Arte de Furtar, Capitulo XXX
Todos os dias, são despejadas na minhacaixa do correio electrónico prendascomo esta:
«ExcelentíssimoSenhor,
Pretende V. Ex.ª ressuscitartermosobsoletosquenada têm a vercom o paísreal. V. Ex.ª ignora a realidade, é um ultrapassado quenão assimila o progresso, os avançostecnológicos, a globalização e a submissão ao Cifrão. V. Ex.ª é umdinossauroquenemsequer vai deixarpegadas na Pedreira do Galinhas.
Qual a razãoporquenãodeixa de matraquear os quedentro desta sociedade, talcomo é, usam (e porvezes abusam) dos múltiplosmeios, colocados ao seudispor, de toda uma panóplia de instrumentos, comsuportelegal, com os quais conseguem, comoqualqueroutroladrão, os mesmos objectivos, emcenáriosque o próprio Arsene Lupin jamais teria imaginado?
Supomos que essa suadoentiaobsessão, porestetema, se deverá ao facto de vermuitosfilmes. Nãoperca o seutempoporque a realidade ultrapassa, emmuito, a suafrouxaficção.
Entretanto, e comonos pede, sugerimos-lhe algunstermosque poderá inserir no seu pseudo glossário:
«Todas as grandes burlas saíram incólumesemvirtude de a justiça, durante o prazolegal, nãoter exercido o seudireito de acção ou efectivado a condenaçãoimposta.» Deste modo, a prescrição é o instrumento de maiorvaliapara os ladranzanasde colarinhobrancoque, possuindo poderosas máquinas de advocacia, pagam principescamente aos que, porvezes directamente interessados, a utilizam paralegalizar os seuscrimes.
Tome nota: Prescrever, prescritível, prescrito. Junte ao seuglossário. E jáagoranão se esqueça de consultarumpsicanalista.
Atentamente
Associaçãopara a Dignificação da Arte de Furtar (ADAF)»
Seguirei o conselhoquandochegar ao fim deste passatempo.
A avidez do galfarronão perdoa, deita a mãoou o gadanho;gadanharougadunharsãoartes do gamanço dos que sabem gamar. Gatázio é grandelogro e deita-se o gatázio a alguémou a alguma coisa. Gatear é roubarjá o gateador é ladrãomanhoso e gato, dargatoporlebre, fala-nos de logro. Gatuno é termocorrente e gatunice a suaprática; levarvida de gatuno é gatunar,talcomogatunagem é o colectivo destes meliantes. Gaturamaougaturamonão faz maisquegaturarougaturrar. No Brasil, guinda é roubocomescalada, e, paranós, ao guindar rouba-se carteira e também, emcalão, guindo é simplesmenteroubo. Intrujãoouentrujão é o que faz intrujice e, ao intrujar, burla-se. Intrusão é usurpação, posseilegal e violenta, acção de se apossar de umcargo, de uma dignidade… o dia-a-diaemsuma.
E assim chegamos ao trivialissimo: LADRÃO!Que no femininonos dá a ladra, ladronaoumesmoladroa. O ladranete é o ladrãozinho de meia-tigela; ladripar é surripiarcoisa de poucovalor, trabalho do ladripoou do desclassificadoladranete, já mencionado, assimcomo do ladrisco, umtanto tolerado, vejam bem! Na gíria do Portoladrilho é simplesmentegatuno. E sendo ladroladrão, ladroar a acção e ladroagemseuvício, oubando de ladrões, ladroado é o roubado. Defesacontra o ladroísmoeleitoral vem a propósito, é maisqueladroeiraouladroíce, ladroísmo é umhábito, umvício dos que, ao ladroeirar,vão fazendo as suasladroeiras. Temos, porfim, o ladranzana, ladravaz, ladravãoouladroaço,palavrões aplicados aos grandesladrões, nãoàquelesque desviam milhões, não: por uma questão de pudor, estiloouconivência, o vocábulonão se lhes aplica. Suaexcelênciasenhorfulano de tal ladranzana, ladravaz ou ladravão! Convenhamos que temos queencontrar outras palavrasparaessescrápulas. O larápio, ao larapiaroularapinar, faz larapice; não é violentocomo o que, ao latrocinar, comete o latrocínio,rouboviolento, mesmo à mãoarmada. Leilãoé roubo no Dicionário de Calão. Levar, libertar e limpar vivem nas margens do jargão; faz-se limpezaoulivrar a alguém o quelhepertence. Ao lograr pratica-se o logro a quenos sujeitam diariamente.
Aindame faltam cerca de setenta vocábulos. Se soubesse nãometinhametido nisto, mascomo sou persistentenão desisto. Até ao “Glossário IV”.
A fábrica de publicidadeFIGO & Cia, vende a suaimagemparapromoverqualquerporcaria.
É tudo uma questão de preço.
O Figojá publicitou Bancos infestados de mafiosos, “deu” o seuapoioparaque o “Mundial” que movimentou milhões se realizasse na suasanta terrinha. O Figodesdequelhe paguem engrandece qualquercanalha, anuncia piaçabasparalatrinas, faz propaganda a qualquer merda e, obviamente, nada o impede de ajudar a venderministros.
O apoio de Figo a Sócrates e ao PS pagocomdinheirosaído de um “sacoazul”de uma empresapública terá custado 75 mileuros. E, recebida a massaroca o Figo afirmou que «Sócrates é uma pessoaséria, honesta e profissional». E José Sócrates quenão regateou o preço da afirmação confessou sentir-se muito “honrado”.
DN «Governo e patrões insistem na travagem dos salários.»
«Quatroinstituiçõesfinanceiras lucraram umtotal de 376,2 milhões de euros no primeirotrimestre, o que representa lucros de 4,18 milhõespordia.»
«Desemprego já atinge 696,9 mil portugueses e apenas 350,8 mil recebem subsídios.»
«Estradas de Portugal (EP) pede 500 mileuros às concessionáriaspara a realização dos eventos de assinaturas de contratos de adjudicações de obras.»(Eventosoufestas, espectáculos, comemorações, etc., com objectivos promocionais)
«Cincomilhões de portugueses vivem no estrangeiro e os cidadãosnacionais continuam a emigrarpara a Suiça, Andorra, Luxemburgo e França e nosúltimosanostambémpara o Reino Unido e Espanha. E segundo a OCDE, Portugal está de regresso aos caminhos da emigração. Entre 2000 e 2007 emigraram 640 mil portugueses»
«A EDP vai investir 4000 milhões de dólares nosEstados Unidos e criar nesse país 5000 postos de trabalho.»
«A Refer emitiu 1600 milhões de euros de dívida e estudamaisoperações»
O que nos vale é terem encontrado água na "face oculta" da lua!
“Assim se prova, que há arte de furtar, e que esta seja ciência verdadeira, é muitomaisfácil de provar, aindaquenão tenha escolapública, nemDoutores graduados, que a ensinem emUniversidades, como têm as outras ciências.”
“Arte de Furtar” (1742)
Na falta de outra, temos «uma certacultura de corrupção»segundo o ex-Procurador-geral da República, Cunha Rodrigues. E nesta área, afirmo eu, mantemo-nos no pelotão da frente e ninguémnos consegue despir a camisolaamarela, rosaoularanja, tanto faz.
Os mentores dos sacos azuis vivem numa áreaescura do poder de legalidadedifusa; não sendo crime a escuridão, ninguém sabe, nemvêou ouve o que se passa no interior dos sacos, quem põe, tiraou… deixarninguémdeixa. Controlo democrático, nempelo olfacto.
“Saco” exprime “acto de saquear”, (verDicionárioEtimológico da LínguaPortuguesa) tendo a vigiá-lo o “azul” quetambém significa “polícia” (veja o GrandeDicionário da Língua Portuguesa) assim “sacoazul” não é, maisnemmenos, do que o “saque policiado” mas, não tenhamos a pretensão de viralgumdia a compreender os labirintos no interior de umsacoazulque é, todos o sabemos, umsacosemfundo.
E o Glossário continua:
Dar a palmadaoudar o golpe circulam na gíria colorida do gingão e, claroque, deitar a luvaoudeitar a unhanãosãoexpressões de salão, assimcomodepenare depenadortambémnão. Defraudador e defraudarsãomaissuaves no burlar. Porém, depredação e depredarsão o rouboviolento, muitodiferentes do descaminho, umtermo bonitinho, próximo do desvio e nãolonge do desfalqueoudesfalcar, despojooudespojar. Masnobre, nobremesmo, é o desvio…o desviar,não se utilizam abaixo do milhar e, creio quecom a inflação, já deviam ter sido promovidos a milhão. Dolo, atépelapronúncia tem classe e pavoneia-se peloscorredores do poder e dos tribunais.
Empochar, empalmar, empalmação andam muito pelas ruas do calão e eliminar,talcomoendrominar,também. Empolgar é maisviolento e o engodar tem ardil.Encobriré guardar objectos de origemduvidosa; sinónimo de receptar.Esbrugarouesburgar é serforçado a dardinheiro, a pagar uma soma avultada e esbulho e esbulharsãomaisviolentos e abrangentes indo até ao abuso de poder; jáescamotear é roubarcommuitahabilidade e escorcharandapelosmesmosbecos do despojar. Escroque,galicismo, entrou no nossolinguajar e ficou como burlão, intrujão, vigarista e trapaceiroque é. Ao esgueirar-se, subtrai-se comastúcia, desvia-se, sendo a estafaburla; espoliaré extorquir e esquivar-sefurtar; enquantoquesubtrairherança é expilar. Extorquir, extorsão e extorsionáriosãotermosrudes; já, extravio navega nas águas do desvio.
Fajardofurta habilmente, faz fajardiceemsuma; falcatrua e falsificar andam muito a par; a malta diz fanar, fazer a folha e fangueirada é furtoquevale a pena. Fazer,fezada, fazerrajá é simplesmenteroubar, masfazer a pala é encobrir o roubo; e aindacom o verbofazer temos o fazermãobaixa e fazermão de gato. O flibusteiro vive de expedientes, da trapaça; forjar é falsificar; fraudeou fraudulência, fraudar, fraudador andam no campo do engano, do defraudarjá citado. Furto, furtare furtança sãolinhas do mesmonovelo, onde se enrola a trapaça.
A mãoesquerda mantém-no à distância. Há quetravar a impetuosidade. Enternecido faz beicinho mas evita o ósculo. Retém a respiração, o bafo dele é bafiento. Tanta efusividade cansa. Aindanão perguntou à Ministra da Gripe se já o teria vacinado contra a gripe porcina.
Que é umquadroenternecedor,nãonos restam quaisquer dúvidas.