segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Os Sem-abrigo





Está assente, qualquer próspera sociedade capitalista necessita da pobreza a vários níveis para regalo dos pobres de espírito. Os sem-abrigo também já fazem parte do folclore alfacinha, tal como os clochards da cidade luz. A nível de miséria, estamos up to date.

Mas a maior e mais pungente miséria, não está em que seres humanos durmam na rua, mas nas sociedades que fomenta as clivagens sociais e as apresentam tão naturais como o frio e a chuva.
E o frio chegou e a chuva também, e as santas almas correm pressurosas entregando mais um cobertor, a sopinha reparadora, abrindo as portas do metropolitano e voltando par casa cansadas mas de coração quente.
 
Nota: Em Paris uma empresa ofereceu 2,200 rádios aos seus clochards para que se sintam mais acompanhados. E quanto a nós, para subirmos no ranking da ajuda aos sem-abrigo, sugiro que lhes ofereçam telemóveis com acesso a internet e GPS de localização. Um moderno sem-abrigo deve ter acesso a tudo, até a uma casa e cama decentes.

2 comentários:

Olinda disse...

Os mesmos que defendem uma política que atira seres humanos para a rua,são os que se servem deles para brilhar sob os holofotes.Comovente tanta "bondade".Abraço

Rogerio G. V. Pereira disse...

A foto não podia ser melhor escolhida

Ofereço como legenda

"República das Bananas"