terça-feira, 25 de abril de 2017

É salutar sorrir

“Soares só pode ir para o Panteão daqui a 20 anos, mas prazo pode ser reduzido por bom comportamento.”


“Preservemos a língua de Camões, que o olho já não vai a tempo.”

“Vacina contra a estupidez vai ser obrigatória.”
do Blog Dalai Lima

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Os mercados abriram em ALTA


Assim nos anunciavam os media; até o nosso mercadinho também abriu mais rechonchudo. É significativa esta alegria. 
Que alívio!... A Europa está salva, viva a Europa, PIM!

A França foi às urnas, a extrema-direita e a direita à extrema vão à segunda volta, a Europa rejubila, PUM!

O BCE respira fundo e a espuma do champanhe transborda de alegria nas taças do capital.

Do jovem arrivista que avança para o Palais de l’Elysée, os trabalhadores franceses nada de bom podem esperar, no domingo à noite os seus bolsos fecharam em BAIXA.

sábado, 22 de abril de 2017

O terrorista mor

25 de Abril
É nosso dever recordar os heróis e também os seus algozes
No seu livro até há um bombista a dizer que colocou um petardo na sede do PS do Largo do Rato, no dia do debate televisivo com o Cunhal, a mando do próprio Partido Socialista, para se vitimar. E quem acaba por indultar o Ramiro Moreira não foi o Eanes.

Pois não. Foi o Soares. O próprio julgamento da "rede bombista", a própria forma como o julgamento terminou deve muito às manobras do governo PS da altura. Não me custa nada fazer minhas as palavras do advogado Levy Baptista de que o julgamento da "rede bombista" foi uma farsa. Aquilo ter ido para o fórum militar foi uma forma de condicionar uma data de coisas; o papel de Almeida Santos nesse assunto está por esclarecer; o próprio papel de Mário Soares não é claro. Relembro que, depois dos acontecimentos em Rio Maior [manifestação, a 13 de julho de 1975, que culminou em assaltos às sedes do PCP e FSP], Soares faz um comício em Rio Maior em que diz,
"Era bom que este exemplo fosse seguido em várias zonas do país", e a Igreja aproveita logo as declarações em várias dioceses. Uma coisa espantosa, mesmo conhecendo bem a documentação desse período, são as coleções do Diário do Minho [jornal de propriedade da Igreja], que quase chegam a ser uma espécie de Ação Socialista daquele período: abundam fotos e elogios ao Mário Soares.

 Grátis com o Expresso:
“Portugal amordaçado”
o livro de Mário Soares reeditado, nem dado!


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Tadinho do bétinho

Olhem bem pa ele, faz redações no Sol à sombra, e o patrão disse-lhe que tinha de atirar pedras a Mário Nogueira e ao PCP, coisa que para o Bétinho dá tanto gozo que até faz chichi nos calções. Os comentários às escrevinhices do Bétinho, não se podem abrir porque têm o cheiro caraterístico ao mijo dos antigos mictórios públicos, aliás muito na linha dos rabiscos do Bétinho. O Bétinho só dá dó, só.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Isso a que chamamos “Cultura”


Isso a que chamamos “Cultura”

A batalha das Ideias na produção de sentido

“O colonialismo ideológico acompanha sempre o colonialismo económico
e a libertação económica não é possível sem a libertação ideológica”
        Rodolfo Puiggros

A Cultura não é, em nenhuma das suas expressões, um ser imaculado nem intocável. A sua própria existência exige a presença da crítica como condição necessária e como motor do seu desenvolvimento histórico (especialmente hoje) quando chegamos ao ponto em que a palavra “Cultura” pode ser usada para significar quase todas as coisas. Umas vezes porque certos caprichos epistemológicos, nos seus debates cada vez mais escolásticos, cinzelam de bom grado a sua necessidade de chamar “Cultura” ao que não se atrevem a qualificar como Ideologia. Outras vezes porque se fundaram tradições antropológicas, sociológicas ou filosóficas que se derramariam sobre generalidades (cada vez mais confusas) se não contassem com um conceito dique onde caiba tudo, incluindo a sua raiz de cultivo. Outras vezes ainda porque atrás – ou debaixo- da palavra “Cultura” podem camuflar-se ou esconder-se interesses de todo o tipo... – incluindo os mais retorcidos. Basta recordar as aventuras culturais da NATO.
  
 É muito importante manter aberto o debate sobre a Cultura e seus significados. “Cultura de massas”, “Cultura de Elite”, “Cultura Culinária”, “Cultura Indígena”, “Cultura Popular”... “antropologia cultural”, “políticas culturais”, “Indústrias Culturais”, “Narco cultura”... enfim, trata­-se hoje de um conceito faz-tudo que pode utilizar-se em qualquer momento para dar lustro retórico a um sem-número de actividades, intenções ou falácias. E o usuário  fica bem perante os auditórios mais diversos, bastando-lhe para isso invocar a Cultura que habitualmente é apresentada como um ente intocável.

Do cultivo dos campos passámos a cultivar o espírito e o século XVII inclinou o seu significado para o cultivo das faculdades intelectuais. Com a Ilustração a palavra “Cultura” tornou-se sinónimo de “Civilização” em oposição de classe ao conceito “barbárie”, em oposição de classe entre as forças da natureza e as forças da Cultura... actualização feita à medida da Grécia clássica na divisão artificial capitalista entre o trabalho físico e o trabalho intelectual. Nasce a ideia de que a Cultura é um instrumento de dominação expressa nas Belas Artes, nos lucros da burguesia. Só a classe culta produz “Cultura”, “saberes”, “progresso”, “razão”, “educação”.

Também o etnocentrismo se apoderou do conceito para modelar os imaginários coletivos ao serviço do consumismo de mercadorias como máximo ganho cultural permitido aos povos. Para cúmulo, isso a que se chama “Cultura” enverniza-se com a ideia do folclore em oposição – matizada - face ao iluminismo e ao romantismo e portanto não há “Cultura” mas “Culturas”. Mesmo com uma carga, não poucas vezes, racista. E chegamos a usar o conceito Cultura como sinónimo – reducionista – de organização de espectáculos, feiras e exposições.

E hoje somos dominados a nível planetário pela Cultura da Guerra (o comércio por outros meios), realidade esta camuflada por todos os Mass Media. O que, diga-se de passagem, nem sequer é uma novidade. Cinema, literatura, televisão, vídeo-jogos...  são hoje novos campos de disputa da luta de classes que (também) se trava com valores, condutas e com sinais... na cabeça e nos corações. É uma disputa de interesses, em sociedades divididas em colonizadores e colonizados, para ganhar o terreno dos imaginários onde se erguem os princípios, as ideias, os afectos... cenários da Batalha das Ideias, dos Gostos e dos Hábitos. Disputa antiga pelo domínio dos valores sociais, para pôr o mundo de pernas para o ar, para tornar invisíveis as coisas que realmente contam e impor-nos como valiosas só as mercadorias e a ideologia dominante. Claro que se trata de uma disputa edificada sobre mísseis, canhões, metralha e golpadas... cimentada com terrorismo financeiro, chantagem com investimentos e vampirismo bancário.

As suas armas estratégicas continuam a ser – entre outras – as Igrejas, o Estado Burguês, a Educação e os mass media... que desenvolvem formas diversas de violência psicológica planificada contra os povos, o aviltamento da dignidade, a criminalização das rebeldias, a situação de ameaça permanente e o amedrontamento como religião... É uma sequência de acções alienantes sistemáticas convertidas em Indústria do entretimento e do prazer... é o sequestro dos jogos, do ludismo  necessário, do sentido do humor, das tradições colectivas e da identidade comum. É o sequestro do social nas garras do individualismo, é o reino da fadiga, a moral da extenuação, as privações e as carências daqueles que produzem a riqueza concreta. É a perversão da ternura nas garras do sentimentalismo lamechas; o parasitismo contra a solidariedade, contra a consciência de classe e contra a organização social transformadora.

Se o mundo é abalado pela crise prolongada do capitalismo, que na sua agonia depreda e mata tudo à sua passagem, a Nossa América foi muito em especial considerada “traspatio” onde o imperialismo  praticou todas as suas monstruosidades, que incluem a lista dos estragos terríveis causados pela ideologia da classe dominante... nem por isso vamos ficar calados. Não permaneceremos em silêncio, e muito menos hoje quando a guerra psicológica permanente, que o capitalismo desencadeia com as suas máquinas de guerra ideológica (radiofónicas, televisivas, impressas, digitais...) se traduziu em golpes de Estado, magnicídios e genocídios.

Não vamos emudecer perante a pressão quotidiana do consumismo febril, não ficaremos indiferentes ante a intoxicação dos povos com a mentalidade individualista. Não vamos evadir a nossa responsabilidade crítica face à manipulação dos gostos, dos valores sob as manias disfarçadas de “entretenimento”, noticiários, diversões, jogos e concursos...  mesmo quando disfarçados de escolas, institutos e universidades, tudo isto constituindo uma ofensiva servil à lógica do império para saquear e escravizar recursos naturais, mão-de-obra e a consciência dos povos.

Precisamos de blindagens para a esperança de  impulsionar uma grande Revolução Cultural a partir do melhor  que os nossos povos conquistaram em centúrias de lutas emancipadoras, em séculos de aprendizagens e como resultado de milhões de experiências teórico metodológicas. Num continente que foi submetido a barbaridades de todo o género; num continente que foi espezinhado por quase todos os impérios do planeta; num continente extraordinariamente rico em matérias-primas, heranças culturais e diversidades identitárias... num continente vitimado, com toda a impunidade, pela avidez colonialista de escravizar a consciência e a mão-de-obra dos seus povoadores, o desenvolvimento de uma grande Revolução Cultural para a integração - desde as bases - não só parece uma necessidade suprema, lógica e urgente... mas é sobretudo um acto de justiça social de primeira ordem. E não se pode dizer que uma tal Revolução não esteja, a seu modo e com as suas limitações, em marcha.

Revolução Cultural continental para entender cientificamente o cenário actual da disputa cultural e sonhar, objectivamente, com mudanças históricas verdadeiras. “Se não mudarmos as ideias, não mudamos nada”. Uma Revolução Cultural da Nossa América é, por necessidade, uma Revolução económica, social e política. Revolução alfabetizadora, uma Revolução ecológica, uma Revolução educativa, uma Revolução do habitat, uma revolução do trabalho... e, também, uma revolução artística, científica, comunicacional e ético-moral; em suma, uma Revolução também da produção dos Símbolos emancipadores... ou será nada.

Rebelión/Instituto de Cultura e Comunicação UNLA