segunda-feira, 25 de março de 2013

Insubmissos e organizados


Há os lamurientos de braços caídos a carpir as agressões a que estamos sujeitos. Que não podemos fazer nada; que a correlação de forças nos é desfavorável; que seja o que deus quiser, se quiser, e o melhor é irmos vivendo um dia de cada vez. Conversa dos que deixam aos outros a resolução dos seus problemas, colhendo os bons resultados se os houver e criticando o esforço dos que lutando não lhes levam a satisfação desejada.

também os mata-esfola. Que isto vai à bomba, que este povo não se mexe e tem o que merece, blá-blá-blá; se eu tivesse uma G3, blá-blá-blá. Os sindicatos da CGTP e o PCP é que andam a encravar tudo isto, blá-blá-blá.

Temos também os apressados. Que resolvem participar nas manifestações, desde que sejam espontâneas, voltando para casa a tempo de ver o telejornal e assistir à queda do governo.

E há os que se agrupam, se organizam, não desistem e que sabem que o povo consciente lutando pode encontrar soluções para os seus problemas.

Os números não são da CGTP, foram publicitados pelaPolícia de Segurança Pública” e referem-se a Lisboa. Das 600 manifestações, três ou quatro teriam sido espontâneas convocadas pela comunicação social. Sim, pretendem ter como referência a espontaneidade, a bagunça que leva à desilusão e ao desespero. Organizados, os que nos exploram.

Quase duas manifestações por dia. Não acredito que em qualquer capital de um outro país a movimentação de massas tivesse atingido semelhante volume. Infelizmente!



sexta-feira, 22 de março de 2013

Óscar Lopes na Cooperativa Piedense

Faleceu Óscar Lopes
wikipédia (aqui)
"Na biblioteca da Cooperativa Piedense"

A genese do titulo deste blogue”

«AS PALAVRAS SÃO ARMAS»

Era uma da manhã quando tivemos que dar por terminado o colóquio que Óscar Lopes tinha vindo fazer à Piedade. Ali na sala do café, mantinha-se sem arredar , um público composto por trabalhadores, cuja média de instrução oficial não devia ir além da quarta classe e Óscar Lopes com um entusiasmo contagiante procurava fazer-se entender. “Se não me compreenderem, sou eu que não me sei fazer entender”, dizia-nos. E mais do que os ensinamentos sobre literatura, frases como estas ficavam a vibrar nos nossos sentidos, acostumados que estamos à imbecilidade reconfortante dos que “sabem” tudo e à arrogância daqueles, para quem, no pedestal da sua sapiência todos os outros são asnos.
 "Óscar Lopes na apresentação do livro de Almeida Faria, Cooperativa Piedense 1966/7"
Óscar Lopes sabia que não é tempo perdido passar uma noite entre trabalhadores para quem a literatura depois de um dia de árduo trabalho não deve ser coisa fácil, que elucidar é tarefa difícil mas necessária. E porque eram trabalhadores os que ali se deslocaram, o facto de ali estarem era razão de sobra para se respeitar esse esforço e a vontade de querer ir mais além.
E ciente do manancial de verdade que existe em nós, falou-nos das palavras, que devíamos conhece-las, que as palavras são armas, com palavras também se consegue muita coisa e nós redobrámos o nosso esforço e interesse em saber utilizá-las, e fizemos trincheiras de frases  e atirámos palavras as mais explosivas e passámo-las a outros a quem incitámos a ir mais além, e procurámos compreende-las e saber porque é que nos cortam a palavra logo no princípio do discurso e também porque é que somos por vezes obrigados a falar por monossílabos, por gestos, por gritos.

É também pela palavra que procuramos comunicar o que em nós existe de verdade.

Ao sairmos da sala, passámos em frente da vitrina onde tínhamos expostos todos os seus livros, alguns muito pequenos e simples certamente feitos a pensar em nós. E Óscar Lopes indicava-nos a sequência em que deveriam ser lidos: primeiro aquele, depois o outro e depois aqueloutro…

Mais tarde fomos falar com alguém que nos tinham indicado e de quem nos disseram “que sabia umas coisas de cinema”, Convidámo-lo a fazer um colóquio na Cooperativa Piedense e aceitou em ajudar-nos. Tinha chegadopouco tempo a Lisboa e quando lhe dissemos de onde vínhamos disse-nos que não sabia onde era a Cova da Piedade mas tinha tido conhecimento que o Óscar Lopes tinha estado e era também por isso que aceitava sem reservas o nosso convite.

AS PALAVRAS SÃO ARMAS E O EXEMPLO TAMBÉM, APRENDERMOS A SERVIR-NOS DELAS NO BOM SENTIDO, DE UM MODO CLARO E SIMPLES, SERÁ ENTRE OUTRAS UMA FORMA DE HOMENAGEAR ÓSCAR LOPES MAS SOBRETUDO SEGUIR AQUILO QUE DIZEMOS PARA SERMOS O QUE ESPERAM DE NÓS.

(publicado no "A Opinião" em 1973 com cortes da censura)

quinta-feira, 21 de março de 2013

21 de Março – Dia Mundial da Poesia

POESIA É VOAR FORA DA ASA
Manoel de Barros
  
Mas também é viver com os pés e o coração bem firmes na terra.
INTERMEZZO

Hoje não posso ver ninguém:
sofro pela Humanidade.
Não é por ti.
Nem por ti.
Nem por ti.
Nem por ninguém.
É por alguém.
Alguém que não é ninguém
mas que é toda a Humanidade.
António Gedeão

quarta-feira, 20 de março de 2013

20 de Março, DIA MUNDIAL DA FELICIDADE

Felicidade!
Vamos lutar por ti.
Após grandes lutas, enormes sofrimentos, recuperámos-te, Felicidade/Abril, e o odor dos teus cravos vermelhos é memória. A solidariedade o teu húmus.
Vamos libertar-te de novo, não baixaremos os braços.

terça-feira, 19 de março de 2013

A GOVERNADORA




Não é uma montagem. As imagens como os textos também podem ser amputadas para mais se aproximarem da realidade.

A governadora está na sua verdadeira tribuna. Ela manda, impõe, instrui, organiza a seu bel-prazer. Ela é objectivamente o “Governo de Portugal” e não se esforçou por usurpá-lo, foi-lhe oferecido como acto de gratidão pelo muito que tem feito e continua a fazer por todos nós. falta a estátua que será batida com o dinheiro de uma colecta pública.

Os portugueses que têm votado PS/PSD/CDS devem fazer mais este pequeno esforço, e que o PAPA-XICO os abençoe.
 
A CGTP convocou uma "marcha contra o empobrecimento", a decorrer de 6 a 13 de abril "em todos os distritos do continente e nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira".

segunda-feira, 18 de março de 2013

18 Março 1871 aniversário da Comuna

Louise Michel

Os cravos Vermelhos

Quando eu for para o negro cemitério,
Irmão, lança sobre a tua irmã,
como uma última esperança,
cravos vermelhos em flor.

Nos últimos dias do Império,
Quando o povo despertava,
Vermelho cravo, foi o teu sorriso
A dizer-nos que tudo renascia.

Hoje, vai florir na sombra
Das negras e escuras masmorras.
Vai florir junto do triste cativo
E fala-lhe de todo o nosso amor por ele.

Diz-lhe que não falta muito
Para sermos donos do futuro.
Que o vencedor de fronte lívida
Mais que o vencido há-de morrer.


Les Œillets rouges

Si j’allais au noir cimetière,
Frère, jetez sur votre soeur,
Comme une espérance dernière,
De rouges œillets tout en fleurs.

Dans les derniers temps de l’Empire,
Lorsque le peuple s’éveillait,
Rouge œillet, ce fut ton sourire
Qui nous dit
que tout renaissait.

Aujourd’hui, va fleurir dans l’ombre
Des noires et
tristes prisons.
Va fleurir près du captif sombre,
Et dis-lui bien
que nous l’aimons.

Dis-lui
que par le temps rapide
Tout appartient à l’avenir
Que le vainqueur au front livide
Plus
que le vaincu peut mourir.

Louise Michel
(declaração de amor e carta de despedida ao seu companheiro fuzilado).
Professora, poetisa, escritora e combatente communard.