A verdade,
a verdadinha nua e crua, é que a preocupação do governo
quanto a ecologia
está nos lucros
que oferece às grandes
superfícies e aos impostos
que arrecada, e, como
sempre,
o ónus recaia sobre os mesmos.
Em breve
descobrirá, se o lobby
das celuloses assim
o permitir, que
os eucaliptos são
um perigo
para o ambiente,
e teremos impostos sobre
os sacos de papel.
E de imposto em
alcavala, dentro
em pouco
teremos de ir às compras
com sacos
Louis Vuitton, basta que Vuitton o exija.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
quinta-feira, 9 de abril de 2015
ATOLEIROS OU ATOLADOS?
Atoleiro:
Situação difícil,
embaraço de que
não é fácil
sair,
conduta que
resulta no mal; vício,
devassidão
Atolados estamos
na ‘situação difícil’
em que
nos encontramos e na ‘devassidão’ que
impera na classe dirigente.
Passos não
refere a Revolução de 1383 magistralmente analisada por
Vasco Gonçalves,(aqui) cujo
nome lhe
faz recordar o 25 de Abril
e certamente o indispõe, prefere os Atoleiros à revolução
popular.
Este pequeno texto lido aos militares
é o genuíno decalque
das “Conversas em
Família” de Marcelo Caetano. Impressionante como
num pequeno texto
encontramos todos os estigmas do fascismo.
São os apelos
à nossa história,
recordar o passado,
abrir uma página
da nossa história, a força
da nossa alma;
imagens despidas de conteúdo
que vamos encontrar
nos salazarentos livros
de leitura da terceira-classe.
A vacuidade como
marca de classe.
* * *
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Manifestos e Manifestantes
Professores universitários,
na sua quase
totalidade, assim
como outros
intelectuais de nomeada, divulgam manifestos apelando à unidade
da esquerda, como
se a esquerda vivesse e se esgueirasse por entre
neurónios cultivados em mentes literatas.
Porque surdos ou distraídos, não ouvem os protestos
recentes que
a ‘intoxicação social’
esconde avaramente, mas
que não
escapam aos mais atentos.
Estudantes e agricultores manifestaram-se. Greves na CP e na Jado Ibéria assim como a Dyrup.
Na LBC Tanquipor a greve foi
suspensa, mas os trabalhadores
nos hotéis Tivoli (Lisboa, Jardim, Sintra e Seteais) fizeram greve.
Num plenário sindical da Hotelaria da RA da Madeira
foi convocada greve para
os dias 18 e 19 de abril.
Os trabalhadores da Patiner em Mangualde paralisaram e na ZAS Transportes e Logística
em Vila
do Conde e no Grupo
Transportes Nogueira. Nas minas
da Panasqueira a luta acelera. Dirigentes Sindicais dos Têxteis
manifestaram-se em Famalicão junto à Riopele. Greve
Na Prosegur. O SC Braga foi condenado a reintegrar
trabalhadores e a Unicer foi obrigada a assinar contratos efetivos
com dois trabalhadores.
Não redigiram manifestos,
lutaram unidos, manifestaram-se
Para os bem-pensantes, greves
e lutas são
uma chatice, é necessária
organização e trabalho.
Para quê tanto chinfrim
se tudo se pode resolver
nos intervalos
das aulas, em
amena cavaqueira, na cantina
da universidade?
Está
na hora, dizem eles,
sem se aperceberem que
chegam sempre atrasados.
«GRANDE PARTE DOS INTELECTUAIS TRANSPORTAM CONSIGO O ESTIGMA DE CLASSE, TALVEZ GOSTASSEM DE COMPREENDER, MAS NÃO CONSEGUEM. SE OU MENOS FIZESSEM UM ESFORÇO!...»
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Nada é eterno…
Nada é eterno…
“e como o homem de
si nada
tem próprio, claro
está, que os acrescentos haõ de ser alheios”
Arte de Furtar
O Primeiro-Ministro
diz-se vítima de uma ‘campanha’; O VIP Núncio
fala numa ‘campanha
orquestrada’ para destruir
o seu bom-nome, mas
não vai além
disso. Os pescadores desde sempre em companha, queixam-se dos maus
ventos da governança. Acampados no poder, os que vivem
do erário fazem campanha
por quem
melhor lhes
pague e têm sempre disponível
um ‘D’ para juntar ou retirar às sigla PS ou PSD, quando a
ocasião o exija.
Sempre que a acusação
é grave e a defesa
débil em
provas e argumentação,
os inquiridos, como qualquer
cefalópode nas fugas
às arrecuas, ocultam-se por detrás das expressões
‘cabala ou
campanha orquestrada’ como camuflagem
para se esgueirarem até
encontrarem abrigo de ocasião.
O “diz-me com
quem andas
dir-te-ei quem és” não
se aplica às altas individualidades,
e quando digo altas
não indico parâmetros
porque Lilipute seria possivelmente o paradigma. Se as suas
relações políticas
de negócios ou
de afectos vogam na promiscuidade entre escroques
e falsários, não
é de bom-tom extrair
daí quaisquer ilações. Se num curto espaço de
tempo os indiciados encheram a burra de milhões, todos eles se
eriçam sempre que
é proposto que o sigilo
bancário seja levantado. Não é permitido
pôr em dúvida que os milhões acumulados não
sejam fruto de trabalho
esforçado ou de negócios
lícitos, mas
se alguém os questiona, candidamente, se
lhes saiu o “euro-milhões”, arrasam o interpelante, acusando-o de fomentar
uma “campanha negra”
e, de notória má-fé,
fazer insinuações
que abrem o caminho
à difamação e a torpes
calúnias.
Quem se atreve a
duvidar de alguém
que se publicita como
honesto e que
até prova em contrário somos
obrigados a não
incriminar? Isto
acontece mesmo que
qualquer imbecil
chegue à conclusão que
se um borra-botas
que pouco
ou nada
tinha de seu
e, de um momento
para o outro,
aparece rico como
Crésus, sem justificar
a origem de tamanhos
bens.
Os criminosos
impuseram os off-shores e os políticos no poder legislam
em conformidade
com os seus
interesses. Todos
sabemos que assim
é; de tal modo
que se encara este
tipo de criminalidade
como algo
de inevitável, não
pela impotência
em a combater,
mas já
como poder estruturado
para ser respeitado.
As burlas encontram-se tão disseminadas e publicitadas, atingindo montantes de tal
modo astronómicos, que
nos devíamos envergonhar,
não de vivermos num país
onde os burlões se encontram instalados em altos níveis da administração,
mas da nossa
inacção que nos
coloca como coniventes porque a nossa passividade pode reflectir consentimento.
NÃO SOMOS PASSIVOS!...
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Os signatários e o seu pólo
Os signatários (aqui)
estão indignados - o que é natural. Constatam que
a degradação social
é preocupante e que, face à austeridade
imposta, “à esquerda,
quando é precisa
convergência, acentuam-se as dissensões”.
Os signatários “ouvem vozes de conformismo”
e “quando
é preciso esquerda,
ouvem que é a vez
do centro”, mas
não ouvem as lutas que
diariamente se manifestam por todo o país, que vão das greves a reivindicações várias ou
às manifestações de repúdio
pela política
de direita. Os signatários
ignoram o mundo do trabalho
e as suas organizações,
génese da esquerda que
sabem existir e sem
a qual a esquerda
que sugerem não
passa de um
bluff.
A esquerda
dos signatários é uma entidade difusa
transversal a bem-pensantes monologando
à mesa de café.
São vários os exemplos
por toda
a Europa de terapias prescritas para fortalecer as esquerdas que,
insensatas, engoliram o óleo de rícino que lhes causou cólicas
de que ainda
se queixam.
“Que só a esquerda
pode salvar Portugal”, dizem – e isso é mais do que evidente - mas os signatários
ignoram ou esquecem o essencial: só uma
política de esquerda
pode salvar Portugal! Aglutinar
siglas que
se denominam de esquerda sem se definir a política que
propõem é a morte anunciada de qualquer
convergência, e que
os signatários de formação
académica relevante sabem ou fazem por ignorar.
“O pólo
das esquerdas unidas” traz consigo uma alteração significativa:
aparece pela primeira
vez neste tipo
de manifestos, que
primam sempre por
grande imaginação,
o substantivo pólo.
Pretendem que
o “pólo” entre
no jogo eleitoral
que se aproxima, e sendo o pólo um jogo de elite a
que os trabalhadores
não têm acesso,
os signatários devem ter
dificuldade em
formar equipa embora
não lhes
faltem cavalos, mesmo
de Troia.
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