
“Como se
fossem cidadãos de pleno direito, os contentores de lixo têm recebido mais
apoio mediático do que qualquer idoso despejado da sua casa no último ano.”
Síndrome de Sherwood
ou
a tática policial para justificar a repressão
Com diferentes
variantes, é uma estratégia utilizada pelas forças policiais, e o seu propósito
é claro: procurar o confronto para justificar a repressão posterior e
prejudicar ao máximo a imagem pública dos manifestantes.
A Síndrome de
Sherwood é uma estratégia tática policial desenvolvida por David Piqué durante
seu mandato como Comissário-Geral de Coordenação Territorial dos Mossos
d’Esquadra (Polícia da Catalunha).
Como se fossem
cidadãos de pleno direito, os contentores de lixo têm recebido mais apoio
mediático do que qualquer idoso despejado da sua casa no último ano.
Quando um
movimento social questiona o atual modelo de convivência, é criminalizado e
duramente perseguido. Para tentar fazer com que a população se posicione a
favor dessa repressão, utiliza-se uma infinidade de recursos. Um dos mais
visíveis são o dos grandes meios de comunicação, que mostram apenas uma
parte da realidade vivida nas ruas e coincidentemente sempre são os mesmos. Mas
o recurso utilizado para criminalizar os manifestantes é a polícia. E a tática
preferida para isso tem um nome poético: Síndrome de Sherwood.
Provocação e
Tolerância Inicial: A polícia permite
deliberadamente os primeiros excessos ou pequenos atos de vandalismo por parte
dos manifestantes sem intervir de imediato. O objetivo é fazer com que a tensão
suba e o cenário se radicalize.
1.
Uso de Agentes Infiltrados: Agentes à paisana misturam-se na multidão. Críticos e analistas apontam
que, em alguns casos, estes infiltrados incitam ou iniciam a quebra de
mobiliário urbano para forçar uma viragem violenta no protesto.
2.
Criação de uma
"Batalla Campal": Ao encurralar os
manifestantes e cortar as vias de fuga, a polícia gera um ambiente de pânico e
confronto direto. Os protestantes pacíficos acabam por ser arrastados para a
violência por pura reação defensiva.
3.
Carga Policial
Proporcionalmente Devastadora: Uma vez
instalado o caos, a resposta policial avança com contundência máxima,
recorrendo a detenções em massa e dispersões agressivas.
4.
Ganho na
Guerra de Narrativas: O desfecho principal desta
tática ocorre no dia seguinte. As imagens de destruição (caixotes do lixo a
arder, montras partidas) dominam os meios de comunicação. Isto destrói a
empatia da população geral com a causa do protesto, justificando a violência policial
como "necessária para repor a ordem pública".
Outras Táticas Comuns para Conter Contestações
Além do modelo de Sherwood, os Estados e as
forças de segurança utilizam uma variedade de abordagens de controlo de massas,
divididas entre táticas físicas e psicológicas:
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Tipo de Tática
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Método Utilizado
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Objetivo Principal
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Kettling (Encurralamento)
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Cordões policiais cercam os manifestantes numa área restrita durante
horas, permitindo saídas apenas de forma individual e controlada.
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Desgastar fisicamente os manifestantes através do cansaço, fome e sede,
desmobilizando o grupo.
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Guerra Psicológica e Forense
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Detenções preventivas de líderes conhecidos horas antes do protesto
começar e vigilância aberta com câmaras.
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Intimidar e desorganizar o movimento antes de este chegar às ruas.
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Armas de Letalidade Reduzida
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Uso de canhões de água, gás lacrimogéneo, spray de pimenta e balas de
borracha.
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Impor uma barreira de dor física e desorientação sensorial para dispersar
multidões sem necessidade de combate corpo a corpo.
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Estratégias de Cooptação
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Abertura de canais rápidos de negociação com as franjas mais moderadas do
movimento de contestação.
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Dividir o movimento interno entre "moderados" e
"radicais", enfraquecendo a união da contestação.
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