Do FB sem autorização
Apelar ao voto seguro é, hoje, uma decisão
defensiva. Não porque represente esperança, mas porque o outro campo político
encarna obscurantismo, oportunismo e uma deriva autoritária que instrumentaliza
o medo e o ressentimento. Perante isso, é necessário puxar o travão de
emergência, um gesto mínimo para impedir um retrocesso civilizacional mais
profundo. Não é um voto de entusiasmo, é um voto de contenção, feito apenas por
receio e não por convicção.
Não nos iludamos. Mesmo vencendo o “mal menor”,
não se abre aqui uma presidência alinhada com os interesses de quem trabalha. A
chefia do Estado, tal como se desenha, continuará a funcionar dentro dos
limites estruturais do poder existente, respeitando a arquitetura económica
dominante e garantindo a estabilidade necessária à reprodução desse modelo. Não
há sinais de que venha a confrontar politicas de fundo, como por exemplo o
pacote laboral do governo, muito menos a questionar a lógica de precarização,
flexibilização e desvalorização do trabalho que atravessa todo o regime
político atual. A neutralidade institucional, tantas vezes celebrada, é na
prática cumplicidade com a correlação de forças existente.
É precisamente aqui que a decisão revela o seu carácter histórico trágico. Vota-se para evitar o pior, sabendo que o essencial permanece intocado. O conflito entre capital e trabalho é empurrado para fora do horizonte político, tratado como excesso ou anacronismo, enquanto se pede contenção a quem já vive contido. A escolha não é entre projetos de transformação, mas entre diferentes formas de gestão da mesma ordem social. Este voto defensivo não é derrota moral, é o retrato cru de um tempo em que as classes dominantes conseguiram impor os seus limites como se fossem os limites do possível. E reconhecer isso é o primeiro passo para não confundir sobrevivência com emancipação.
UNI-VOS!
1 comentário:
É isso. Não vamos votar Seguro para mudar alguma coisa, votamos para não perder tudo com o "outro". Acho que a maioria entendeu isso.Abraço.
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