sábado, 17 de dezembro de 2011

O caminho está na revolta

O caminho está na revolta

Abrem-se os jornais como quem despoleta uma granada. Entramos nas notícias açulados por matilhas de cães de fila. Analistas vomitam-nos crónicas nauseabundas. Os periódicos ditos de referência, são os porta-vozes do poder instituído, marioneta dos banksters que se dissolvem em múltiplas siglas.

Diariamente, as “medidastomadas surgem em catadupa e com tal agressividade, que ainda mal nos apercebemos dos seus malefícios, outras nos são metralhadas. Os cronistas-analistas desta guerra suja, surgem de imediato explicando que se tratou de um ataque cirúrgico e os efeitos colaterais são mínimos. Que tudo quanto foi destruído é para bem da população. Ensinando-nos, deste modo, a compreender e aceitar a guerra criminosa que nos estão movendo.

Fábricas e comércio fecham as portas lançando milhares de trabalhadores no desemprego para, segundo eles, criar mais postos de trabalho. A electricidade vai aumentar 25% cortando, mais ainda, as pernas à tão badalada competitividade.

E nesta democracia imposta por plutocratas, não nos é concedida a palavra que poderá ser de revolta.

Tudo, absolutamente tudo o que esta gente de má índole nos tem infligido, provoca sofrimento. Nada, absolutamente nada que nos é imposto resulta em nosso proveito, provocando precisamente o seu contrário.

Não se encontra uma únicamedidaque nos esperança. E se o dia a dia é doloroso o futuro apresentasse-nos tétrico.

Estão-nos minando a vida, sem a mínima réstia por onde se possa vislumbrar um grão de sensibilidade.

nos resta organizar a revolta a que temos direito. Direito e dever de todos os oprimidos.

É direito e necessidade premente!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

VAMOS ANDANDO…

acordai!
lutai!

(desenhos de Lima de Freitas)

VAMOS ANDANDO…

Interiorizámos o sebastiânico nevoeiro, bruma que sempre nos envolveu a esperança e, assim, “vamos andando”. “Vamos andando…”, expressão do nosso dia a dia que retrata o ramerrão que nos oprime.

A vida é assim… Pois é, responde o outro, afogado na sua ronceirice.

E neste nosso fatal fatalismo, já nem vamos andando, deslizamos, escorregamos ao sabor da inércia. “O que é que se há-de fazer?...”

Somos assim ou desejam-nos deste modo? se assim fossemos, como justificar o desabrochar das nossas capacidades e o reafirmar da nossa personalidade quando, noutras paragens, somos chamados a pôr à prova os nossos méritos?

Afogamos a nossa auto-estima no “lá terá que ser”, quando não no desleixo que expressa o “quero lá saber” ou no enjoado, “pois, pois…”

Deixámos de assumir as convicções que nos restam; de ombros descaídos caminhamos para uma auto-castração que leva ao cinzentismo que desagua na neutralidade, lugar seguro que permite cair para a direita ou esquerda, conforme soprem os ventos, podendo, assim, mais facilmente, rejubilar por oportunismo ou vaidade com as vitórias dos clubes ou partidos que estejam na mó de cima. Exultam-se as virtudes alheias porque deixámos de acreditar em nós próprios.

Bons, valorosos, foram os nossos antepassados. Onde está o homem capaz de manejar a espada de D. Afonso Henriques? Onde?! Esse é que era destemido! E o Navegador? imponente em Sagres sonhando “O globo mundo em sua mão”, como nos diz Fernando Pessoa.

Pobres de nós, tão mesquinhos frente aos nossos “egrégios avós”!

Ninguém sabe onde pára a espada de D. Afonso, e nada nos permite crer que o Navegador tivesse estado em Sagres. Remetem-se, pois, os nossos feitos para um mítico passadismo, desvalorizando o presente.

No hoje que estamos vivendo, espezinha-se a inteligência colectiva, desvaloriza-se a criatividade, abafa-se tudo o que nos possa enaltecer para não termos a veleidade de assumir as nossas capacidades para intervir e fazer mudar o rumo da história, sabendo-se como se sabe, ou se deveria saber, que os grandes saltos históricos tiveram sempre o povo como seu principal intérprete. Um perigo!

Pretendem-nos um povo mendicante que estenda a mão e não levante o punho. Um povo que respeitosamente solicite e não se atreva a impor o lugar que lhe cabe na história. E porque a dependência é submissão fazem crer que o Estado lhes pertence e tudo o que dele obtemos é por bondade sua e não por direito próprio e inalienável.

Acordai
acordai
homens que dormis
a
embalar a dor
dos
silêncios vis
vinde no
clamor
das
almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas
multidões
vinde
incendiar
de
astros e canções
as
pedras do mar
o
mundo e os corações

Acordai
acendei
de
almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai
depois
das
lutas finais
os
nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

Poema de José Gomes Ferreira

(música de Fernando Lopes Graça)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O trapaceiro-mor

O homem está constrangido, é mais do que evidente que não procura protagonismo e que foi forçado a se exibir. Este sujeitinho, é a coqueluche dos mídia, e sempre que as derrapagens sociais se aceleram, vão à procura do seu último arroto.

“Subiu para o tanque com relutância”. Traste!

Do recente livro de Mário Soares, extraio a seguinte passagem (sublinhados meus): «(...) À saída do aeroporto estava uma pequena multidão à espera de Cunhal. E, paradoxalmente, havia um tanque estacionado. Para quê pensei eu? Cunhal subiu para o tanque e, salvo erro entre um soldado e um marinheiro, retirou um discurso do bolso e começou a falar. Um dirigente comunista, que não recordo quem fosse, convidou-me a subir para o tanque o que fiz com alguma relutância, diga-se. Quando Cunhal se apercebeu que eu estava ao lado dele, disse qualquer coisa a um camarada, o qual pouco depois me pediu para descer porque - como disse - houve um equívoco. Desci com grande gosto, porque percebi o cenário: Cunhal entre um soldado e um marinheiro, em cima de um tanque, era algo que lembrava Lènine, no seu regresso a Moscovo...(pág. 183)»

Quanto à "pequena multidão", publicarei em breve as fotografias.

Mas reparem na sequência da exposição:

- Cunhal subiu para o tanque

- retirou o discurso do bolso e começou a falar

- enquanto falava um dirigente comunista convidou-o a subir

- quando o Cunhal se apercebeu que estava ao lado dele, disse qualquer coisa a um camarada, o qual lhe pediu que descesse.

Se o Álvaro Cunhal estava a falar quando subiu e logo depois desceu, como justifica a sua intervenção e o tão grande entusiasmo?

Eu justifico: Soares é um despudorado trapaceiro!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Eutanásia não assistida

O preço das consultas nos hospitais vai triplicar

Ouvem bem com os olhos? TRI-PLI-CAR!...

O Tribunal Constitucional esclarece que o Governo está “muito longe de esgotar o ‘plafond’ de crescimento das taxas moderadoras” aplicadas no SNS, e o Primeiro-ministro, escorado por um organismo que desconhece a nossa Constituição, afirma quemargem para subir mais as taxas moderadoras.

O Primeiro-ministro diz ainda que este crime não vai afectar o acesso à saúde, e que “o Governo está absolutamente confortado com a propostafeita pelo ministro da Saúde.

O criminoso, olha para as vítimas, e sente-se confortado, sabendo que grande parte dos portugueses não compram os medicamentos que lhes são prescritos e, muitos nem sequer têm dinheiro para se deslocarem às consultas.

Promovem um novo modelo de ‘eutanásia não assistida’ com o consequente sofrimento prolongado. Os novos bárbaros, como bárbaros que são, sentem-se “absolutamente confortados”.

Fixem estes rostos, não esqueçam o que nos estão fazendo. E não esqueçam também os “analfabetos políticos” – para não lhes chamar cretinos - que neles votaram e que, muitos deles, também estão colhendo o que semearam.

Por este andar pouco falta para os ver de braço estendido ganindo: Deutschland über alles

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A EURO-SARNA

Não! Não queremos sair à papo-seco nem despedirmo-nos à francesa, tampouco aceitamos que, depois de nos usarem, sejamos escorraçados.

A saída do Euro deve ocorrercom compensações” afirmou a eurodeputada do PCP, Ilda Figueiredo.

E mais disse: “A saída da Zona Euro devia ser negociada com compensações ao País por aquilo que nos roubaram” e reafirmou “ compensações por aquilo que nos roubaram e com alterações de outras políticas, desde a agricultura, às pescas e à indústria, podendo o Pais, de imediato, começar a produzir para diminuir o seu défice”. E sem papas na língua continuou: “Perdemos em competitividade entre 30 a 40 por cento. Isto teve custos muito sérios para o país e agora o País deve ser compensado por isso ter acontecido”.

E agora, para os mais distraídos e/ou manhosos, é bom não esquecer que o PCP, foi o único partido que votou contra a entrada de Portugal na moeda única.

É verdade! E na altura a alcateia uivou. Hoje, de orelhas caídas e lamentosos latidos e cauda entre as pernas, não sabem como se livrar da euro-sarna.