“O emprego depende do crescimento; o crescimento, da competitividade; a competitividade, da capacidade de suprimir empregos. Isso significa dizer: para lutar contra o desemprego, nada como despedir!”
Viviane Forrester in Uma Estranha Ditadura
Portões fechados! Nada de extraordinário para quem passa; um drama para os trabalhadores, impedidos de entrar.
Observo essa força de trabalho disposta a criar riqueza, operárias e operários, dentes cerrados, lágrimas de mágoa e cólera, frente aos portões das fábricas onde diariamente trocavam suor por pão e deixaram anos de vida e a juventude que jamais poderão recuperar.
Oiço os
Os
Aos desempregados, Alguém os classificou como “exército industrial de reserva” elucidando que são “matéria humana sempre explorável e sempre disponível”. Tolices do senhor Karl Marx, porque qualquer imbecil sabe que quanto maior é o desemprego mais sobem os salários. Não é verdade? Claro!
O
Entretanto, de olhos marejados, as imagens aparecem-me através de num nevoeiro de tristeza.
Procuro decifrar a angústia dessas mulheres e homens que, sem alternativa, vêem, assim, de chofre, questionada a própria sobrevivência. Retenho-me nos rostos, expressões que não esqueço e sou incapaz de descrever.
O trabalho gerou em nós e desenvolveu instrumentos de civilidade e cidadania, camaradagem e sociabilidade sem os quais a vida deixa de ter sentido; o despedimento é uma amputação que provoca desajustamentos familiares, rompe compromissos económicos e para os que não aguentam tamanha pressão os suicídios são frequentes.
Se!














