terça-feira, 28 de julho de 2009

O Jardim é assim!

O Jardim é assim. Deixam que o Jardim seja assim. De um caneiro nunca veio bom cheiro. O que me causa náuseas são as ervas daninhas desse Jardim-antro com o seu anticomunismozinho militante, os cactos de pontas aguçadas em disfarçado conluio com o verme. O que me causa engulhos é ver os lacraus às ferroadas aos que sempre lutaram pela sua liberdade – provavelmente preferiam a dos outros que também consideravam suaou as viborazinhas que mais não fazem que destilar o veneno de que se alimentam. E no Jardim também se pavoneiam os pensadores com as estafadas receitas de um anticomunismo fora de moda. Intelectuais de meia-tigela que vivem de frases feitas e de ideias desfeitas.

E porque estou a acabar o livro de Marcos Ana, comunista que esteve 23 anos preso e condenado à morte nas prisões de Franco, deixo-vos este pequeno extracto:

«não esquecendo e respeitando também a luta e o sacrifício dos outros, os milhares de anos que nós, os comunistas, deixamos nas prisões e os centos e centos de camaradas fuzilados na luta pela liberdade. É uma realidade histórica inquestionável. Merecemos esse reconhecimento e deviam corar aqueles que se agarram a um anticomunismo oportunista e comercial, que parece estar na moda. Pode-se discordar das nossas ideias, ou trocá-las por outras, é um direito legítimo e democrático que também aplico para reconhecer e superar os meus erros. Mas uma coisa é não estar de acordo com os comunistas e outra bem diferente é a cultura ou a doença do anticomunismo.

Além disso, as ideias do comunismo, tão defraudadas hoje, continuam a ser essencialmente justas e permanecem porque a sua nobre utopia está acima dos equívocos dos homens, dos partidos e dos seus erros e dos Estados que as desvirtuaram e ensombraram a esperança de uma grande parte da humanidade.

O anticomunismo, e tudo o que se fez e faz em seu nome, serviu e serve para justificar os golpes de Estado, as ditaduras e a repressão dos democratas. É o grande curinga das forças mais reaccionárias. É natural que elas agitem o fantasma do comunismo e procurem amedrontar os povos mesmo hoje, embora não sejamos uma possível ameaça. O que dói e às vezes indigna é que sectores ou pessoas da esquerda contraiam essa doença que apenas serve para nos dividir e justificar a violência e a opressão dos nossos inimigos

1 comentário:

José Augusto Nozes Pires disse...

«(...)que apenas serve para nos dividir e justificar a violência(...)». Dito por quem o disse ganha uma superioridade moral e intelectual.