domingo, 10 de julho de 2011

SÃO CROMINOSOS

Desenho de Fernando Campos in ositiodosdesenhos

SÃO CROMINOSOS

São criminosos todos os que berrando “democracia” têm à sua disposição os mídia que os publicitam e elegem.

São criminosos os que, nas campanhas eleitorais, prometem o bem-estar ao povo e que, depois de eleitos, não só não cumprem como procedem de modo totalmente contrário às promessas feitas.

São criminosos os que sendo eleitos em grande parte por assalariados governam em benefício dos que os exploram.

São criminosos os que alienam o património pertença do povo que o adquiriu com os impostos fruto do seu labor.

São criminosos os que hoje declaram que é no mar que está grande parte da nossa riqueza e, ontem com o nosso dinheiro, pagaram para se abater a frota pesqueira.

São criminosos os que destruíram a industria naval de alta tecnologia e de significado relevante para a nossa economia, continuando a destruir o pouco que resta.

São criminosos os que pagaram com o nosso dinheiro o abate da frota pesqueira e nos esbulharam mil milhões de euros para adquirir submarinos. Aquisição agravada pela corrupção em que mergulhou o negócio.

São criminosos os que pagam para manter as terras em pousio tornando-nos cada vez mais dependentes de bens essenciais à nossa sobrevivência.

São criminosos por terem destruído sectores fundamentais do nosso complexo industrial, lançando no desemprego técnicos de alto nível que dificilmente tornaremos a formar quando deles necessitarmos.

São criminosos por impelirem à emigração jovens, muitos com formação superior, obrigados a procurar o seu futuro noutros países. Jovens que desde a gestação à formação académica nos ficaram por milhares de euros e que de mão beijada vão enriquecer outras nações.

São criminosos por ficarmos sem o controlo económico e político, deixando o Estado regido pela banca que nos faz rodar em função dos seus interesses. Para continuar o esbulho, os novos bárbaros acabados de arregimentar, pretendem “diminuir a presença do Estado na economia – deixar a economia para os privados”.

São criminosos por emperrarem o sistema judicial, tornando-o ineficaz, deixando a criminalidade de mãos livres, nomeadamente a designada por “colarinho branco”.

São criminosos por continuarem a destruir o SNS entregando ao privado o mais abjecto dos negócios; o negócio da saúde. Cumprindo o enunciado de uma ex-ministra Saúde recentemente homenageada: “quem quer saúde paga-a”.

São criminosos porque nos seus actos manifestam frieza e insensibilidade, face ao sofrimento e sacrifícios que impõem, só possível a alienados ou perversos.

São criminosos os que com eles pactuam, admitindo ou fingindo ignorar a crueldade dos seus actos.

São criminosos os que legislam, votam e aplicam leis contrárias à condição humana.

São criminosos porque nos entregaram às mãos dos banksters que servem e reverenciam.

Quando forem julgados mil razões há para os incriminar.

Por ora fico-me por aqui.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A Quinta dos Medos

Lima de Freitas

A Quinta dos Medos

Encontrei-lhe um sentido poético: «Quinta dos Medos»!... Recordando folguedos infantis, onde o susto surgia a justificar assombrações, com divertidos fantasmas, que espalhavam alegria e risos pela pequenada.

E como me enganei!...

O susto é efémero. Os medos radicam-se, crescem, tornam-se adultos e guardadores de vinhas. Matreiros, não se escondem no vinhedo mas dentro de nós, barram-nos o caminho, coarctam-nos a liberdade.

Os medos multiplicam-se, perseguem-nos. Agressores com máscaras de passividade, encontramo-los nos olhares apreensivos, nos rostos macerados, na mão húmida que se deixa apertar, no discurso ponderado quando não adulador.

Os medos minam os sonhos, cavalgam no nosso inconsciente a personalidade a esboroar-se.

Na «Quinta dos Medos» adultos, trabalha um homem (como muitos outros), cinquenta e poucos anos, gosta do que faz e fá-lo bem.

A «Quinta» foi vendida a estrangeiros que a vão remodelar; rentabilizar… É o pânico!

A angústia saída de um grande susto, emudeceu-o. A ansiedade deprime-o, os cabelos embranquecem, as rugas deixam marcas doídas de chibata. Força o sorriso, e as anedotas com que pretende ilustrar o seu dia-a-dia profissional perderam a seiva que transporta o humor, dificultando a imagem dinâmica e a boa disposição que pretende encenar.

O amanhecer torna-se num pesadelo. Passa a renegar tudo e todos; os acessos de agressividade saltam incontroláveis na pele de tambor de uma calma esticada.

Sente o perigo espalhado na aparente tranquilidade e como qualquer outro animal, crispa-se, ruge e aguarda.

E eis que surge lúgubre e melosa como todos os cangalheiros, a senhora «rendibilidade». Amável, carinhosa mesmo, de poucas falas e muitos sorrisos, deixando em aberto dois caminhos com o mesmo destino: A Rua!

«Que a viabilidade do empreendimento passa por uma reestruturação moderna; que não desejava utilizar meios coercivos, tão-pouco pretendia recorrer aos mecanismos legais de que dispunha; que todos lucrariam na rescisão amigavel do contrato de trabalho…»

Tanta experiência, tanto ainda para dar, a juntar a tudo o que já deu!...

Oficialmente a reforma está distante. Se fosse possível dar dez anos da própria vida?…

O choro convulsivo da primeira visita ao médico, uma dor funda no peito, a saliva espessa, amarga.

Apercebe-se que toda a sua actividade está sob vigia, os contactos com os clientes analisados, classificados, os resultados contabilizados.

Cartão magnético para acesso condicionado a locais onde até então circulava livremente.

Todos os mais modernos meios de gestão ao serviço da opressão e da competitividade.

A corrida aos ansiolíticos, a tudo o que a ciência tem produzido de mais aberrante para condicionar o ser humano por caminhos que não são os seus. É o primeiro refúgio.

Os tranquilizantes tornam-lhe a condução num pesadelo. Quando por momentos adormeceu ao volante, recomposto do susto, lamentou que não tivesse sido o fim. A falta de perspectivas, de ânimo para continuar, a atracção pelo abismo.

Vai receber a indemnização? Sujeitar-se a ser despedido?

As drogas vão-no deixando apático, indiferente, aceitando a vida assim, pérfida, inglória, injusta, como se normal fosse.

O medo vai diluindo toda a dignidade, corroendo a força e a vontade de se defender.

No século das grandes descobertas científicas, usando-as, usando-nos o medo é o rei perante o qual todos, todos se prostram.

TODOS?!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Querem-nos lixar!


Os "mercados" são difíceis de convencer.
Os "mercados" já nos reduziram a lixo.
O governo não convence os "mercados".
Querem-nos lixar!

Os "mercados" querem emagrecer a saúde.
Saúde magra é doença!

"Arrumar a casa" é correr com as troikas

NÃO FALTES AO COMÍCIO!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Á ESCUMALHA

«Nada de grande acontece no mundo sem que o mundo se revolte».

Alerta geral aos medíocres e oportunistas. Aos que sem escrúpulos se colam ao poder esperando colher o que aos pobres é extorquido.

A respeito dos “Cultores da Mediocridade”.

Se quiseres ser impenitente cultor da rotina e mediocridade, guia-te pelas normas seguintes:

- Antes de pensar, informa-te sempre o que deve ser pensado, a fim de não introduzir no mundo o contrabando de ideias novas.

- Dize sempre sim quando os outros dizem sim — e não quando os outros dizem não.

- Lê cada manhã, ao café, o teu jornal, para saberes o que deve ser pensado naquelas 24 horas.

- Quando vier alguém com ideias novas, evita-o como um perigo social.

- Não te exponhas ao perigo de fazer o que o vizinho não faz — mas lembra-te da comprovada sapiência burguesa: o seguro morreu de velho.

- Sê amigo dedicado da tua tépida poltrona — e não te exponhas a vertigens de vastos horizontes.

- Não abras nunca portas fechadas — abre tão somente portas abertas.

- Não explores caminhos novos, como os bandeirantes — anda sempre por estradas batidas e sobre trilhos previamente alinhados.

- Vai sempre com o grosso do rebanho, como os bons carneiros — e não procures caminho à margem da rotina geral.

Em suma, meu insigne cultor da mediocridade: Deixa tudo como está para ver como fica.

- Destarte, conservarás a saúde e a tranquilidade dos nervos e poderás passar por homem de bem.

Huberto Rohden

sábado, 2 de julho de 2011

A hora é essa

Festa do Avante!

A hora é essa

Temos lutado todo esse tempo

com os pés descalços,

Saboreando o sonho que se esboça,

Encravados na luta que é de classes;

Internacionais!

Sempre nos quiseram mortos,

e ainda assim nosso peito segue ofegante.

Daniel Oliveira