terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Cavalgando o óbvio

 “Não me importo de morrer, o que não quero é sofrer.”

“Não me importo de morrer, o que não quero é sofrer.”

Embora sendo meia-verdade, a maioria prefere a vida, é no entanto uma frase publicitária que vende bem o antídoto ou a panaceia que dá resposta à preocupação: “Não quero sofrer.”

Os negociantes, atentos ao mercado, apressaram-se a apresentar um produto, embora de eficácia discutível, para acalmar angústias, aguardando em troca o merecido reconhecimento. Em bicos de pés, cada qual defendeu o mesmo sedativo, que só a embalagem os diferenciava.

A não ser por masoquismo, ninguém aspira ao sofrimento, e, muito natural e humanamente, desde que possível devemos tudo fazer para o evitar. O que se torna de difícil entendimento, é que tamanha preocupação só recaia sobre os últimos dias de vida, vidas em muitos casos plena de sofrimento físico e/ou psíquico, quantas vezes possível de evitar.
PORQUÊ?

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Enquanto se discutia a eutanásia

3 de janeiro Viseu

Enquanto se discutia a eutanásia

A compaixão para com os que sofrem não deve ser seletiva. O sofrimento de cada um de nós não é mensurável por terceiros. A dor e a angústia num corredor das urgências, onde circula a tragédia no nosso dia-a-dia, não suscitam a mesma compaixão que a mediática eutanásia e o suicídio assistido.

Enquanto se discutia uma questão, indiscutivelmente de enorme significado, nas urgências dos hospitais, a angústia e o sofrimento circulavam pelos corredores e, morria-se.

«Homem esperou mais de três horas e morreu nas urgências do Hospital de Beja 18 Fevereiro 2020

Um homem, de 60 anos, morreu nas urgências do Hospital de Beja depois de ter aguardado quase quatro horas para ser observado por um médico. A vítima tinha recebido pulseira amarela na triagem.»

«Morte de doente na urgência de Lamego após seis horas de espera
Centro Hospitalar de Trás-os-Montes explica que na segunda-feira houve um pico de afluência de doentes muito urgentes e urgentes no serviço de urgência do Hospital de Lamego.» 12 de Fevereiro de 2020

«Leonor Martinho, a menina de 12 anos que morreu após ir duas vezes às urgências da CUF»

«Menina de oito anos morre na sala de triagem do Hospital do Funchal

Menina de oito anos morreu este domingo ao final da tarde, um dia depois de ter sido vista por um médico que lhe receitou um medicamento e mandou-a para casa. DN 13 Janeiro 2020»

O açougue tem orçamento




«No ano fiscal de 2021 o orçamento dos Estados Unidos prevê despesas da ordem de um milhão de milhões de dólares para a guerra, que comparam com 94500 milhões no sector da saúde e serviços humanitários (menos 10% que em 2020), apesar de só nos últimos quatro meses terem morrido 10 mil cidadãos norte-americanos vítimas de gripe comum. São estas as prioridades do regime de Washington, que se diz inquieto com “o ressurgimento de Estados nacionais rivais, nomeadamente a China e a Rússia”. É preciso, diz o documento, “aumentar a nossa vantagem bélica” sobre esses e outros países.» in “O lado oculto”

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Há 172 anos


21 de fevereiro de 1848


«Um espectro ronda a Europa - o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e o czar, Metternich e Guizot, os radicais da França e os policiais da Alemanha.»

Hoje o mesmo espectro ronda todo o Mundo
 

PROLETARIADO: "A sua luta contra a burguesia começa com sua própria existência".

"A História de todas as sociedades até os nossos dias não foi senão a história pelas lutas de classes.",





VIVER DIGNAMENTE


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

CRYPTO-FASCISMO

(Entre as polícias políticas da América Latina, a coordenação da repressão passava pelas máquinas da Crypto AG, rebatizadas de «Condortel» 

Editorial LE COURRIER
VENDREDI 21 FÉVRIER 2020

BENITO PEREZ

CRYPTO-FASCISMO

O caso Crypto AG, nome da empresa que operou durante meio-século a partir de Zoug em proveito da CIA, só surpreende pela escala e duração. Que a Suíça e a sua neutralidade de fachada estivessem subordinadas aos interesses do Estado americano, constata-se pelo menos depois da Guerra Fria. Reveladas no final do século passado, as organizações helvéticas secretas P26 e P27 permitiram também, que o exército e o establishment político - o mesmo que deu cobertura à Crypto – de colaborar com a OTAN com a maior hipocrisia. Uma aliança transatlântica que não diminuiu desde então.

Se de forma alguma nos surpreende, o caso Crypto (ou Rubicon, de acordo com seu último nome de código), no entanto, destaca uma certa conceção suíça de neutralidade. Os documentos extraídos dos arquivos da NSA, desenterrados há alguns dias pelo Washington Post, mostram também que as ferramentas de criptografia vendidas pela empresa Zugoise foram usadas em particular para rastrear os opositores das ditaduras da América do Sul em 1973, particularmente através do famoso 'Plano Condor'. Entre as polícias políticas (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai), a coordenação das operações de vigilância e repressão transitavam pelas máquinas CX-52s e depois pelas máquinas H-4605 da Crypto AG, rebatizadas de 'Condortel'... A caça orquestrada com o apoio dos Estados Unidos custou a vida a várias dezenas de milhares de militantes de esquerda. Sabemos agora que Washington podia acompanhar cada sequestro, tortura e desaparecimentos em direto graças aos produtos made in Switzerland

Um cenário sem dúvida idêntico ao do genocídio dos comunistas da Indonésia, outro país cliente da Crypto AG.

Para Berna, a qual o Post assegura que foi informada das atividades da CIA, a operação Rubicon tinha apenas vantagens: além da publicidade em termos da excelência tecnológica, a Confederação manteve uma neutralidade de fachada, mas favoreceu concretamente os regimes  conformes aos interesses económicos das suas elites. Tudo sem sujar as mãos. Enfim... a história os julgará.