domingo, 21 de maio de 2017

Eu logo vi que a foto trazia água no bico

No jornal do senhor Belmiro, cujo diretor é um tástarir mais Belmiro que o patrão, deparei como uma foto do deputado do PCP e, para meu espanto, sem qualquer referência ao Bloco, isto porque os media, ditos de referência, não devem estar autorizados a referir o PCP sem lhe colarem a pastilha elástica bloquista.

Acontece que a notícia belamente ilustrada com os bigodes do António Filipe, tinha a importância do diretor do jornal: “o deputado do PCP não conseguiu viajar para Bruxelas devido à avaria do sistema de bombagem de combustível no aeroporto.”

Se Fernando Pessoa/Álvaro de Campos ainda por cá andasse, teria mil razões para achincalhar a imprensa portuguesa, tal como o fez no início do século passado. (aqui)

terça-feira, 16 de maio de 2017

O ESCARRO

Hoje 16/05/2017 no noticiário das vinte horas, o canal 1 da TV do Estado promoveu durante alguns minutos aquilo a que lhe ordenaram que chamasse, oposição na Venezuela. Nem um segundo para o contraditório, a peça fez parte do incentivo à barbárie, tal-qualmente o aplicado no Chile ou na Ucrânia.

Hoje mesmo, em todo o território venezuelano, a mão terrorista dos USA, assassinaram, boicotaram, incendiaram em nome da paz e da democracia.
Edifício administrativo para a habitação, Corpoelec em Prebo de Valencia incendiado pela “oposição”.

O apoio ao terrorismo na Venezuela por parte dos media portugueses, nomeadamente os do Estado, é mais do que evidente, é vergonhoso e interfere na vida de um Estado soberano que deve ser respeitado.

domingo, 14 de maio de 2017

Como lidar com tanta alegria?

É de mais em tão pouco tempo, não estávamos preparados para isto!

Ainda os pastorinhos não tinham limpado os tamancos para entrar nos aposentos celestiais e já os benfiquistas festejavam o tetra na Praça Marquês de Pombal, o ‘mata-frades’, e como se tanta euforia não bastasse para nos alimentar o ego, surge-nos o Salvador de taça em riste na Ucrânia fascista, onde a OTAN/NATO realizou o seu quinquagésimo festival.

E porque não estávamos psiquicamente preparados para tanta exultação os médicos que estavam em greve regressaram de serviço às urgências para fazer face a um surto virulento de ‘estados emocionais em último grau’.

Deviam-nos ter acautelado para tomar os devidos cuidados a fim de evitar as consequências destes excessos, indicando-nos que devíamos trazer connosco preservativos do foro emocional ou editando panfletos ensinando-nos a controlar as emoções. A emoção é indispensável, mas não devemos descurar a razão. Sejamos razoáveis.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Os penitentes de sempre


Era a sua peregrinação anual, a jornada que lhe dava a magra jorna. Princípios de maio, juntava-se ao rancho que ainda o sol vinha longe iniciava o plantio do tomate, doze ou mais horas curvada, alguns cânticos de trabalho para amenizar o sofrimento. A Servidão Voluntária de que nos fala o jovem Étienne de La Boétie.
Em agosto quando da apanha do tomate a penitência atingia o seu clímax sob uma canícula que lhe fazia perder o sentido de espaço e as visões esbatiam a realidade. Tinha que pagar ao merceeiro que lhe havia fiado a sobrevivência dos últimos meses.

Hoje deslocou-se à Lezíria, o plantio é automático e até o trator guiado pelo GPS dispensou o tratorista e já nestes últimos anos a colheita foi automática.

Voltou para casa, ligou a TV e viu em todos os canais os peregrinos a caminho de Fátima coadjuvados por um arsenal de massagistas, carrinhas de apoio e proteção da GNR e outros meios de segurança. As televisões seguem-lhes o rasto, as entrevistas puxam-nos à comoção.

NUNCA AS TVs LHE APARECERAM NOS CAMPOS DE TRABALHO ONDE DESDE SEMPRE EXPIOU O CRIME DE TENTAR SOBREVIVER.
  





O Pagador de promessas alheias


É pagador de promessas há 15 anos. Carlos Gil publicita na Internet o negócio que o leva a Fátima para pagar promessas alheias a troco de 2500 euros por peregrinação. O agente imobiliário assegurou à Lusa que ganha “mais a vender casas” mas não esconde já ter recebido “muito dinheiro” com o “nobre serviço de peregrinar a pedido”. Os preços de Carlos Gil – 2500 euros a partir de Lisboa, mais 250 euros para rezar o terço e 25 euros para colocar uma vela.