Por, Miguel Castelo Branco

Como tudo na realidade histórica engendra a sua
própria negação e pede o terceiro termo da superação, a dinâmica do tempo
presente diz-nos que a existência e sobrevivência do império americano está a
ser destruída pelos norte-americanos, pois se os impérios são na sua fase
adulta agentes de paz e de Lei, numa lógica de mútua vantagem para dominadores
e dominados, assim que já não possuem os atractivos que lhes garantiam o
respeito e a riqueza dos povos pelo Direito e o pelo comércio, tornam-se
violentos, vorazes e rapinadores e calcam todas as leis e práticas que antes os
superiorazam, convertendo-se em fautores de guerra.
O problema, bem entendido, não é Trump, pois há
que desvalorizar o poder que homens singulares têm no curso da história, e se
homens há que se confundem com grandes acontecimentos - neste caso, o ocaso dos
EUA - tal se deve ao erro comum de não perceber que estes homens são o espelho
do seu tempo e não o contrário. Não sabemos se esta será última guerra dos EUA
no hemisfério oriental, mas tudo se inclina para que o seja, dado que levará ao
fim do petrodólar que é o sustento parasitário de um país que já não é o mais
rico, nem o mais produtivo, nem o mais copiado nos seus modelos político,
social e económico. Trump é a América possível de hoje, pois que os seus
antecessores (Biden, Obama, Bush, Clinton) ainda tinham à mão o arsenal das
nobres proclamações universais, hoje já só funciona o porno-evangelismo
epsteiniano e sionista do administração Trump e respectivo braço militar. Se
desta guerra os EUA sairem derrotados, dissolve-se o temor reverencial.
(Texto copiado do Facebook)