terça-feira, 6 de junho de 2017

Os pilha-galinhas

Sacrificou-se tanto, foi apanhado várias vezes e espancado, para si a prescrição não tinha lugar, mas havia os filhos a sustentar. Hoje, já sem forças, arrasta-se pelas poucas velhas tascas que ainda existem, vai ouvindo o que se passa e fica abismado com a evolução, mas sobretudo a diversidade e dimensão da “arte do gamanço”.

Numa só jogada Sócrates, Mexia e os restantes capangas conseguem agatanhar o equivalente a milhões de galinhas, coisa para si impossível por lhe faltar capoeira, correspondente aos galinheiros-offshore de que estes escroques se servem.

O pobre pilha-galinhas observa a velocidade no evoluir das profissões e da linguagem que as define, ouve falar em fraude, calcula que seja coisa relacionada com o seu trabalho, mas não sabe bem o que seja, a ele sempre lhe chamaram ladrão, nunca o incriminaram por desviar galinhas, o que acharia ridículo.

A linguagem para os mexias da nossa praça é cuidada: são os pressupostos delitos, os processo em que é arguido, eventuais crimes de corrupção e participação económica em negócio, e sobretudo os media têm receio de perder o muito dinheiro que recebem em anúncios dos mexias que nos roubam a toda a hora e desde há muito.

2 comentários:

Francisco Manuel Gentil Apolónio disse...

Ou os pilha-mais-valias dos trabalhadores e do Povo Português?

Olinda disse...

Neste país os poderosos podem roubar à vontade que a "gota de água que faz transbordar o copo",e o povo peça contas, será sempre manipulável.Abraço