domingo, 5 de janeiro de 2020

A grande galhofa


ou governantes à trela de Pompeo e Netanyahu

Os militares portugueses estão no Iraque para evitar "exportação de terrorismo". Há um mês  Netanyahu reuniu-se com Costa e Mike Pompeo em Lisboa e dado o alegre convívio estariam a receber a notícia do projetado assassinato do general iraniano.

NESTES CASOS NÃO HÁ ACASOS!
                    
Entretanto o Parlamento do Iraque aprova moção para expulsar tropas americanas do país...

O Parlamento do Iraque aprovou hoje uma resolução pedindo a expulsão do país dos 5.000 membros das tropas americanas e dos soldados de outros países da coalizão estrangeira. A decisão ocorre após o assassinato do general iraniano Qasem Suleimani pelos Estados Unidos na última sexta-feira.

«A 10.ª Força Nacional Destacada, composta por 30 militares, está no Iraque, para que o país não seja "exportador de terrorismo".»

Vai o Governo português aguardar ordens de Pentágono?
 


Reler um bom livro

O último livro de Ana Margarida de Carvalho, “O Gesto Que Fazemos para Proteger a Cabeça” tal como os outros dois romances, não se lê uma só vez, na releitura encontramos sempre algo que nos escapou ou surge com maior nitidez. Escrita absorvente, personagens e situações que nos prendem e uma imaginação sem limites.

«… oh Deus, eu poderei estar encerrado numa casca de noz e considerar-me o rei do espaço infinito, não fossem os sonhos que tenho,
   já vinha aprendendo alguns trechos precariamente traduzidos pelo amigo,
   e não, sossegava-o, Maria Angelina matava por gosto,
   o gosto férreo do sangue,
   o arrufo acabaria por passar, mais hora menos hora, mais dia menos dia, ela chegaria àquele braço enluvado já com cãibras, que muitas vezes Simão ajudava a suster, portanto ele os dois ali, insones e aturdidos, ao relento, matar, só mesmo o tempo,
   era deixar que passe, homem, como uma chuvada,
   se não és capaz de mudar alguma coisa, espera que ela mude,
   mas não foi isso que fizeste, estrangeiro, não te reconheço nessa demissão, que da tua ilha longínqua do norte, onde poderias esperar a mudança, quem sabe, um dia, sem colocares a cabeça na forca, o peito aberto ao fuzilamento e a veia a rebentar num grito, vieste aportar ali a Espanha, embrenhar-te até ao pescoço, viver o pavor dos bombardeamentos, suportar a dureza da miséria, derramar sangue, o teu e o dos outros, dinamitar carris, assaltar quartéis encarniçados, incendiar igrejas, tu, filho e neto de falcoeiros ingleses, com nenhum treino militar, e ainda menos equipamento, pegando nas armas dos que caíam, sem conheceres a língua nem os caminhos, meter-te em assuntos que não te diziam respeito, enganas-te, alentejano, diziam respeito à minha consciência, e esses apelos têm carácter de urgência e não admitem olhares para trás, Espanha era o último sítio do mundo onde um homem livre poderia lutar, a luta de um povo nunca é a luta de um só povo, e se aqui, neste ermo de moleza, em que as gentes não lutam porque lhes faltam las ganas, a morte é desvalor, lá, morrer era valor, morrer por algo que vale a pena é um acto de vida e de liberdade, …»
              (pág. 59/60)

sábado, 4 de janeiro de 2020

Turismo, revolução e capitalismo

A banalização da revolta

Airbnb oferece visita para “viver a revolução chilena” e excita turistas europeus.”

A iniciativa tem um custo de $19.800 e inclui refrescos e óculos de proteção.


Segundo o último balanço divulgado pelo Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH), 24 pessoas morreram e 3.583 ficaram feridas desde o início dos protestos. Do total, 359 foram atingidas no olho por balas de borracha disparadas pelas forças de segurança. O número de presos também continua crescendo, conforme o órgão, e já chega a 9.589. Além disso, o INDH registrou 1.549 denúncias de violações aos direitos humanos ao longo das manifestações. EFE...”

Está em marcha um novo mercado para a indústria do turismo, o neoliberalismo gera a miséria que provoca a insubmissão, que o capitalismo vende como espetáculo à burguesia endinheirada.

Nesta lógica perversa, dentro em pouco organizarão excursões a Guantanamo com direito a assistir a sessões de tortura e fazer selfies com vítimas e algozes.