sexta-feira, 10 de abril de 2015

Sobre a nudez forte da verdade….


A verdade, a verdadinha nua e crua, é que a preocupação do governo quanto a ecologia está nos lucros que oferece às grandes superfícies e aos impostos que arrecada, e, como sempre, o ónus recaia sobre os mesmos. Em breve descobrirá, se o lobby das celuloses assim o permitir, que os eucaliptos são um perigo para o ambiente, e teremos impostos sobre os sacos de papel. E de imposto em alcavala, dentro em pouco teremos de ir às compras com sacos Louis Vuitton, basta que Vuitton o exija.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

ATOLEIROS OU ATOLADOS?


Atoleiro:
Situação difícil, embaraço de que não é fácil sair,
conduta que resulta no mal; vício, devassidão
Atolados estamos na ‘situação difícil’ em que nos encontramos e na ‘devassidão’ que impera na classe dirigente. Passos não refere a Revolução de 1383 magistralmente analisada por Vasco Gonçalves,(aqui) cujo nome lhe faz recordar o 25 de Abril e certamente o indispõe, prefere os Atoleiros à revolução popular.
Este pequeno texto lido aos militares é o genuíno decalque das “Conversas em Família” de Marcelo Caetano. Impressionante como num pequeno texto encontramos todos os estigmas do fascismo. São os apelos à nossa história, recordar o passado, abrir uma página da nossa história, a força da nossa alma; imagens despidas de conteúdo que vamos encontrar nos salazarentos livros de leitura da terceira-classe.
A vacuidade como marca de classe.

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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Manifestos e Manifestantes


Professores universitários, na sua quase totalidade, assim como outros intelectuais de nomeada, divulgam manifestos apelando à unidade da esquerda, como se a esquerda vivesse e se esgueirasse por entre neurónios cultivados em mentes literatas.
Porque surdos ou distraídos, não ouvem os protestos recentes que a ‘intoxicação social’ esconde avaramente, mas que não escapam aos mais atentos.
Estudantes e agricultores manifestaram-se. Greves na CP e na Jado Ibéria assim como a Dyrup. Na LBC Tanquipor a greve foi suspensa, mas os trabalhadores nos hotéis Tivoli (Lisboa, Jardim, Sintra e Seteais) fizeram greve. Num plenário sindical da Hotelaria da RA da Madeira foi convocada greve para os dias 18 e 19 de abril. Os trabalhadores da Patiner em Mangualde paralisaram e na ZAS Transportes e Logística em Vila do Conde e no Grupo Transportes Nogueira. Nas minas da Panasqueira a luta acelera. Dirigentes Sindicais dos Têxteis manifestaram-se em Famalicão junto à Riopele. Greve Na Prosegur. O SC Braga foi condenado a reintegrar trabalhadores e a Unicer foi obrigada a assinar contratos efetivos com dois trabalhadores.

Não redigiram manifestos, lutaram unidos, manifestaram-se

Para os bem-pensantes, greves e lutas são uma chatice, é necessária organização e trabalho. Para quê tanto chinfrim se tudo se pode resolver nos intervalos das aulas, em amena cavaqueira, na cantina da universidade?

Está na hora, dizem eles, sem se aperceberem que chegam sempre atrasados.
«GRANDE PARTE DOS INTELECTUAIS TRANSPORTAM CONSIGO O ESTIGMA DE CLASSE, TALVEZ GOSTASSEM DE COMPREENDER, MAS NÃO CONSEGUEM. SE OU MENOS FIZESSEM UM ESFORÇO!...»

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Nada é eterno…




Nada é eterno…

“e como o homem de si nada tem próprio, claro está, que os acrescentos haõ de ser alheios”
Arte de Furtar

O Primeiro-Ministro diz-se vítima de uma ‘campanha’; O VIP Núncio fala numa ‘campanha orquestrada’ para destruir o seu bom-nome, mas não vai além disso. Os pescadores desde sempre em companha, queixam-se dos maus ventos da governança. Acampados no poder, os que vivem do erário fazem campanha por quem melhor lhes pague e têm sempre disponível um ‘D’ para juntar ou retirar às sigla PS ou PSD, quando a ocasião o exija.

Sempre que a acusação é grave e a defesa débil em provas e argumentação, os inquiridos, como qualquer cefalópode nas fugas às arrecuas, ocultam-se por detrás das expressões ‘cabala ou campanha orquestrada’ como camuflagem para se esgueirarem até encontrarem abrigo de ocasião.

O “diz-me com quem andas dir-te-ei quem és” não se aplica às altas individualidades, e quando digo altas não indico parâmetros porque Lilipute seria possivelmente o paradigma. Se as suas relações políticas de negócios ou de afectos vogam na promiscuidade entre escroques e falsários, não é de bom-tom extrair daí quaisquer ilações. Se num curto espaço de tempo os indiciados encheram a burra de milhões, todos eles se eriçam sempre que é proposto que o sigilo bancário seja levantado. Não é permitido pôr em dúvida que os milhões acumulados não sejam fruto de trabalho esforçado ou de negócios lícitos, mas se alguém os questiona, candidamente, se lhes saiu o “euro-milhões”, arrasam o interpelante, acusando-o de fomentar uma “campanha negra” e, de notória má-fé, fazer insinuações que abrem o caminho à difamação e a torpes calúnias.

Quem se atreve a duvidar de alguém que se publicita como honesto e que até prova em contrário somos obrigados a não incriminar? Isto acontece mesmo que qualquer imbecil chegue à conclusão que se um borra-botas que pouco ou nada tinha de seu e, de um momento para o outro, aparece rico como Crésus, sem justificar a origem de tamanhos bens.

Os criminosos impuseram os off-shores e os políticos no poder legislam em conformidade com os seus interesses. Todos sabemos que assim é; de tal modo que se encara este tipo de criminalidade como algo de inevitável, não pela impotência em a combater, mas já como poder estruturado para ser respeitado.

As burlas encontram-se tão disseminadas e publicitadas, atingindo montantes de tal modo astronómicos, que nos devíamos envergonhar, não de vivermos num país onde os burlões se encontram instalados em altos níveis da administração, mas da nossa inacção que nos coloca como coniventes porque a nossa passividade pode reflectir consentimento.

NÃO SOMOS PASSIVOS!...

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Os signatários e o seu pólo

Os signatários (aqui) estão indignados - o que é natural. Constatam que a degradação social é preocupante e que, face à austeridade imposta, “à esquerda, quando é precisa convergência, acentuam-se as dissensões”. Os signatários “ouvem vozes de conformismo” e quando é preciso esquerda, ouvem que é a vez do centro”, mas não ouvem as lutas que diariamente se manifestam por todo o país, que vão das greves a reivindicações várias ou às manifestações de repúdio pela política de direita. Os signatários ignoram o mundo do trabalho e as suas organizações, génese da esquerda que sabem existir e sem a qual a esquerda que sugerem não passa de um bluff.

A esquerda dos signatários é uma entidade difusa transversal a bem-pensantes monologando à mesa de café.

São vários os exemplos por toda a Europa de terapias prescritas para fortalecer as esquerdas que, insensatas, engoliram o óleo de rícino que lhes causou cólicas de que ainda se queixam.

Que só a esquerda pode salvar Portugal”, dizem – e isso é mais do que evidente - mas os signatários ignoram ou esquecem o essencial: só uma política de esquerda pode salvar Portugal! Aglutinar siglas que se denominam de esquerda sem se definir a política que propõem é a morte anunciada de qualquer convergência, e que os signatários de formação académica relevante sabem ou fazem por ignorar.

 O pólo das esquerdas unidas” traz consigo uma alteração significativa: aparece pela primeira vez neste tipo de manifestos, que primam sempre por grande imaginação, o substantivo pólo.

Pretendem que o “pólo” entre no jogo eleitoral que se aproxima, e sendo o pólo um jogo de elite a que os trabalhadores não têm acesso, os signatários devem ter dificuldade em formar equipa embora não lhes faltem cavalos, mesmo de Troia.