sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Megafone da EU, Azov e Cia

(Desenho do grande Fernando Campos)

António Costa, discursou na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde criticou as ameaças de Vladimir Putin, e pediu à Rússia para cessar hostilidades e dialogar em vez de escalar o conflito na Ucrânia.

Isto anda tudo ligado!

A OTAN atacou a Iugoslávia em 24 de março de 1999, dando início à Guerra do Kosovo sem a aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, nessa ocasião (1999) António Guterres, atual Secretário-Geral da ONU, era o nosso Primeiro-Ministro e esteve presente no local do crime.


Nas suas atuais funções foi falar com Putin e teve que ouvir:

«A Rússia tinha o direito de reconhecer a independência das Repúblicas Donetsk e Luhansk e fornecer-lhes assistência militar, disse o presidente russo Vladimir Putin na terça-feira em uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres. O líder russo não concordou com as palavras de Guterres sobre a "invasão" da Federação Russa à Ucrânia. "Estou muito familiarizado, li pessoalmente todos os documentos do Tribunal Internacional de Justiça sobre a situação no Kosovo, lembro muito bem da decisão, onde está escrito que no exercício do direito à autodeterminação, este ou aquele território de qualquer Estado não é obrigado a solicitar permissão para declarar sua soberania às autoridades centrais do país, ", disse o líder russo. Ele se concentrou em que tipo de apoio essa decisão do tribunal da ONU teve: "Eu pessoalmente li todos os comentários - tanto legais, quanto administrativos, órgãos políticos dos Estados Unidos, países europeus. Todos apoiaram isso." Em analogia com isso, as repúblicas de Donbass tinham o mesmo direito de declarar sua soberania, "porque um precedente foi criado", enfatizou o presidente da Federação Russa. "Então? Você concorda com isso? Putin perguntou a Guterres. O secretário-geral da ONU respondeu dizendo que as Nações Unidas "não reconhecem o Kosovo". "Mas o Tribunal [Internacional] [da ONU] reconheceu", retrucou o líder russo. "E se este precedente for estabelecido, as repúblicas de Donbass poderiam fazer o mesmo." Em troca, a Rússia ganhou o direito de reconhecê-los como estados independentes, continuou Putin. "Muitos estados do mundo, incluindo nossos adversários no Ocidente, fizeram isso em relação ao Kosovo. Afinal, é um fcato que muitos estados ocidentais o reconhecem como um Estado independente. Fizemos o mesmo com relação às repúblicas de Donbass. Depois que o fizemos, pediram-nos para fornecer-lhes assistência militar em relação ao Estado que conduz operações militares contra eles. E tínhamos o direito de fazer isso em plena conformidade com o artigo 51º do título VII da Carta das Nações Unidas (este artigo diz respeito ao direito inalienável à autodefesa individual ou coletiva)", disse Putin.»




quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Os bárbaros andam enfurecidos

 

Os bárbaros não terminaram o seu funesto desígnio universal, estão enfurecidos, necessitam de mais sangue.

“Víctor Jara: Um canto mutilado 

"Desculpe, tinha que o encontrar... Lamento dizer-lhe que o Victor morreu... Encontraram o corpo dele na morgue.

 

(... ) Peço-lhe que seja corajoso e que me acompanhe para identificá-lo. Ele usava cuecas azuis escuras. Tem de vir, porque o corpo dele está lá há quase 48 horas e, se ninguém o reclamar, será levado e enterrado numa vala comum.

(... ) Descemos uma passagem escura e entramos numa sala enorme.  O meu amigo segura o meu braço enquanto olho para as filas e filas de corpos nus empilhados, com feridas abertas, alguns com as mãos ainda amarradas atrás das costas. Há jovens e velhos... Centenas de corpos... na maioria parecem trabalhadores... centenas de corpos que foram arrastados pelos pés e colocados num monte pelas pessoas que trabalham no armazém (... ) Fico no centro da sala, procurando o Victor sem querer encontrá-lo, sou assaltado por uma onda de raiva. Eu sei que a minha garganta emite ruídos incoerentes de protesto, mas Hector reage instantaneamente. (... )

Mandam-nos para o andar de cima. A morgue está tão cheia que os corpos enchem o prédio todo, incluindo os escritórios. Um longo corredor, fileiras de portas e, no chão, uma longa fila de cadáveres, estes vestidos, alguns parecem estudantes, dez, vinte, trinta, quarenta, cinquenta... E no meio da fila descubro o Victor.

Era o Victor, embora magro muito magro. O que te fizeram para te consumir assim numa semana? Tinha os olhos abertos e parecia olhar para a frente com intensidade desafiadora, apesar da ferida na cabeça e terríveis hematomas na face. Tinha as roupas rasgadas, calças em volta dos tornozelos, camisola rasgada nas axilas, cuecas azuis, trapos em volta das ancas, como se tivessem sido cortados por uma faca ou baioneta... peito esmagado e uma terrível ferida aberta no abdômen... as mãos pareciam penduradas nos braços em ângulo estranho, como se tivesse os pulsos quebrados, mas era Victor, meu marido, meu amor.

Nesse momento, também morreu uma parte de mim. Senti que uma boa parte de mim morria enquanto eu permanecia ali, imóvel, quieta... incapaz de me mexer, de falar. "

Trecho do livro, “Víctor Jara: Um canto truncado”

Testemunho de Joan Jara

 

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Do face sem permissão

 

NÃO HÁ DÚVIDA DE QUE OS SOCIALISTAS, SOCIAL-DEMOCRATAS E TRABALHISTAS SÃO UNS 'QUERIDOS' A APOIAR GUERRAS DA NATO

- lembra Alfredo Barroso, depois de ouvir António Costa a apoiar incondicionalmente a guerra indireta da NATO contra a Rússia:

Ainda antes da vergonhosa atitude de Ferro Rodrigues em relação à invasão do Iraque (2003), quando ele era o secretário-geral do PS, é bem verdade que já ninguém se lembra do António Guterres PM e secretário-geral do PS, ativo apoiante de uma NATO "agressora", a bombardear criminosamente Belgrado, no "Apocalipse Côr-de-Rosa", como eu lhe chamei num texto publicado no 'Expresso' em 10 de Abril de 1999. Aqui vai um excerto do que então escrevi:

- «Acontece que os Estados Unidos decidiram mandar às urtigas não só a Carta das Nações Unidas mas também a Carta do Atlântico - desrespeitando não apenas as regras do Direito Internacional pelas quais se rege a ONU, mas também as regras do Direito Internacional pelas quais se rege a NATO. A ONU foi pura e simplesmente posta à margem e a NATO deixou de ser considerada uma organização meramente defensiva. Mesmo os princípios do Direito inscritos nas Constituições da maior parte dos países europeus membros da NATO foram vergonhosamente ignorados e desrespeitados. Como, ainda há dias, oportunamente lembrou Vasco Graça Moura, o Presidente da República "não declarou guerra a ninguém", e todavia Portugal está envolvido numa "guerra de agressão", sendo certo que, nos termos da Constituição, o Presidente da República só pode declarar a guerra em caso de agressão efetiva ou iminente e tem, para isso, de ser autorizado pela Assembleia da República.

«Deve ser esta uma das consequências da "terceira via", que tanto inspira o inefável Tony Blair; ou do "novo centro", que tanto inspira o insuportável Gerard Schöder; para já nem falar da "nossa via", que tanto inspira o engenheiro António Guterres. Desprovidos de quaisquer fundamentos teóricos, navegando à vista, sem bússola e sem rumo, completamente obcecados pela conjuntura económica e pelos mercados financeiros, os social-democratas europeus, hoje no poder, traíram os ideais do socialismo democrático e estão a cavar a sua própria sepultura sob os escombros do "apocalipse cor-de-rosa" que desencadearam nos Balcãs. A insensatez, a subserviência e o seguidismo irresponsável do governos social-democratas europeus em relação à arrogância do poder imperial dos Estados Unidos são, de facto, perfeitamente escandalosos. Como escreveu o insuspeito guru dos geopolíticos americanos, Samuel Huntington, na revista 'Foreign Affairs': "Os Estados Unidos, ao mesmo tempo que denunciam vários países como 'Estados vadios', estão eles próprios a tornar-se, para inúmeros países, uma superpotência vadia"».

E os social-democratas são os lacaios da "superpotência vadia".

Escrevi isto há já 23 anos, e parece-me que a trágica história deste primeiro quartel do século XXI me tem dado razão, a mim e a Samuel Huntington (passe a ousadia de me comparar a ele): no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Síria, na Somália, e agora também na Eurásia, que 'Donkey' Joe Biden Robinette, actual presidente da "superpotência vadia", os EUA, quer dominar a todo o custo, para ameaçar a China.

Campo d'Ourique, 13 de Setembro de 2022

Esta coleção de retratos ilustra bem um PS que tem andado sempre, sempre atrás da "superpotência vadia", os EUA, e do seu longo braço armado na Europa, a NATO - sobretudo desde que esta deixou de ser uma organização militar meramente defensiva e se transformou numa organização militar ofensiva, agressiva e expansionista...

Alfredo Barroso




segunda-feira, 19 de setembro de 2022

O tiro no pé

 

Ler aqui»» O tiro no pé

 

“A União Europeia continua convencida de que é necessário fixar objetivos obrigatórios para a redução do consumo elétrico dada a situação atual. Segundo a proposta do executivo comunitário que se discutirá e aprovará amanhã, Bruxelas proporá aos 27 fixar um objetivo obrigatório para cortar na hora de ponta a eletricidade durante 3 a 4 horas nos dias úteis”

 


domingo, 18 de setembro de 2022

SUGESTÃO: Tchaikovsky: Ouverture 1812

Na “união Europeia”, se alguma alegria houve está esgotada, o belo “Hino à Alegria” de Beethoven encontra-se deslocado, em sua substituição sugiro o poema sinfónico 1812 do compositor russo Tchaikovsky, mais adequado ao momento.

Manifestação Paris - sábado 17 setembro 2022

As procissões começam a sair do adro

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Não devia ser permitido consumir bebidas alcoólicas nas reuniões ministeriais.

Luto nacional pelo falecimento da Rainha Isabel II do Reino Unido

O Conselho de Ministros aprovou o decreto que declara três dias de luto nacional pela morte da Rainha Isabel II do Reino Unido, cumprindo-se nos dias 18, 19 e 20 de setembro.

 

«Sua Majestade a Rainha Isabel II do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte marcou profundamente a segunda metade do século XX e o primeiro quartel do século XXI. Assim, neste momento de prolongado e profundo luto no nosso mais antigo Aliado, entende o Governo declarar o luto nacional nos dias 18, 19 e 20 de setembro de 2022. É uma justa homenagem a sua Majestade a Rainha Isabel II», refere o Conselho de Ministros.