quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A Pandemia do Vírus Felicidade

O Ministério da Saúde, em estreita, melhor dizendo, apertada colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS) está entrincheirado pronto a combater qualquer pandemia que ouse transpor as nossas fronteiras. O vírus das aves deixou de nos amedrontar, as vacas voltaram ao seu perfeito juízo e a gripe suína AH1N1 é jugulada onde quer que se detecte. Os governantes estão atentos! Ai de quem deixe escapar um espirro sem usar o lenço de papel onde guarda os borrifos que deitará no primeiro caixote de lixo que encontrar e mal estará quem não lave bem as mãos e as desinfecte com o spray apropriado.

Quanto a gripes estamos conversados. O problema que se nos coloca é o de não termos problemas. Como é que se pode fazer campanha eleitoral num país onde não se encontra a mais leve mácula governamental que seja susceptível de crítica?

O vírus que nos arrasa, a pandemia que expande o bem-estar sem limites e pela primeira vez nos invade, denomina-se ‘fe-li-ci-da-de’.

Não tenho memória de um equilíbrio social assim perfeito e de uma satisfação que emane de modo tão natural de todas as classes sociais. Os muito ricos reconheceram que o dinheiro não lhes traz felicidade e que lhes é possível entrar no Reino dos Céus com o fruto do seu suor e não com o do suor alheio.

Os professores ensinam, os alunos aprendem, o Ministério respectivo está a corresponder aos anseios de mestres e educandos. O diálogo é profícuo como nunca havia sido. Melhor ainda, tanto a nível médio como superior, todos os jovens, terminados os estudos, têm emprego garantido e salário que lhes permite organizar a vida sem depender dos familiares que, por sua vez, neste clima de segurança, usufruem a vida em todo o seu esplendor.

Digam-me como é possível tecer criticas aos governantes neste ambiente de tranquilidade e bem-estar? Sabendo-se que essebem-fazer” foi direitinho para os mais necessitados, reduzindo drasticamente o fosso entre ricos e pobres. «Os portugueses sabem que sempre puderam contar com o PS nos momentos difíceis e que está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu». Foi o primeiro-ministro que o afirmou e não um mentiroso qualquer.

Aos pescadores não falta mar. Não têm legislação que os proteja nem os barcos que foram obrigados a abater, mas o mar e a ondulação pertencem-lhes. Os espanhóis trazem-lhes o peixe e eles, deitados na areia, observam as donzelas em biquíni ou fazem surf e se vão surfando, como podem, na doçura da maresia. A felicidade é uma lapa que se lhes agarra e de que não se podem libertar.

Nestas condições quem é que pode fazer campanha eleitoral dirigida às gentes do mar sem meter água?

A felicidade pandémica, ou pindérica como diz a Dona Gertrudes, grassa pelos campos. , por mais que se queira, não é possível fazer campanha eleitoral sem correr o risco de se ser levado a ponta de cajado. Os campos, em pousio, e os camponeses batendo a sesta em sombras aprazíveis são a expressão idílica “desta ditosa pátria nossa amada”. O pouco que se cultiva é regateado pelas grandes superfícies por invejáveis margens de lucro. Os criadores de gado, nomeadamente os produtores de leite, distribuem gratuitamente a produção às populações que não sabem o que fazer de tanta fartura.

Os operários, pequenos comerciantes e industriais estão no conforto dos seus lares ou repimpados de férias vendo as estrelas.

O temporal, dizem os cépticos, virá depois das eleições se continuarmos a votar em quem nos tem bafejado com tanta felicidade.

Acham que sim?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Conhecem Festa como esta?

Festa que rompe fronteiras

Militantes que abnegadamente distribuem bem-estar e alegria.

"Não há Festa como esta!"

faltam 23 dias



domingo, 9 de agosto de 2009

A 1ª EP


Lembram-se?!

desdobrava-se e...


no interior encontrávamos


e no reverso este texto magnifico

(…)”A mudança radical operada na vida política portuguesa depois do 25 de Abril tem na publicação legal do “Avante!” um testemunho flagrante. Ele assinala a vitória das forças democráticas sobre o fascismo e ficará como o melhor símbolo da conquista pelo povo português da liberdade de expressão de pensamento, da liberdade de imprensa, designadamente.

“Ao longo de mais de quarenta e três anos, o “Avante!” clandestino foi uma arma valiosa na luta contra a exploração capitalista, a opressão fascista, a guerra colonial, a dominação imperialista. Foi uma voz irreprimível do PCP, a voz da classe operária, a voz dos explorados e oprimidos de Portugal. Foi um órgão de informação livre, num Portugal amordaçado. Disse a verdade sobre o nosso povo e outros povos num clima de deturpação e mentira. Foi uma grande trincheira da resistência ao fascismo. Foi umorganizador colectivo” dos comunistas, dos trabalhadores, de todos os antifascistas. Foi um órgão de consciencialização e orientação, um grande mobilizador das massas populares na luta pelo pão, pela liberdade pela independência nacional, pela independência dos povos das colónias”.


Haverá certamente muitos militantes que felizmente desconhecem esta EP. E se digo felizmente é porque muitos vieram depois para dar continuidade a este magnífico esforço colectivo.



Faltam 24 dias.



Não há Festa como esta!

Faltam 25 dias


NUNCA HOUVE FESTA COMO ESTA

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Qualquer estúpido compreende

Cuidado com o bloco

O matutinoPúblicopertence a um magnata da nossa praça que paga mal a quem o serve e advoga que é preferível ganhar ainda menos do que estar desempregado.

«Presidente do gigante grupo empresarial Sonae, o mais poderoso grupo económico português, Belmiro de Azevedo é um dos maiores empresários do País. De “enfant terrible” a magnata dos negócios, a trajectória deste homem é imparável. Detém a rede de supermercados Modelo e Continente, o jornalPúblico”, a Optimus, além do braço estratégico dos centros comerciais. É o único português a figurar na lista dos homens mais ricos do mundo. Actualmente, está no processo arrojado de lançamento da OPA sobre a Portugal Telecom. “Olha para o mundo como D. João II. Para ele, tudo é conquistável”, diz o jornalista Carlos Magno

O “bloco” diz combater os exploradores. Grita e esbraceja contra a acumulação da riqueza.

Na sequência da promoção feita neste jornal, dito de referência, ao “bloco” refiro as mais recentes:

No dia 5 quarta-feira, no jornal deste benfeitor e em lugar de relevo a fotografia do ícone do “blocopara justificar o nada que disse. Na página seguinte maisbloco” e ainda maisbloco” noutra página com soluções para os desalojados. Hoje quinta-feira e em destaque a fotografia do “líder” e meia página dedicada ao “bloco”.

Qualquer estúpido compreende!

Ou não?!


Nota: "A GRande Entrevista" da Judite de Sousa feita a Jerónimo de Sousa serviu para promover o "bloco". Eles gostam tanto do "bloco"...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

EUREKA!



Neste opúsculo encontrei receitas para eliminar nódoas de lama, sebo, gorduras e mesmo manchas de suor. Para os sebosos que vivem do suor alheio as fórmulas apresentadas talvez lhes sirvam sendo o “fel de boi” a mais indicada principalmente se ingerida em jejum.

As nódoas de “corrupção” escondem-se nos off-shores onde se processam as lavagens de capital. Regressam bem cheirosas e com honras oficiais.

Quando um Governo é em si mesmo uma nódoa, o amoníaco que «é o mais útil e enérgico tira-nódoas» não resulta. Para que não nos emporcalhe e, a nódoa não alastre, devem usar-se doses maciças de greves e manifestações.

Receitas não faltam e resultam se as soubermos e quisermos aplicar.

Vamos a isso!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Prémio Prior de Trancoso

Progenitor de cerca de 300 filhos, julgado por luxúria, o Prior de Trancoso foi amnistiado pelo rei e colocado na Beira Alta região de baixa demografia.


Ao ser divulgado o programa do Partido Socialista para as legislativas de 2009, nessa mesma noite, as audiências televisivas baixaram assustadoramente. No engodo dos 200 euros anunciados para cada bebé que nasça em Portugal, homens e mulheres na idade de procriar abraçaram-se nessa doce empreitada de plantar homens para salvarem a Banca dos apuros em que se encontra e, dispostos também, graças a tão patriótica medida, a dar o seu voto ao PS.

Nervosos e fatigados, compreende-se, os casais vão aguardar os nove meses de gestação que explodirá em Abril de 2010 para aferir dos resultados de tão abnegado esforço e criatividade a que se entregaram de corpo e alma. Os mais optimistas esperam por gémeos, dado o afinco colocado na patriótica tarefa, falsos ou não pouco importa, o que está em jogo são os euros: 400 se vierem aos pares; seria, dado a crise em que nos encontramos um pequeno, mas bem-vindo jackpot. E porque os partos prematuros também acontecem, os benefícios de mais alguns meses de juros não seriam de rejeitar.

Logo pela manhã, pelas esquinas, nos cafés ou no emprego – houve, obviamente, muitas baixas nesse dia – o pessoal fazia contas: «numa estimativa efectuada pela DECO, um depósito a prazo aberto com 200 euros, mantendo-se a taxa de juros em vigor, renderá daqui a 18 anosem 2027 -- 252,35 euros. Cerca do dobro do valor inicial investido.»

Conhecedores do maná proposto pelo PS, os telefonemas, SMS, encontros imediatos e outros mais tardios não se fizeram esperar anunciando a boa-nova. Caíram em catadupa saudações de muitas organizações e até a de um Prémio Nobel do “embuste”. O pessoal andava eufórico: “ainda está para nascer um primeiro-ministro como este”, gritavam em uníssono.

Esperamos que o Primeiro-ministro o exemplo e se tenha esforçado para que dentro de dezoito anos, com o prémio agora por si proposto ainda lhe seja possível comprar alguns pós de vergonha.

Em Espanha, cada recém-nascido tem direito a dois mil e quinhentos euros (2500€). Se «o PS vai compensar as famílias com 200 euros por cada bebé que nasça em Portugal», como serão “compensadas as famíliascujos bebés são obrigados a nascer nas maternidades espanholas? Melhor ainda será nascer na Alemanha onde os recém-nascidos têm direito a vinte e cinco mil euros pagos durante 12 meses.

Pobre Prior de Trancoso que, não obstante ter a sorte de ter sido súbdito de um rei inteligente, teve a desdita de no seu tempo não ter ainda nascido um primeiro-ministro como este.

O prémio de 200 euros a que os distinguidos terão acesso dentro de dezoito (18) anos será designado como “Prémio Prior de Trancoso”.

É justo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

O Jardim é assim!

O Jardim é assim. Deixam que o Jardim seja assim. De um caneiro nunca veio bom cheiro. O que me causa náuseas são as ervas daninhas desse Jardim-antro com o seu anticomunismozinho militante, os cactos de pontas aguçadas em disfarçado conluio com o verme. O que me causa engulhos é ver os lacraus às ferroadas aos que sempre lutaram pela sua liberdade – provavelmente preferiam a dos outros que também consideravam suaou as viborazinhas que mais não fazem que destilar o veneno de que se alimentam. E no Jardim também se pavoneiam os pensadores com as estafadas receitas de um anticomunismo fora de moda. Intelectuais de meia-tigela que vivem de frases feitas e de ideias desfeitas.

E porque estou a acabar o livro de Marcos Ana, comunista que esteve 23 anos preso e condenado à morte nas prisões de Franco, deixo-vos este pequeno extracto:

«não esquecendo e respeitando também a luta e o sacrifício dos outros, os milhares de anos que nós, os comunistas, deixamos nas prisões e os centos e centos de camaradas fuzilados na luta pela liberdade. É uma realidade histórica inquestionável. Merecemos esse reconhecimento e deviam corar aqueles que se agarram a um anticomunismo oportunista e comercial, que parece estar na moda. Pode-se discordar das nossas ideias, ou trocá-las por outras, é um direito legítimo e democrático que também aplico para reconhecer e superar os meus erros. Mas uma coisa é não estar de acordo com os comunistas e outra bem diferente é a cultura ou a doença do anticomunismo.

Além disso, as ideias do comunismo, tão defraudadas hoje, continuam a ser essencialmente justas e permanecem porque a sua nobre utopia está acima dos equívocos dos homens, dos partidos e dos seus erros e dos Estados que as desvirtuaram e ensombraram a esperança de uma grande parte da humanidade.

O anticomunismo, e tudo o que se fez e faz em seu nome, serviu e serve para justificar os golpes de Estado, as ditaduras e a repressão dos democratas. É o grande curinga das forças mais reaccionárias. É natural que elas agitem o fantasma do comunismo e procurem amedrontar os povos mesmo hoje, embora não sejamos uma possível ameaça. O que dói e às vezes indigna é que sectores ou pessoas da esquerda contraiam essa doença que apenas serve para nos dividir e justificar a violência e a opressão dos nossos inimigos