sábado, 11 de junho de 2011

Vasco Gonçalves explica o antigonçalvismo

Vasco Gonçalves 03/05/1922 - 11/06/2005

UMA TARDE COM VASCO GONÇALVES

(entrevista de oito páginas com a assinatura de Jorge Reis, Diário de Lisboa 12 e 14 de Setembro de 1977) da qual publico este extracto.)

Vasco Gonçalves explica o antigonçalvismo

-- Creio ser quase desnecessário dizer-lhe que o gonçalvismo – referiu numa voz pausada – foi inventado para que se pudesse utilizar o antigonçalvismo como uma arma da guerra psicológica, como uma arma da luta política e ideológica que a burguesia portuguesa trava contra as classes trabalhadoras e, de modo geral, contra todos os autênticos antifascistas, no sentido de bloquear o processo revolucionário, recuperando-o para o capitalismo. Do ponto de vista da guerra psicológica e da luta ideológica, o antigonçalvismo é um conjunto contraditório de mentiras, de calúnias e de invenções relativas às acções desenvolvidas durante o período mais criador da Revolução do 25 de Abril. O antigonçalvismo é a deturpação total da política dos Segundo, Terceiro, Quarto, e Quinto Governos Provisórios, em particular do Quarto e do Quinto. Do ponto de vista político, o antigonçalvismo é um conjunto de acções que tem por fim ludibriar o Povo português, influenciar a sua consciência, violar os seus sentimentos, com o objectivo final da recuperação capitalista…

-- Começo a compreender… de resto já o professor Jacinto Prado Coelho disse qualquer coisa…?

-- Sim, num artigo que veio a lume no «Diário Popular» há uns meses. Afirmava ele, referindo-se ao «manejo do termo gonçalvismo»: «Variedade de racismo transposto para a esfera político-ideológica, velha receita (depois de tantos ismos que correram Mundo…) para colocar o irracional ao serviço da política, pois dizer gonçalvismo é convidar a não pensar, a não analisar, é produzir uma espécie de choque eléctrico. E todavia o nosso Povo é mais volúvel e irreflectido que maldoso…»

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Ainda estão a tempo


Não é ódio, desprovido que sou de tal sentimento, tampouco raiva que o tempo desvanece. Talvez seja uma parcela de nojo o que sinto. Radica-se no entanto um mal-estar, o desconforto provocado pela diarreia que não se controla ou o fedor nauseabundo que se entranha, perpetua e incomoda.

Ver o nosso país conduzido por estas ferramentas do sistema, entristece. Entristece-nos assistir ao servilismo desses fazedores de recados, e maus actores representando o papel de governantes que seguem à letra o guião imposto pelos agiotas a que alarvemente se submetem.

Esperávamos ouvir gritos viris da intelectualidade e, sempre com as costumadas excepções, escutamos alguns sussurros provenientes de bocejos.

Os “nossos” bem pensantes pensam bem, pensam neles. Não arriscam ficar “sem o pãozinho”* como aconteceu a homens de grande mérito intelectual e de verticalidade insofismável.

Por detrás da sua cobardia aguardam que o povo se rebele e quando se aperceberem que a correlação de forças se alterou aparecerem pressurosos e de punho erguido trauteando “o povo unido jamais será vencido”.

Ainda estão a tempo. Apanhem e acompanhem o descontentamento na paragem da dignidade para não se espalharem no sujo oportunismo ao entrar em andamento no carro do futuro.

* Aos intelectuais que não se vergavam, Salazar ordenava aos seus esbirros: “tirem-lhes o pãozinho, tirem-lhes o pãozinho”. E mesmo sem pãozinho houve quem nunca se rendesse.

terça-feira, 7 de junho de 2011

OS MEDÍOCRES QUANDO EM REBANHO SÃO PERIGOSOS

os medíocres quando em rebanho são perigosos

Vi os resultados eleitorais fabricados pelas oficinas da comunicação dita social e não permitindo que a mediocridade me continuasse a importunar reduzi ao silêncio o televisor.

Olhei em redor e, de entre muitos, fixei-me nalguns livros: «A formação da mentalidade submissa e A intoxicação linguística, ambos de Vicente Romano» «Reflexões sobre a vaidade dos homens de Matias Aires (1750)» «A Arte de Furtar do Padre Manuel da Rocha (1650)» e porque os medíocres “quando em rebanho são perigosos” e a mediocridade é virulenta, fixei-me no «El hombre medíocre de José Ingenieros (1915)»

E fui relendo:

«A mediocridade é moralmente perigosa e globalmente nociva em certos momentos da história em que reina o clima da mediocridade.

Épocas há em que o equilíbrio social se inclina em seu favor. O ambiente torna-se refractário a todo o anseio de perfeição; os ideais esgotam-se e a dignidade ausenta-se; os homens acomodatícios têm a sua primavera florida. Os Estados convertem-se em mediocracias; a falta de aspirações, que mantenham um alto nível moral e cultural aumentam continuamente o lamaçal.

Embora isolados passem despercebidos, em conjunto constituem um regímen, representam um sistema especial de interesses inalteráveis. Subvertem a escala de valores morais, falseando nomes, desvirtuando conceitos; pensar é um desvario, a dignidade é irreverência, é lirismo a justiça, a sinceridade é tontice, a admiração uma imprudência, a paixão ingenuidade, a virtude uma estupidez.

Vivem da mentira, nutrem-se dela, semeiam-na, regam-na, podam-na, e colhem-na. Assim cresce um mundo de valores fictícios que favorecem o horizonte dos obtusos.»

Fechei o livro e abri ainda mais o leque das preocupações.

domingo, 5 de junho de 2011

Abriu a caça

20 horas 5 de Junho de 2011

Não podemos deixar que proliferem

São uma praga, destroem searas, arrasam hortas e transformam em Ministérios as tradicionais louras ou tocas. Vêm sôfregos, maxilares em perpétuo movimento, não podem parar de roer para que lhe não cresçam os dentes. É de sua condição, ou como modernamente se designa, está no seu ADN.

Lancem-lhes os furões habilitados a exercer controle sobre este flagelo que tem o seu habitat na banca ou onde quer que se encontrem grandes fortunas.

À falta de melhor os gatos são destros a caçar os láparos.

Mas, somos nós que lhes devemos estender as armadilhas, organizar as lutas que os espante ou não os deixe dormir tranquilos. Não há tempo a perder, o perigo e a praga assim o exige.

Estejam atentos aos Meios de Intoxicação Social que os tratam com desvelo dando-lhes cobertura.

A mediocridade mantém-se no poder

sexta-feira, 3 de junho de 2011

LIBERDADE DE OPÇÃO

é nos momentos mais dificeis que nos devemos afirmar

LIBERDADE DE OPÇÃO

ORGULHOSO PELA COERÊNCIA

EU CONTINUO A VOTAR

CDU

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Povo está farto de quê e de quem?



DISCURSO INDIRECTO

“O engano vestido de eloquência, e arte, atrai, e a verdade mal polida nunca persuade.”

Matias Aires

É uma minúscula Freguesia de um pequeno Concelho; e este microcosmo social e político absorve e cultiva toda a retórica e esmiuça as subtilezas da arenga política, nascida e levedada nos laboratórios das grandes urbes.

A campanha eleitoral vai demarcando o seu espaço ideológico, delineando estratégias, marcando ritmos. Abertas e orgulhosamente claras, ou vergonhosa e envergonhadamente encapotadas e obviamente torpes, as mensagens aí estão.

Cada vocábulo é um projéctil concebido à medida do alvo a atingir; a tortuosidade implícita nas frases ambíguas abre espaço à lengalenga enfadonha de lugares-comuns e, pior ainda, o não dito de raiz venenosa lança a dúvida contra a qual não há defesa possível.

A trapaça, porque poluente, envolta em plásticos sujos de meias verdades, ou como Óscar Lopes tão bem a observa e define: “a consciência de que a intrujice ideológica, ou outra, actua quase sempre, não pela mentira em estado puro mas por meios de composição ou montagem, empolando pequenas coisas e minimizando as realmente características”, espalha-se qual mancha de óleo.

E os tartufos, usando argumentos sinuosos, deliberadamente imprecisos, jogam com subentendidos de difícil, se não impossível descodificação; apresentam-se, normalmente, como ignorantes na matéria que eles próprios chamam à liça; assumem-se como não participativos, e para estes farsantes, todo o cidadão que se disponibiliza para cooperar na vida democrática é de imediato rotulado: “são todos iguais”, intróito-escudo à prova de toda ou qualquer tentativa de conversa ou discussão coerentes.

Curioso é observar que epítetos como “são todos iguais ou o que eles querem é tacho” surgem nos locais onde é fraca a implantação das forças afectas a quem utiliza este discurso e, dada a incapacidade de pugnar por propostas justas, enveredam pelo trabalho de sapa, procurando minar o terreno alheio.

Estas calúnias, sem ponto de mira nomeado, mas de alvo bem definido, têm raízes profundas que buscam o seu sustento nas fossas do antigamente. Por curioso que pareça, não conheço alguém que tivesse sido incomodado por achincalhar a política e demonstrar desdém por esta actividade. Era furiosamente perseguido quem ousasse criticar os governantes, mas nunca por denegrir os políticos e muito menos a actividade política em geral.

Na impossibilidade de, abertamente, defender a política que sufragam nas urnas, há quem enalteça os movimentos de cidadania. Descoberta relativamente recente desta nossa qualidade de sermos cidadãos onde quer que estejamos, ou tentativa grosseira para fomentar o individualismo e esvaziar de conteúdo ideológico de quem quer que de boa fé os acompanhe.

Em minúsculas Freguesias ou Concelhos, no País, as populações desmobilizam. O terreno é propício à abstenção. Depois, depois os mesmos que propagam a confusão, ufanos, repetem a ladainha de que o povo está farto.

Farto de quê, e de quem?

terça-feira, 31 de maio de 2011

Para quando o Dia Mundial dos Monstros?

O desvelo que Israel nutre pelas crianças palestinas

Dia Mundial da Criança


Madeleine Albright, então embaixadora dos EUA na ONU, no programa “60 Minutos” entrevistada pela jornalista Lesley Stahl, sobre o embargo dirigido pelos EUA ao Iraque:

-- Lesley Stahl “Soubemos que já morreram meio milhão de crianças. Isto quer dizer, mais do que as que morreram em Hiroshima. E, a senhora, acha que valeu a pena este preço?

-- Albright respondeu: “ Penso que é uma escolha muito difícil de fazer, mas quanto ao preço… pensamos que o preço valeu a pena.”

«500 mil crianças mortas devido ao embargo… valeu a pena!»

Para quando o Dia Mundial dos Monstros?

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Os troikos

o da extrema-direita nem quer ver
o Barbas recusa-se a ouvir
e o do meio já nem ouve nem vê
a tontinha lá do fundo ri
Entretanto

40% das crianças portuguesas encontram-se em situação de pobreza. E o Partido dito Socialista apresenta-se ao eleitorado para continuar a aprofundar a fome.

domingo, 29 de maio de 2011

A NOSSA ÁGUA, A NOSSA VIDA!

Associação Água Pública
APELO
No dia 5 de Junho
DEFENDER A ÁGUA DE TODOS COM O VOTO


Demolidas que estão as barreiras legais à privatização da água, é imperioso dar a força do voto a quem, com provas dadas, seguramente use essa força na defesa da água de todos, da universalidade da sua fruição, da propriedade e gestão públicas da água.

O PSD inscreveu no programa eleitoral a privatização do grupo "Águas de Portugal" (AdP), o que já constava em 2004 de uma Resolução de Conselho de Ministros do governo PSD/CDS e em 2008 o governo PS iniciou na prática, privatizando as dez empresas concessionárias de serviços de águas incluídas na Aquapor. A privatização da água, toda a água, é um plano comum ao PS, PSD e CDS, há longo tempo acalentado e prosseguido pelos mesmos três partidos que agora assinam em conjunto o acordo com a "troika", unidos e solidários como sempre têm estado na submissão aos interesses do capital transnacional.

Em contracorrente com a tendência de reversão das privatizações da àgua que se verifica por todo o mundo por exigência das populações, como são exemplos as remunicipalizações na Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália e nova legislação para assegurar a água pública na Holanda, no Uruguai e na Bolívia, PSD, PS e CDS activa e persistentemente, na sintonia de quem subservientemente cumpre as ordens dos mesmos senhores, instalam em Portugal o "mercado da água", eufemismo para os grandes negócios especulativos que alimentam as poderosíssimas transnacionais do sector, as usuais destinatárias das "ajudas"do FMI nos mais tenebrosos casos de privatização da água.

PSD, PS e CDS,
em uníssono na Assembleia da República, alternadamente no Governo, localmente nos Municípios, porfiam há longo tempo nesse intento. Hoje a situação é gravíssima e já se iniciou o passo final para entregar à especulação financeira privada o controlo do abastecimento de água e saneamento de quase todo o país, que foram arrancando aos serviços autárquicos e se concentraram agora em Sociedades Anónimas do Grupo Águas de Portugal.

Enquanto os capitais forem exclusivamente públicos, o avançadíssimo processo de privatização é facilmente reversível por uma mudança política. Se a transacção de capitais se realizar, a reversibilidade torna-se muito mais difícil e mais onerosa.

Na privatização da
água como na submissão à "troika", o PS, o PSD e o CDS constituem um bloco uno, nenhum deles é "oposição".

Mas há oposição em Portugal, oposição que na Assembleia da República, nas Autarquias, nos locais de trabalho, nos sindicatos, nas associações e na rua, tem combatido incansavelmente estas políticas, defendido a água de todos e o interesse comum, apresentado propostas sólidas e viáveis e trabalho conhecido das populações, nomeadamente nos serviços de água.

Há outro caminho.
Nas eleições legislativas cada voto irá dar um poder de privatização ou dará um poder de defesa do bem comum.


APELAMOS AO VOTO NO DIA 5 DE JUNHO, EM DEFESA DO DIREITO À ÁGUA, CONTRA A PRIVATIZAÇÃO E OS SEUS PROMOTORES, PS, PSD e CDS.
FOI POSSÍVEL NO URUGUAI, FOI POSSÍVEL NA BOLÍVIA E FOI POSSÍVEL NA ISLÂNDIA.
EM PORTUGAL É POSSÍVEL!


Lisboa, 27 de
Maio de 2011

A Direcção da
Associação Água Pública