domingo, 31 de julho de 2011

A teologia da prosperidade ou dos mercados


Como não poderia deixar de ser chega-nos dos EUA via FMI

O altar dos "mercados"

O mais recente teólogo formatado pelo apóstolo Milton Friedman e que nos pretende enriquecer através da multiplicação da miséria chama-se Gaspar.

Gaspar não crê no que , no seu cérebro giram fórmulas às quais a realidade se deve moldar.

A sua visão de alucinado parece vir do além e as mãos lançam aos hereges da doutrina que professa os fulminantes raios do anátema.

O GASPAR VAI DAR QUE FALAR!


Vítor Louçã Rabaça Gaspar

quinta-feira, 28 de julho de 2011

“lendo as gordas”


A crise está a passar ao lado das maiores fortunas nacionais. A conclusão é do estudo anual da revista Exame que, analisando as 25 maiores fortunas, constata que estão 17,8% mais ricas do que em relação ao ano anterior.

Executivo quer reduzir as indemnizações para dez dias por ano de trabalho

Patrões aplaudem redução do custo do despedimento para 10 dias

Mais de 3 mil empresas em insolvência no 1º trimestre


A pente-fino



Os peritos da ‘troika’ – BCE, Comissão Europeia e FMI – estiveram ontem no IGCP a passar as contas a pente fino.




"Der Spiegel":

"Poupar não basta para Portugal sair da crise"

Bancos vão agravar mais as condições no crédito à habitação

Electricidade:

Governo quer aplicar regime de preços livres em 2013

Executivo aprovou decreto sobre reprivatização do BPN e alteração à Lei de Enquadramento Orçamental


para rir

Ex-director das “secretas” admite ter enviado informações para a Ongoing.

Jorge Silva Carvalho, ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa, admitiu ter enviado emails para a Ongoing. Mas recusa ter violado o dever de sigilo ou segredo de Estado.


participar no crime

Portugal reconhece Conselho Nacional de Transição na Líbia.


Última hora

Dispensa de gravata entra amanhã em vigor – 29/7 - no Ministério da Agricultura


Tudo isto e o que mais não cito, hoje 28 de Julho de 2011. Só no jornal "O Crime" encontrei notícias menos terrorizantes.


O POETA-OPERÁRIO


O POETA-OPERÁRIO

Grita-se ao poeta:

"Queria te ver numa fábrica!

O que? Versos? Pura bobagem".

Talvez ninguém como nós

ponha tanto coração

no trabalho.

Eu sou uma fábrica.

E se chaminés

me faltam

talvez seja preciso

ainda mais coragem.

Sei.

Frases vazias não agradam.

Quando serrais madeira

é para fazer lenha.

E nós que somos

senão entalhadores a esculpir

a tora da cabeça humana?

Certamente que a pesca é coisa respeitável.

Atira-se a rede e quem sabe?

Pega-se um esturjão!

Mas o trabalho do poeta

é muito mais difícil.

Pescamos gente viva e não peixes.

Penoso é trabalhar nos altos-fornos

onde se tempera o ferro em brasa.

Mas pode alguém

acusar-nos de ociosos?

Nós polimos as almas

com a lixa do verso.

Quem vale mais:

o poeta ou o técnico

que produz comodidades?

Ambos!

Os corações também são motores.

A alma é poderosa força motriz.

Somos iguais.

Camaradas dentro da massa operária.

Proletários do corpo e do espírito.

Somente unidos,

somente juntos remoçaremos o mundo,

fá-lo-emos marchar num ritmo célere.

Diante da vaga de palavras

levantemos um dique!

Mãos à obra!

O trabalho é vivo e novo!

Com os oradores vazios, fora!

Moinho com eles!

Com a água de seus discursos

que façam mover-se a !

Vladimir Maiakóvski

(tradução: Haroldo de Campos)

terça-feira, 26 de julho de 2011

"espigas pretas"

Monumento de castanheiras em homenagem aos trabalhadores rurais brasileiros mortos na luta pela Reforma Agrária

No Brasil o 25 de Julho é “Dia do Trabalhador Rural e do Escritor

Coincidência ou não a junção é perfeita.

Chego atrasado mas venho a tempo. A solidariedade é intemporal.

Os Sem Terra (MST) no Brasil continuam a escrever com sangue a sua história.

No Alentejo o Trabalhador Rural, os “Levantado do Chão” enfrentaram desde sempre a repressão antes e depois do 25 de Abril que construíram com as próprias vidas.

E os Escritores no Brasil e em Portugal, exceptuando os ideologicamente comprometidos, onde se encontram?


José Caravela e António Maria Casquinha,

Escoural, assassinados por lutar contra a fome!


Aqui

Nesta planície de sol suado
Dois homens desafiaram a morte, cara a cara,
em defesa do seu gado
de cornos e tetas.
Aqui onde
agora vejo crescer uma seara
de espigas pretas

Quando os dois camponeses desceram às covas,
Ante os punhos cerrados de todos nós,
Chorei!
Sim, chorei,
Sentindo nos olhos a voz
do que há de mais profundo
nas raízes dos homens e das flores
a correrem-me em lágrimas na face.
Chorei pelos mortos e pelos matadores
- almas de frio fundo.
Digam-me lá:
Para que serviria ser poeta
Se não chorasse
Publicamente
Diante do mundo?

José Gomes Ferreira

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Desculpem-nos por estarmos vivos

(uma recordação do Soares socialista)

“A interrogação sobre o envelhecimento, é uma interrogação sobre os limites do Homem e a sua liberdade

Naissance de la Vieillesse – Claude Olievenstein

Na fachada de um prédio onde se reúnem alguns idosos, pode ler-se: “Pedimos desculpa por continuarmos vivos”.

A decisão de colocar o cartaz com estes dizeres surgiu após uma discussão havida durante uma sessão de convívio, quando atónitos leram num vespertino as preocupações de um governante pelo facto de termos tantos idosos e das dificuldades financeiras em suportar tamanho fardo.

Em alguns dos presentes, muito naturalmente, instalou-se um sentimento de culpa e grande desconforto por continuarem vivos, e esse ferrete que constantemente os caustica e marginaliza surge, unicamente, por não usufruírem de fortuna pessoal

Porque a questão não reside na idade, mas na classe a que se pertence desde o berço à cova: “a rica teve um menino, a pobre pariu um moço”, “o pobre é enterrado o rico vai o jazigo”.

O socialmente desafogado nunca foi um peso para a sociedade, o pobre é um estorvo.

Desde os medicamentos à mortalha, tudo é contabilizado ao reformado desafortunado. Contabilidade de classe, hipócrita, venenosa.

O que devemos contabilizar é o por quanto ficou aos pobres os que hoje os contabilizam; quem lhes pagou com trabalho árduo e salários de miséria, exploração acima de todos os limites, os estudos que fizeram, os cuidados de saúde que tiveram, os benefícios de que usufruem.

Quem lutou para que tivessem a protecção social que hoje lhes sonegam?

Por maldade ou descalabro mental, colocam tudo às avessas esse burrocratas que usam gel no bestunto para se distinguirem dos asnos, estes últimos, infelizmente, em via de extinção.

como que um sentimento de inveja e de rejeição perante o idoso. Inveja porque receiam não atingir a sua idade e repúdio porque deixou de produzir. “Paradoxo dos tempos modernos: a ciência faz recuar todos os dias a morte; os discursos de compaixão para com os velhos fazem parte da nossa liturgia quotidiana”. Assim se expressa Viviane Forrester in “Uma estranha ditadura”.

Contabilizando e dificultando o direito aos cuidados médicos estes ultraliberais que condenam a eutanásia em casos extremos, praticam-na, diariamente, com a frieza própria dos assassinos em série.

No passado dia 14/7 o ministro das Finanças Vitor Gaspar anunciou um imposto extraordinário sobre salários e pensões. Mais uma volta no garrote.

Os Mercados agradecem, os idosos definham e a canalha resplandece.