quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Quanto gastou o erário com esta ratazana?


 
Quantos funcionários judiciais, investigadores especialistas nas várias áreas da corrupção, não estiveram a trabalhar durante anos para que este escroque fosse condenado. Os milhares de horas, para recolher as provas destinadas a apurar a existência da prática dos crimes, e todo o sistema prisional que pagamos, para reter e alimentar alguém que roubou os próprios guardas. Este gatuno, - não me digam que não é o vocábulo adequado – foi ao bolso de todos nós, e sem reavermos o que nos roubou, feitas as contas, se é que alguém para tal tem capacidade, o erário teria despendido muitas, mas muitas centenas de milhares de euros; contas bem feitas, diria milhões.
 
Entretanto, sua excelência vai ficar bem acomodada, as instalações têm bar, refeitório, sala de convívio, gabinete médico, biblioteca e sala de multiusos destinada a ações de formação, além de um pequeno ginásio equipado com máquinas de musculação e um pátio exterior que permite a prática de atividades desportivas.

CONDIÇÕES A QUE QUALQUER TRABALHADOR HONESTO TEM ACESSO.

Felizmente já cá não está Mário Soares para lhe dar um abraço e acusar a justiça de “esses malandros”.


terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Escuridão



Poder-se-á conceber maior escuridão, que saber de um Negrão caminhando num Montenegro? Portas a ranger, o rumor e o frio do Rio, que escurece ainda mais a própria escuridão. Hitchcock morreria de susto, neste filme onde se ouve o amolar de facas e o grasnar dos corvos. “Nós por cá todos bem” é a vós ancestral dos que à sacholada se batiam por um fio de água, veja-se o que não será pela disputa de um Rio.
Este filme, seria projetado no Cine-PS, caso o PCP tivesse viabilizado o governo do PSD.

domingo, 13 de janeiro de 2019

"Nós por cá todos bem, Donald Trump"



O encerramento parcial dos serviços públicos norte-americanos afeta 800 mil funcionários, alguns enviados para casa e outros a trabalhar sem salário desde 22 de dezembro.

Todas as agências internacionais especificam que tudo isto se passa nos Estados Unidos da América de Donald Trump e não na Venezuela de Nicolás Maduro, aguarda-se, e é urgente, que o Grupo de Lima, chame à razão Donald Trump, e face a este atentado contra os trabalhadores, promova as sanções que se impõem.

E os jornais noticiam: «Podem ser encontrados em sites como o eBay e a Craigslist e nas redes sociais apelos de funcionários desesperados com o pagamento das contas que se vão multiplicando, conta o Washington Post esta sexta-feira. “Custou-me 93.88 dólares no Walmart, vendo por dez dólares. Precisamos de dinheiro para pagar as contas”, lê-se num anúncio na Craigslist citado pelo jornal norte-americano. Entre a lista de produtos estão até objetos herdados. E a  Guarda Costeira publicou uma lista de dicas, sugerindo aos funcionários que realizem vendas de garagem ou vendam coisas online, passeiem cães ou façam part-times enquanto baby-sitters para sobreviver.»

Entretanto, os nazissionistas de Israel, irmãos de Bolsonaro, continuam os crimes em série, e a dita comunidade internacional assobia para o lado.

O verdadeiro problema para os gangsters da dita comunidade internacional, está na Venezuela, Costa e Marcelo que o digam.


sábado, 12 de janeiro de 2019

Não é na Venezuela

As manifestações em França, (a nona),  não só persistem como se intensificam, o que para nós, europeus que sempre fomos, é natural, vivemos em democracia, dizem os nossos mandantes, e se há descontentes, temos que os reprimir. Não estamos na Venezuela, nem o Rei Sol é Maduro.

AS CONTRADIÇÕES SÃO CRISTALINAS A SUA APREENSÃO POUCO CLARA.


NEUF SEMAINES de COMBAT D'UN PEUPLE

«Ça fera bientôt plus de neuf semaines que le mouvement des «gilets jaunes» manifeste contre le gouvernement français. Contrairement à ce qui avait été prévu par le pouvoir et ses éditocrates, le mouvement maintient le cap dans ses objectifs. Et ceci, malgré les fêtes de fin d’année et les miettes que Macron leur a concédées il y a quelques semaines.
Non, rien n’y fait ! Le mouvement le plus large que la France ait connu depuis l’après-guerre réclame plus. Il réclame d’avoir droit de regard sur les affaires publiques ... celles-là mêmes qui le concernent directement et dont le pouvoir cherche désespérément la totale mainmise.
Le mouvement des «gilets jaunes» ne réclame pas seulement des mesures de justice sociales. Ça, c’était hier. Aujourd’hui, le point de non-retour a été franchi et le mouvement ne revendique rien de moins que le pouvoir ! Ce qu’il réclame, c’est la DÉMOCRATIE ! La vraie !
À ce souhait, le pouvoir répond par la répression policière et par le cynisme. Calomniant et infantilisant des gens autrefois modérés & raisonnables, mais que la situation politique a elle-même radicalisés. Ces élites soi-disant éclairées se targuant de la légitimité démocratique et jouant le sketch de la lutte au «populisme». Mais réalisent-ils que leur «légitimité» électorale n’a été gagnée que sur le rejet massif du Front national ? Combien des 66%, qu’a obtenu Macron lors de la dernière présidentielle, ont réellement plébiscité sa ligne politique (le néolibéralisme thatchérien) ? Réalise-t-il qu’une bonne partie de ses électrices et électeurs d’hier manifestent maintenant contre lui ?
Le rejet de ce système sans espoir est la cause évidente de l’effondrement des grands partis de gouvernement (PS/LR) et LREM en a naturellement tiré profit. Cependant, depuis le début de son mandat, Macron, loin de changer les choses, a surtout radicalisé la politique qui était rejetée au départ et concentre maintenant toutes les haines contre lui. Le mouvement des «gilets jaunes» est le résultat de cette étrange convergence des luttes contre cette élite cynique et arrogante.»

 

O 31º



 (Banksy)
O 31º

Não. Não é mais uma das minhas estórias. Segui-lhe de perto a trajetória, acompanhei o percurso, passo a passo, e assisti ao colapso da personagem que hoje vos apresento.

Uma boa manhã – normalmente as estórias começam assim – o diretor-geral chamou-o ao gabinete onde lhes foi servido um café, café que sela intimidades e estrutura conivências; após lhe enumerar e enaltecer qualidades de que nem sequer ele se havia apercebido, esboçou o quadro económico da empresa, fazendo saber que era imperioso o emagrecimento da mesma para que os objetivos, traçados pela administração central, fossem levados a bom termo.

Para os tecnocratas, a adiposidade de uma sociedade tem um significado preciso: excesso de pessoal. Logo, quando pensam em emagrecer a empresa não querem dizer mais do que despedir trabalhadores, por vários e sinuosos meios.

É uma tarefa difícil, começou por dizer, encenando uma expressão pesarosa, mas como deve saber, apressou-se a continuar, esta empresa não é a misericórdia e a competitividade… a competitividade tem compromissos bem definidos que rejeitam o sentimentalismo ou, como se diz mais comummente, temos que pôr o coração para atrás das costas, razão pela qual, dadas as qualidades que referi, o convido para me ajudar a concretizar a tarefa que lhe passo a expor: temos que suprimir trinta postos de trabalho; ser-lhe-ão fornecidos os critérios a ter em conta, tais como os melhores salários, idade, tempo de casa, actividade sindical, etc. etc. …

Inicialmente, deve utilizar todos os meios legais que a nova legislação laboral nos proporciona; usar com precaução, digamos, de forma velada e, em última instância, os clássicos meios de coacção; claro que, há mecanismos que conhece, e que me escuso de referir, mas que deixo implícitos.

Mais um café; falaram ainda da chuva e do bom tempo; e o nosso herói arrancou para a batalha, confiante nos seus méritos e seguro de beneficiar dos despojos. Talvez um lugar de chefia, uma qualquer promoção, um envelope recheado, férias, carro… Há dias de sorte, pensou.

Começou por espalhar o pânico; usou todas as manhas que pensar se possa; tornou-se odiado, mas também temido. Era o rosto do desespero que se abatia sobre não se sabia quem.

Antes da data aprazada, ufano pelo dever cumprido, apresentou o relatório ao mesmo diretor-geral. Não lhe foi servido café. O director leu, displicente, as conclusões, recostou-se na ampla cadeira de executivo, olhou-o de frente e, numa expressão fria e incisiva, disse-lhe que finalmente haviam decidido que não seriam trinta, mas trinta e um os despedidos e que o 31º seria ele.

Encontrei-o, não há muito tempo, à saída do consultório médico, guiado pela mão da mulher, inexpressivo, discurso fragmentado, remoendo sempre a mesma ladainha:

Que tinha sido uma grande injustiça; que fora sempre cumpridor e eficaz; que não compreendia o que se tinha passado... a mulher tentava levá-lo, sem resultado, mas aos poucos lá o foi arrastando a remoer a estafada lengalenga: grande injustiça; não compreendia; sempre cumpridor...

Naquele momento tive pena do pobre diabo, quase esquecendo todos os que haviam sido despedidos. Olvida-se, com frequência, que não devemos fazer aos outros aquilo que não desejamos que nos façam, ou ainda, que tudo o que fazemos de bem ou de mal funciona como o boomerang que nos destrói ou nos eleva.


Cid Simões
 (crónica lida na Rádio Baía)