segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

O problema


O problema

Por Gustavo Carneiro

Durante anos, o problema do PCP era ser um partido de velhos, condenado ao desaparecimento em breve prazo pela tão simples quanto cruel lei da vida. Entretanto, foram surgindo em tarefas de elevada responsabilidade (e, algumas, de grande exposição pública) muitos e destacados quadros jovens: nas direcções locais, regionais e central, nas autarquias, no Parlamento Europeu e na Assembleia da República, onde o grupo parlamentar é, desde há anos, o que apresenta uma menor média etária. O problema, então, passou a ser outro: os jovens só o eram de idade, pois as suas ideias eram mais velhas do que as dos velhos que os antecederam.

Ao mesmo tempo, o PCP tinha outro problema, a sua fixação nas temáticas de sempre – antiquadas, diziam-nos – e, consequentemente, a sua difícil modernização e abertura às chamadas causas fracturantes (mesmo que muitas delas tenham sido assumidas pelo PCP muito antes de sequer existirem alguns dos que agora se apresentam como seus mais acérrimos defensores). Mas eis que chegou a «crise» e a troika e, com elas, o desemprego disparou, os salários foram cortados, a precariedade generalizou-se, a pobreza atingiu dimensões chocantes. E em vez de o PCP se modernizar foram outros que se apressaram a defender as tais questões que, pouco antes, diziam estar fora de moda.

E não é tudo, pois o PCP teve sempre um outro problema, o de ser apenas e só uma força de protesto, de rua, sem vontade de negociar e desprovido de quaisquer propostas viáveis para o País. Até que, perante o papel decisivo que assumiu em 2015 no afastamento do governo PSD/CDS e, daí por diante, no que se alcançou de positivo, o seu problema passou a ser o contrário, o de ter passado a ser um partido «bonzinho» e «dócil», que teria abandonado a rua.

Mas o PCP tem outros problemas, desde logo os que derivam das suas relações e posicionamentos internacionais. É que desvendar a natureza da União Europeia, criticar abertamente a NATO e denunciar agressões contra regimes e povos, além de ideologicamente marcado (coisa tão fora de moda) não é muito bem visto por televisões, rádios e jornais. Outros há, aliás, que sendo de esquerda não dão importância a estas coisas e não se saem mal nas eleições, insistem em lembrar-nos.

O verdadeiro problema é outro, e não é do PCP, mas dos que durante décadas conceberam e difundiram estas e outras narrativas sobre os comunistas portugueses. É que não admitem, nem tão pouco conseguem compreender, a existência de um Partido comunista digno desse nome, que teima em resistir a todas as ofensivas e prossegue, determinado, o seu combate em defesa dos direitos, pela democracia e o socialismo. E este é precisamente o problema que não conseguem resolver.

domingo, 8 de dezembro de 2019

O artista é um criador

“Un Canto X Colombia”,


São criadores que se uniram às manifestações que está vivendo o país após muitos anos de necessidades, e, que com estes espetáculos nas ruas tentam desbloquear a indiferença de muitas pessoas.

Num percurso de 17 quilómetros, mais de 300 artistas realizaram nas ruas de Bogotá um mega espetáculos de apoio à greve e manifestações que se matêm, há já 17 dias.

sábado, 7 de dezembro de 2019

Chile. Dois mil prisioneiros políticos



Nada a assinalar. É uma imagem comum a que o pessoal já se habituou e, a media não gosta de publicitar tamanhas desproporções de força. Além do mais, trata-se de um individuo do ‘sexo fraco’ desarmada e aprisionada por quatro polícias do ‘sexo forte’ equipados a rigor para defender o povo. Esta mulher não deve ser do povo, provavelmente é filha de algum ministro chileno quiçá do presidente Sebastián Piñera.
As mortes nas revoltas que se arrastam há anos no Chile, já depois do outro Pinochet, e que têm sido escondidas à opinião pública, os assassinatos em curso na Bolívia ou na Colômbia fazem parte dos faits divers da comunicação dita social.

Slogan a interiorizar

“COMUNICAÇÃO SOCIAL ARMA LETAL”



sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

PARA QUE NÃO RESTEM DÚVIDAS

 
Michael Pompeo e Benjamin Netanyahu não são bem-vindos a Portugal

4 Dezembro 2019

Face às notícias da presença e da realização em Portugal de um encontro entre Michael Pompeo, Secretário de Estado dos EUA, e Benjamin Netanyahu, Primeiro-ministro de Israel, bem como das decisões do Governo português de os receber ao mais alto nível, o PCP considera que:

A presença do Secretário de Estado da Administração Trump e do ainda Primeiro-ministro israelita em Portugal são profundamente contrárias ao interesse nacional, aos preceitos constitucionais, aos valores da paz e da cooperação, comprometendo Portugal com as reiteradas violações do direito internacional de que ambos são protagonistas.

A decisão do Governo português de receber figuras comprometidas com políticas e acções criminosas é tão mais grave e condenável quando estas se realizam na sequência de mais um bombardeamento e vaga de repressão de Israel contra o povo palestiniano, de que resultaram mais de 30 mortos, de que o principal responsável é o Primeiro-ministro Israelita, bem como na sequência das inaceitáveis declarações do Secretário de Estado dos EUA sobre a questão palestiniana, em aberto desrespeito do direito internacional e das resoluções das Nações Unidas, nomeadamente quanto aos ilegais colonatos israelitas.

Se a decisão de receber o Secretário de Estado dos EUA ao mais alto nível já constituía um grave gesto de subordinação do Governo português à política militarista e agressiva dos EUA e da NATO, a agora noticiada decisão de acolher e receber a esse mesmo nível Benjamim Netanyahu constitui uma afronta aos princípios da Constituição da República Portuguesa e está em contradição com sucessivas deliberações da Assembleia da República relativas à questão palestiniana, que condenam a política ilegal de Israel e reiteram os direitos nacionais do povo palestiniano de acordo com as resoluções das Nações Unidas.

Nada obriga o Governo português a dar cobertura a um encontro em Portugal cujo conteúdo é previsível e profundamente negativo, nem a receber Benjamim Netanyahu, tanto mais quando este não está na plenitude das suas funções e se encontra a contas com a justiça.
A confirmarem-se tais notícias, o povo português está confrontado com uma situação que, no actual contexto internacional, afecta gravemente o prestígio de Portugal no mundo.

Ao invés de receber Benjamim Netanyahu, o Governo português deveria utilizar a presença, em viagem não oficial a Portugal, de um dos principais responsáveis pela tragédia do povo palestiniano para condenar a criminosa política do Governo israelita, afirmar o compromisso do Governo português com o direito internacional e as resoluções das Nações Unidas e os inalienáveis direitos nacionais do povo palestiniano, e proceder ao reconhecimento pleno do Estado da Palestina, tal como recomendado pela Assembleia da República.

O PCP apela a todos os democratas, patriotas, amantes da paz a que, em nome da soberania e dos direitos dos povos, da defesa dos princípios da Constituição da República Portuguesa e do direito internacional, afirmem que Michael Pompeo e Benjamim Netanyahu não são bem-vindos a Portugal, nomeadamente associando-se e apelando à participação nas acções já anunciadas pelo movimento da paz e de solidariedade com os povos, para dia 4 de Dezembro, no Porto, e para dia 6 de Dezembro, em Lisboa.

Nota do Gabinete de Imprensa do PCP


Novas e velhas técnicas



 Creio que foi no Maio68 que se profissionalizaram os “casseurs”,  gangs enquadrados por polícias não fardados que de cara tapada criam distúrbios em todas as manifestações desacreditando o seu conteúdo sindical, político e social e desautorizando o seu verdadeiro significado perante a opinião pública. Servem também como treino para as polícias de choque – manutenção da ordem pública - que neste momento já oferece as suas práticas a governos neofascistas nomeadamente o argentino.

O outro modo, chamemos-lhe “neoclássico” é o de o visado pelo descontentamento agradecer publicamente aos sindicatos o seu bom comportamento. Portaram-se muito bem, podem continuar.

ESTE É O CIRCO QUE O CAPITALISMO ALIMENTA