quinta-feira, 11 de abril de 2013

Abril resiste!

 Os Anóbios de Abril
Na efervescência do 25 de Abril um dos meus vizinhos exibia ostensivamente um enorme poster da Vieira da Silva frente à porta de entrada da sua residência, exaltando o 25 de Abril. Saudava-me efusivamente e fui convidado algumas vezes para tomar café em sua casa onde os livros de autores progressistas se mostravam a despropósito. A contra-revolução foi-se instalando e após uma das suas guinadas mais violentas para a direita o poster deu lugar a uma natureza-morta. O hall de entrada moldou-se a um alinhamento clássico e os novos convivas apresentavam uma postura formal. Via-o sempre a correr e se nos cruzávamos lançava-me umoláapressado e displicente. Não muito tempo depois todas as manhãs uma viatura do Estado com motorista fardado vinha buscar sua excelência, o senhor engenheiro. Deixei de o ver quando foi ocupar um alto cargo numa organização bancária algures em África.
Um caso que nada tem de original. Quantos mais casos, cada um de nós, não terá para contar!… O senhor engenheiro havia aderido ao PS, covil de arrivistas e contra-revolucionários.
Os tempos são outros e pouco Seguros para os boys dos partidos das alternâncias. A luta para manter ou conquistar umtacho” é cada vez mais renhida, por isso, os gurus andam aturdidos, e porque individualistas, encontram-se tresmalhados não vislumbrando qual o redil que futuramente os poderá albergar. Dispondo de bom pasto a manada proliferou acotovelando-se em espaços partidários cada vez mais exíguos. E, qualquer que seja o espectro partidário no poder, afundar-se-ão com o batelão dos favores, salvando-se os mais matreiros.
As possíveis eleições antecipadas espalham a intranquilidade, enevoado o futuro politico-partidário dessa classe rapace, não se vislumbrando que mestre-sala irá repartir o bolo após os resultados se eleições houverem. E porque, como deixou explicito o “democrata” Winston Churchill de queos fins justificam os meios”, os candidatos à rapadura do tacho não deixarão de utilizar todos os meios dos menos escrupulosos aos mais indignos para satisfazer a gula que se apresenta de expressão bulímica, epidémica ou congénita. A fauna colada ao poder afundar-se-à com o batelão dos favores.
Os gurus representam uma ampla mancha flutuante disponível e servil extremamente frágil e vulnerável e, ao mesmo tempo, moldável a qualquer situação por mais ambígua ou pouco recomendável a gente com vergonha.
Estes tempos conturbados vão-lhes exigir as mais sofisticadas acrobacias de baixeza, dolorosos golpes de rins, o recurso a indumentárias recicladas e movimentações lentas mas seguras próprias aos experimentados camaleões. Olhar de perspectiva de grande amplitude, movimentos subtis, mudando de aparência ou opiniões, de acordo com as circunstâncias em função de interesses e conveniências pessoais.
que repensar tudo, alargar o leque de contactos; fazer-se encontrado, sugerir apoios, evitando comprometer-se abertamente para deixar o espaço indispensável às mudanças de última hora. Estes tempos estão-lhes a exigir um trabalho intenso, está em jogo o futuro próximo, indispensável para garantir a satisfação de encargos assumidos e um estilo de vida dificilmente conseguido de outro modo.

Exercitar as genuflexões, os salamaleques, os sorrisos-esgar e o não menos nojento lamber de botas.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Cavaco, o ovo da serpente



A direita mais cavernosa está de luto. Desapareceu finalmente um dos instrumentos mais tenebrosos do neoliberalismo, referência incontornável de Cavaco Silva e cuja política o PS/PSD/CDS têm seguido cegamente com os resultados por todos nós sentidos. Morreu a víbora fica a peçonha que continuamos a combater.
 
«O papa, disse Bertone, sublinhou os valores cristãos nos quais Thatcher "baseou o seu compromisso com o serviço público e a promoção da liberdade no concerto das nações".
Francisco expressou a sua solidariedade e invocou a bênção de Deus».

domingo, 7 de abril de 2013

Mais um insulto aos jovens



É o expoente da tacanhez governativa, do desprezo pelos jovens, a perfeita imagem de quem o trouxe à ribalta. O doutor que ainda não sabe se doutor será, pescou na blogosfera este vendedor de banha de cobra e, sem escrúpulo ou não se apercebendo do ridículo, da pequenez da sua decisão, sai da governança pela porta traseira de mais uma farsa. Podia-nos ter poupado a mais um triste espectáculo. A baixeza, a palhaçada roça a náusea. Miguel Gonçalves é o novo rosto do programa do governo para combater o desemprego, o «Impulso Jovem».

ainda quem se reveja neste espelho!... Que tristeza! Que bandalheira.

sábado, 6 de abril de 2013

FRENTES DE LUTA



Voltam de novo com entusiasmo renovado, a rua é o seu palco. Com armas antigas combatem novos velhos crimes. Abrem-se trincheiras a pulso. Canções de exaltação à liberdade pulsam por todas as artérias, é o sangue da revolta que toma vigor renovado. Nas manifestações exigindo justiça os agredidos cantam e o seu cantar abre caminhos, hasteia bandeiras tornando a jornada menos penosa.
Maria da Fonte - (aqui)
ACORDAI (aqui) + (aqui)

- interpretação do Coro Intervenção do PortO

sexta-feira, 5 de abril de 2013

AS MOSCAS

A metáfora é por demais conhecida.

Os males que nos afligem não estão nas moscas, por mais repugnantes que se nos apresentem. Se as exterminarmos sem eliminar os ovos em que se reproduzem, assim como os fétidos alimentos de que se nutrem, o fedor continuará a nos empestar.

No reino das moscas dos governos da alternância o zumbido soa sempre ao manuseio de dinheiro roubado aos nossos salários e pensões, ao sussurro de intrigas e golpes baixos e à corrupção endémica.

O nosso shelltox para a praga que nos atormenta está na dinâmica da revolta que leve ao afastar de vez a praga que nos assola e se reproduz como parasitas que são na sociedade que apodrecem.
Nãooutra alternativa
«CIVILIZAÇÃO OU BARBÁRIE»

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Os bonecos de Santo Aleixo

 

A artesã Joana Vasconcelos, que envergonharia a genial Rosa Ramalho, prepara uma nova série de Bonecos de Santo Aleixo inspirados no circo do Poder, e o entusiasmo é tanto, que a  Judite, o Mendinhos, a garina mal disfarçada e o Seara, candidato a Lisboa, apressam-se a fazer parte do elenco.
  A Manela em face destes artistas deu-lhe um fanico, prefere os matraquilhos, os da mocada, “toma, toma, toma” do O’Neill.

Não podemos faltar ao espectaculo, antes ou depois da queda do governo,
 tanto faz.

TOMA TOMA TOMA

Ainda prefiro os bonecos de cachaporra,
contundentes, contundidos, esmocados,
com vozes de cana rachada e um toma toma toma
de quem não usa a moca para coçar os piolhos,
mas para rachar as cabeças.

O padreca, o diabo, a criadita,
o tarata, a velha alcoviteira, o galã
e, às vezes, um verdadeiro rato branco trapezista,
tramavam para nós a estafada estória
da nossa própria vida.

Mundo de pasta e de trapo
que armava barraca em qualquer canto
e sem contemplações pela moral de classe
nem as subtilezas de quem fica ileso
desancava os maus e beijocava os bons.

Ainda prefiro os bonecos de cachaporra.

Ainda hoje esbracejo e me esganiço como esses
matraquilhos da comédia humana.

Alexandre O’Neill


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Em 2012 - 3.012 manifestações a nível nacional!


A CGTP anunciou a realização de uma marcha contra o empobrecimento que começará em Viana do Castelo a 6 de abril e que terminará a 13 de abril em Lisboa, prevendo-se na capital a realização de uma manifestação aberta a todos.


Relatório Anual de Segurança Interna 2012

Ações no âmbito do exercício do direito de reunião e manifestação

«Durante o ano de 2012, as Forças de Segurança efetuaram 3.012 operações policiais de maior relevo, visando assegurar o regular exercício de direito de reunião e manifestação:
segurança dos intervenientes, regularização do trânsito, prevenção geral e manutenção da ordem pública. Os efetivos policiais, empenhados exclusivamente para o efeito, ascenderam a 16.672.»
[Cerca de oito manifestações por dia a nível nacional]

«No capítulo "análise das principais ameaças à segurança interna", o RASI refere que, no âmbito dos extremismos, o ano de 2012 foi marcado, acima de tudo, pela "intervenção radical de grupos de matriz anarco-libertária* em manifestações anti-austeridade", tanto nas convocadas por novos movimentos sociais de "indignados", como pelas estruturas sindicais.
De acordo com o documento, "esses grupos continuaram a não revelar capacidade para conduzir, por si mesmos, ações subversivas relevantes, pelo que a infiltração nas grandes manifestações de massas se afigurou a melhor estratégia para desencadear ações de violência contra o sistema". »
*[Anarco-libertários, leia-se, provocadores arregimentados pelo sistema..