quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

"um impedimento"

Duas centenas de alunos concentrados em frente ao portão da escola António Arroio à espera de Cavaco Silva.

CAVACO, o “impedido”

É gentes Isto está bichoso. O Presidente teve umimpedimento’. Foi-lhe diagnosticado o ‘síndrome do cagaço’. Segundo Belém, a deslocação à Escola António Arroio foi cancelada devido a “um impedimento”. Na António Arroio estava-lhe a ser preparada uma recepção de gritos, com punhos levantados e alguns mimos à mistura.

No berço da nacionalidade havia sido embalado com assobios e apupos, e cada vez mais o eco das assobiadelas vai aumentando de volume.

Quanto a mim, creio que o PR ainda não compreendeu, é daqueles que aprendem rapidamente desde que lhe expliquem durante muito tempo.

E terá que ser Estarmos atentos e nunca o deixar sozinho, é nosso dever.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O dia da rádio

e mais que não seja pelo insólito permito-me reeditar este meu escrito

PHILIPS Mod 2510

Rádio fabricado em 1929

Ao contar esta estória por mim vivida, apercebi-me que não estava a ser convincente para os que me escutavam. Os meus interlocutores continuavam a ouvir com algum interesse mais pelo incomum do conteúdo do que pela credulidade que lhe atribuíam.

Quando afirmei que o relato de um jogo de futebol enviado de Lisboa via radiotelegráfica, era radiodifundido uma ou duas horas depois no “Rádio Clube da Praia”, Cabo Verde, como se de um jogo em directo se tratasse, os que me ouviam esboçaram um sorriso de complacência.

Para quem não viveu no reino encantado das telecomunicações em que imperava o maravilhoso telégrafo morse que tão bons serviços prestou e admirado foi, difícil é fazer-lhes crer como se veiculava o serviço informativo na década de quarenta do século passado, onde situamos esta quase aventura.

À velocidade ronceira de vinte palavras por minuto, média de cem caracteres, todos os domingos o prato forte do noticiário da “Presse Lusitânia” era preenchido com o relato de um desafio de futebol.

A primeira etapa desta saga tinha início na “Agência Lusitânia” junto ao Chiado, serviço mais de propaganda do que de informação, destinado a promover e glorificar o regime fascista.

O “jornalista” encarregue da árdua tarefa de passar ao papel um relato de futebol transmitido pela rádio, atendia o telefone, conversava com quem quer que aparecesse ou dava uma saltada à Brasileira quase em frente. Os boletineiros da Marconi iam colhendo as páginas dactilografadas que entregavam na central telegráfica na Rua de São Julião onde o texto depois de passado a morse em fita perfurada, era transmitido à velocidade não superior a cem caracteres por minuto para que mais facilmente pudesse ser recebido tendo em conta as interferências atmosféricas e outras ou à inaptidão de muitos radiotelegrafistas nas colónias e na navegação.

E neste exercício de paciência, as duas partes do desafio escorriam arrastadas ultrapassando os noventa minutos de jogo como se um longo prolongamento houvesse.

Em Cabo Verde, na Estação da Marconi situada na Achada de Santo António, distante do Rádio Clube e localizado junto à Estação dos Correios na Cidade da Praia, os sinais de morse em pachorrenta cadência voltavam novamente ao papel dactilografado que o Antoninho, estafeta de lentidão reconhecida, num vai e vem, entregava ao locutor de serviço.

Acontece que relatar três ou quatro páginas de folhas A4 mesmo se lidas lentamente não corresponderia à distância de quinhentos metros percorridos pelo Antoninho mesmo que não encontrasse um amigo ou conhecido que à boa maneira de qualquer cabo-verdiano teria de se inteirar de como se encontrava toda a família, animais e culturas e depois reiniciar a descida até ao Cais e a subida para a Achada de Santo António e, chegado à Marconi pegar nas páginas entretanto recebidas pelo radiotelegrafista e retornar ao Rádio Clube.

Como não era possível interromper a transmissão de Lisboa, a recepção estava sujeita a interrupções de vária ordem tais como interferências, falta de energia eléctrica ou mesmo fading geral em ondas curtas. Nada disto impedia que o locutor enquanto aguardava o estafeta continuasse imperturbável e com crescente emoção a relatar o desafio, como se estivesse em directo criando avançadas de destreza, situações empolgantes, remates à trave, agressões e outras faltas que tanta celeuma provocava entre os ouvintes.

Ah!... Mas quando numa das páginas aparecia um golo, o tão ambicionado golo, o locutor ajeitava melhor o microfone, afinava a garganta, construía o ataque imparável e lançava o grito esperado: goooolo! E repetia gooolo, gooolo! Creio mesmo que o fazedor do espectáculo se deixava envolver pelo o entusiasmo por si criado acabando por se emocionar.

O relato terminava quando recebida a última página, para se certificarem do resultado final, não fosse ter escapado algum golo na travessia do Atlântico. Mas, mesmo se algum golo se tivesse extraviado nada estava perdido o locutor afinava mais uma jogadas de perigo e no último minuto acertava o resultado.

Assim se confunde a ficção e o real. O espectador do jogo em Lisboa talvez vibrasse menos que o ouvinte que seguia com atenção o mesmo jogo fabricado pelo locutor com a vantagem de os ouvintes do jogo de ficção usufruírem de mais tempo de entretenimento.

E porquê tanto espanto se nos lembrarmos das rádionovelas de então ou das telenovelas de hoje que magnetizam multidões?

Acompanhei todas as fases deste cândido embuste quer na “Lusitânia” e na Marconi na Rua de São Julião em Lisboa quer na Marconi na Achada de Santo António e no próprio Rádio Clube da Praia em Cabo Verde.

A “Presse Lusitânia” fascista, com outros títulos e meios, continua a alienar ouvintes, leitores e espectadores diluindo-lhes a realidade numa aguadilha paradisíaca.

de a contar da esquerda Ernesto Vitória, Manuel Tomaz Dias e José Ferreira

em baixo também a contar da esquerda Vítor Carreiro e Cid Simões.

(Manuel Tomaz Dias construiu o emissor do Rádio Clube a locução estava a cargo de Vítor Carreiro, Ernesto Vitória e o José Ferreira e eu, adolescente encantado com os mistérios da rádio, fazia de “assistente”).

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

As arengas do professor Marcelo


O professor Marcelo julga, avalia, repreende ou classifica tudo, absolutamente tudo. Tanto se debruça sobre as escuras teorias que se escondem no buraco-negro como divaga nos lúgubres interstícios dos nanocéfalos. Reputado mistificador, o professor tem sido disputado a preço de platina, ouro ou prata, não sei, sei que deu aulas nos três canais generalistas de televisão em horários nobres.

Neste domingo, 12 de Fevereiro, o professor não podia ignorar a concentração convocada pela CGTP-IN, e honra lhe seja feita, não a ignorou. Quase a terminar a aula, depois de perorar sobre alguns fait divers de que andamos enjoados, e quando eu havia perdido a esperança, pensando que se havia esquecido de tamanho acontecimento, o professor concedeu-lhe o mesmo tempo que normalmente gasta com a apresentação de um livro.

O professor cumpre o seu papel, e passa-nos a papel químico as receitas com que a sua classe nos envenena.

O professor é um produto tóxico poluidor que destrói o entendimento de quem não está atento.

O professor Marcelo, afilhado do outro Caetano, cumpre com rigor a sua tarefa. Mantém em estado puro o ADN dos professores que nos deixam nefastas sequelas.

Temos de nos saber defender, divulgando a perfídia, esclarecendo e contra-atacando tal como acontece em qualquer guerra. É uma frente de combate fundamental.

Os professores pululam nos mídia arregimentados pela classe que nos oprime.

Eu disse, oprime!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

300 MIL NA "PRAÇA do POVO"

E A "PRAÇA DO POVO" FOI PEQUENA
mais de 300 mil trabalhadores em Lisboa

MANIFESTAÇÃO CONVOCADA PELA CGTP-IN

Mais de 300 mil pessoas de todo o país juntaram-se hoje no Terreiro do Paço, em Lisboa, contra as desigualdades e o empobrecimento, disse hoje Arménio Carlos.

Diário Digital / Lusa

Fotos surripiadas a Vitor Dias 'otempodascerejas'

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Sábado e o futuro



10 SEGUNDOS DE FUTURO!

Numa lixeira ao fundo do quintal, junto a um muro desventrado, por entre blocos de basalto, a roseira intrépida cumpria a sua condição de flor e, da base negra multiforme, todos os anos, em data aprazada pela natureza, uma rosa vermelha abria-se ao sol para me entregar uma mensagem de beleza e esperança.

Há imagens que marcam para sempre uma criança e essa rosa vermelha, "príncipe negro" de seu nome, os meus cinco, seis anos nunca mais esqueceram. Porquê?

Porquê muito mais tarde, num triturador de lixo (também denominado televisão) uma imagem brotou inesperada e relembrei essa flor?

Dez segundos de futuro, soterrados de imediato por sucessivas enxurradas de detritos televisivos; tempo suficiente para alertar os cépticos que a esperança é forjada na luta inseparável de desaires e alegrias.

As manifestações estudantis eram notícia. Após carga policial, os alunos do secundário voltaram a reagrupar-se; jovens, faziam a aprendizagem da afirmação necessária: irrequietos, inconscientes muitos. E como poderia ser de outro modo?

As câmaras passeavam-se por entre os manifestantes procurando pormenores, nem sempre dignificantes, e quando pensava que iriam continuar a soterrar-nos de imagens sem sentido, uma objectiva colhendo ternura chama a primeiro plano o rosto de uma jovem.

Lembram-se?

Fisionomia determinada onde a dor e a raiva se abraçavam e as lágrimas uniam, entoava: "Grândola, Vila Morena!".

Sentada no chão chorava, e por entre soluços sentidos semeando no presente melodias do passado recente onde leveda o futuro, cantava.

Na terra semeava lágrimas e canções no ainda débil viveiro do seu descontentamento. É por aí que se inicia a sementeira!

Ao levantar-se ninguém ou coisa alguma a poderá deter. A seara está feita; penoso será o caminho que a levará à colheita. Como qualquer bom camponês há que estar atenta e recomeçar, recomeçar sempre, sempre, sempre!

Este rosto guardei-o na galeria das belas imagens da minha vida porque me deu força e reforçou o orgulho de continuar a acreditar que o testemunho é sempre bem entregue às gerações que nos sucedem.

E a quem o poderíamos confiar?!

Recordando, lembranças nos chegam arrastando imagens, sons, poemas, livros! E num dos marcos desta minha alameda de emoções está inscrito o "Rumor Branco", primeiro livro do grande escritor Almeida Faria que, em síntese, profundidade e beleza nos recorda que ".....os homens não nascem mas se fazem, a cadistante se fazem e nisso está a liberdade deles....."

Confiante e determinada lá estava no 25 de Abril e no 1º de Maio.

Continuando a caldear sonho e liberdade não vai faltar no próximo sábado dia 11 de Fevereiro no Terreiro do Povo.

Vão conhecê-la na alegria dos jovens que nos recebem o testemunho.

Não faltem!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Judite não vai faltar...

A ‘PÚBLICA’ entrevistou a jornalista que havia entrevistado Arménio Carlos. Entrevista a Arménio Carlos, eivada de um anti-comunismo tal, que o sindicalista se obrigou a interrogar a Judite de Sousa para que o esclarecesse se o estava a questionar ou a provocar.

Para esta jornalista, filha de uma operária têxtil “há coisas que ficaram, ficarão para sempre”: o mérito do trabalho na sua formação que, além do exemplo da mãe, “também tem a ver com a sua militância na UEC”.
ficaram, ficarão para sempre.

Espero que a Judite, filha de operária e ex-militante da UEC, não falte à manifestação de sábado 11 de Fevereiro no
Terreiro do Povo.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

PRIVATARIA


«Batendo as asas Pela noite calada
Vêm em bandos Com pés veludo»

Homem de mão e vice-presidente do Concelho de Administração do banco Goldman Sachs Internacional, ex-director para a Europa do FMI, este pistoleiro vice-presidente do PSD foi imposto pelos banksters da Sachs para acompanhar (dirigir) os processos de privatizações em Portugal.

O BCE, a Grécia e a Itália já são, sem quaisquer rebuços, governados pelos banksters da Sachs, que acaba de destacar o Borges para concretizar o trabalho sujo em que é altamente especializado.

O Borges do PSD/FMI/Sachs vai chefiar uma equipa que terá como missão acompanhar a privatização da TAP, da ANA – Aeroportos de Portugal, da CP Carga, dos CTT, da Águas de Portugal e da RTP e outros biscates.

O Borges por enquanto vai ficar na sombra, mas se, e quando, o FMI/Sachs assim o entenderem e acharem conveniente, dirão a Passos Coelho que vá estudar filosofia, e colocarão o Borges no seu lugar.

Com o mesmo hino e bandeira, seremos – somos -- um protectorado do grande capital, para regozijo dos nossos “egrégios avós.”

NÃO FALTEM À MANIF.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Eles gostam tanto dos pobrezinhos que todos os dias fazem mais

Estão identificados - são eles que distribuem a fome
Não os esqueçam e procurem saber para quem trabalham.

Entretanto...

Os pobrezinhos andam enregelados e as boas almas de corações a fervilharem.

As boas almas levam sopinha aos sem abrigo; as boas almas sabem quantos são e onde se encontram. As boas almas têm uma contabilidade perfeita. Conhecem tudo sobre os pobrezinhos, e confirmam que cada vez há mais.

E as TV’s publicitam esta nódoa social com o maior dos à-vontades.

É tão reconfortante praticar o bem!... ter a seu cargo alguns carenciados.


Há autarquias que entregam esta tarefa humanitária à Santa Casa porque sabem que a Santa Casa é Misericordiosa, e talvez por isso, não exercem qualquer controlo sobre o seu deve e haver.

É evidente que os defensores do caos social, dirão que não podemos deixar morrer os pobrezinhos de fome e frio. Mil vezes não, é evidente.

Mas esses coraçõezinhos de plásticos mergulhados em tanta caridade, não denunciam as causas dessa pústula social; limitam-se a ministrar mercurocromo aos pacientes e, reconfortados, regressam ao calor dos seus lares.

A pobreza não é um vírus, a pobreza não é uma praga.

A pobreza é crime perpetrado pela classe que detém o poder.


O ajuste de contas começa na rua, e no dia 11 deste mês, vão ouvir a nossa voz

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cuidado com eles!

Em Fevereiro de 1974
"A LUTA É O ÚNICO CAMINHO"
e continua a ser.


É cronista e responsável editorial de um matutino dito de referência. A senhora por vezes até acerta, mas quando dispara à queima-roupa é um desastre. O partido envelhecido a tresandar a estalinistas. Os dogmáticos de ontem, os excomungados de então, são por ela recordados como se anjos fossem.

Mas os de hoje… cuidado com eles! São jovens a recuperar o marxismo-leninismo. A recuperar, vejam bem!

«Este movimento de substituição não foi desencadeado apenas na CGTP, mas também no PCP, onde já há anos ocorre uma substituição interna da geração que fez o pós 25 de Abril e o que restava ainda da clandestinidade, por uma geração nova, mais dogmática, para quem o peso do embate com a verdade do socialismo real não existe. E que tem, aliás, na sua maioria, um pensamento político de tipo neo-estalinista, sem nenhum problema em recuperar o marxismo-leninismo em termos que fariam corar o próprio Álvaro Cunhal.»

De vez em quando faz bem dar umas boas gargalhadas e, não esquecer que esta gente desde há muito que perdeu o sentido do ridículo.