quinta-feira, 17 de setembro de 2009

De que se ri senhor ministro?


Poema de Mário Benedetti

De que se ri?

(serei curioso?)


Numa perfeita

foto do jornal

senhor ministro

do impossível

vi enlevado

e eufórico

e perdido de riso

o seu rosto simples

serei curioso

senhor ministro

de que se ri?

de que se ri?

da sua janela

vê-se a praia

mas ignoram-se

os bairros de lata

têm seus filhos

olhos de mando

mas outros têm

o olhar triste

aqui na rua

acontecem coisas

que nem sequer

se podem dizer

os estudantes

e os trabalhadores

põem os pontos

nos ís

por isso digo

senhor ministro

de que se ri?

de que se ri?

O senhor conhece

melhor que ninguém

a lei amarga

de estes países

os senhores são duros

com a nossa gente

por quê com os outros

são todo servis

porque alienam

o património

enquanto o gringo

nos cobra o triplo

porque atraiçoam

os senhores e os outros

os bajuladores

e os senis

por isso digo

senhor ministro

de que se ri?

de que se ri?

aqui na rua

os seus guardas matam

e aqueles que morrem

são gente humilde

e os que ficam

chorando de raiva

por certo pensam

na desforra

algures na prisão

os seus homens fazem

sofrer o homem

e isso não serve

além do mais

o senhor é o mastro

principal de um barco

que vai a pique

serei curioso

senhor ministro

de que se ri?

de que se ri?

Mário Benedetti

De qué se ríe?

(seré curioso)


En una exacta

foto del diario

señor ministro

del imposible

vi en pleno gozo

y en plena euforia

y en plena risa

su rostro simple

seré curioso

señor ministro

de qué se ríe

de qué se ríe

de su ventana

se ve la playa

pero se ignoran

los cantegriles

tienen sus hijos

ojos de mando

pero otros tienen

mirada triste

aquí en la calle

suceden cosas

que ni siquiera

pueden decirse

los estudiantes

y los obreros

ponen los puntos

sobre las íes

por eso digo

señor ministro

de qué se ríe

de qué se ríe

usté conoce

mejor que nadie

la ley amarga

de estos países

ustedes duros

con nuestra gente

por qué con otros

son tan serviles

cómo traicionan

el patrimonio

mientras el gringo

nos cobra el triple

cómo traicionan

usté y los otros

los adulones

y los seniles

por eso digo

señor ministro

de qué se ríe

de qué se ríe

aquí en la calle

sus guardas matan

y los que mueren

son gente humilde

y los que quedan

llorando rabia

seguro piensan

en el desquite

allá en la celda

sus hombres hacen

sufrir al hombre

y eso no sirve

después de todo

usté es el palo

mayor de un barco

que se va a pique

seré curioso

señor ministro

de qué se ríe

de qué se ríe.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Amor € Ódio


Estranha relação de Amor € Ódio

Belmiro de Azevedo alterna com Amorim o primeiro lugar na classificação dos homens mais ricos de Portugal.

Francisco Louçã é o político que diz lutar contra a direita e o grande capital e o “único”, segundo afirma, que combate o Partido Socialista.

O grupo SONAE do Belmiro e proprietário de “ O Público”, muito naturalmente, veicula e defende os seus interesses.

O Louçã, sempre sádico para com o Belmiro, morde-lhe nas canelas assim que o apanha a jeito.

O Belmiro, masoquista, promove-o como se de filho se tratasse.

Domingo abriu a campanha para as legislativas e na 2ª-feira o seu matutino de “referência”, com chamada na primeira página, concede ao PS e PSD – para ele tanto faz – a segunda, terceira e quarta páginas.

Na página seguinte, uma grande fotografia do Louçã, bem escolhida para o efeito, na jantarada do Pavilhão.

Na mesma página, quase que em roda , aparece uma pequena fotografia do Jerónimo de Sousa tendo como fundo o céu e o Templo de Diana, não se fosse pensar que tinham estado mais de seis mil pessoas.

No mesmo jornal e em artigos de opinião, PS/PSD/CDS/BE têm o mesmo tratamento e a CDU ou PCP nem uma vez são referidos.

Os que se denominam democratas e pluralistas, intelectualóides de meia tigela, aceitam e promovem este jogo viciado, e congratulam-se aplaudindo.

Porque a desonestidade é repelente tenho-lhes asco. Não lhes quero mal.

sábado, 12 de setembro de 2009

Papalvos, lorpas e vendidos


Os papalvos acreditaram que com Obama as democracias seriam apoiadas e fortalecidas e o imperialismo ianque deixaria a sua secular agressividade e não mais assistiríamos a crimes como o das Honduras.


Os lorpas propalaram aos quatro (quatro ou quarenta) ventos que Obama poria fim aos crimes no Afeganistão no Iraque e em todo o mundo onde sua excelência o Tio Sam faz sentir a bota assassina e que iria retirar os milhares de marines das centenas de bases espalhadas por todo o mundo.

Nas Honduras o apoio à sua marionete é já explícito.


O modo como nos divulgam as eleições no Afeganistão é um enxovalho à inteligência de quem lê, ouve ou vê o que os megafones made USA querem que saibamos.

Os vendidos e todos os
obanistas que em bicos de pés publicitaram o produto não nos dizem que até hoje nenhuma das mirífícas promessa foram cumpridas e que nalguns casos -- Afeganistão/Paquistão -- Bush não teria feito melhor.


Alquimia


transmudar toda esta alegria toda esta fraternidade em votos na

CDU

é possível uma vida digna

se acreditarmos na razão que temos e na força que nos anima

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

PORQUÊ?

O 11 do embuste
Torre 7

Esta torre de que pouco se fala caiu sem que nada lhe tocasse


Não tombou, implodiu.

Como se justifica que este gigante se tivesse esfarelado sem ter sido atingido?



Recordamos o 11 de Setembro de Pinoche e das Torres Gémeas alvos dos mesmos gangsteres

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Mãos sujas


estas são as mãos que o trabalho dignifica

Pedi-lhe a mão, entenda-se, pedi-lhe mais precisamente para lhe analisar as mãos. Tomei-as entre as minhas e, apetrechado dos cinco sentidos que nos constroem, fui apreciando a melhor expressão do que somos: As mãos -- onde nascem os anjoscomo no clímax de inspiração, as definiu o poeta.

Harmoniosas, de pele aveludada, flexíveis, mas firmes, possuindo carácter próprio, dir-se-iam concebidas num conúbio de deuses e acariciá-las era um excitante exercício de prazer. Os grandes mestres de pintura clássica não as rejeitariam nas suas mais brilhantes telas; no extremo dos dedos, longos de formosura inebriante, o vocábulo unha, pela agressividade que traduz, perdia sentido em obra tão finamente acabada de onde exalava o suave odor de momentos raros em que o olfacto se perde em devaneios.

Que têm feito estas mãos? Que segurança nos dão? O que poderemos esperar delas além da excitação estética que nos produzem? Serão assim cantadas porque, vivendo das mãos alheias, nada cultivam, nada constroem, não passando de puro ornamento?

Serão estas as mãos que tanto preocupam os nossos governantes e que servem de pretexto para arrastar, diariamente, a Ministra da Gripe a todos os canais televisivos?

Nos spots difundidos pelas ondas hertzianas, por cabo ou pela NET, sem esquecer o audiovisual, o alarme chega a todos os lares: “Lavem bem as mãos!”. Especialistas em processos de lavagens a todos os níveis, médicos, conferencistas, politólogos (não sei a que propósito, mas estes especialistas nunca faltam à chamada) economistas e os omnipresentes comentadores, todos, sem excepção, recomendam e ensinam como devemos proceder para manter as mãos limpinhas e esclarecem que está nesta medida higiénica a nossa salvação, como se fossemos um povo de javardos e hidrófobos.

O que não fica esclarecido, nem creio que haja para alguns interesse em esclarecer, é a que tipo de “mãos sujas” se referem.

As do narcotraficante que usurpou a presidência da Colômbia e que, além de ter contraído o vírus porcino, tem as mãos sujas de sangue?

Ou qual a diferença entre as mãos calejadas de um trabalhador do campo ou da oficina, mãos que respiram dignidade, e muitos hesitam em apertar, e as mãos reluzentes de unhas tratadas do traficante ou do banqueiro usurário, ou ainda do eclesiástico a quem beijam a mão que absolve o poderoso e arrecada as dádivas dos necessitados.

As mãos impõem respeito pelo que constroem, construindo-nos. Um povo que se respeite tem hábitos de higiene, não necessitando que, de cinco em cinco minutos, os enxovalhem lembrando-lhes preceitos elementares.

Raramente as mãos são glorificadas para que o trabalhador manual, tal como o designam, não ouse pensar que é o actor essencial na comunidade e lute para exigir o lugar que lhe compete na sociedade que, desde sempre, vem construindo.

Fazem-se conjecturas sobre a gripe que, supostamente, atingirá dez por cento da população e toda a máquina governativa se perfila como se preparada estivesse para uma guerra. Entretanto, o exército de desempregados atinge os dez por cento e vai engrossando, diariamente, e no seu seio se instalou o vírus da miséria que leva ao desmembramento familiar e arrasta os mais débeis ao suicídio.

Desemprego e miséria, vírus que nos flagela e que mina a sociedade, aparece-nos nas frias e enganadoras estatísticas e a vacina para o combater voga no campo das intenções, a longo prazo, e denomina-se: Hipocrisia!