quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Cavalos esqueléticos e camelos maltratados…

três pequenos exemplos do veneno destilado nos mídia contra o movimento de massas no Egito.

Estar atento à manipulação que surge das “centrais de intoxicação Social” é tarefa indispensável além de extremamente formativa.

«Quatro pessoas morreram hoje de manhã vítimas de tiros disparados contra manifestantes hostis ao Presidente egípcio, Hosni Moubarak, elevando para sete o número de mortos e cerca da 1500 feridos nas últimas 24 horas

Mas face a esta carnificina os mídia anunciam que «A disputa política no Egito transformou-se em briga de rua nesta quarta-feiraEm briga de rua!... Nalgumas televisões podemos ver e ouvir que «Montados em camelos e cavalos, partidários de Mubarak chicoteavam os opositores, sem intervenção do ExércitoMas, «Mubarak é suspeito de sufocar protestos com violência. É suspeito, claro, ainda não foi julgado.

A tentativa de dar credibilidade aos militares à paisana dados como apoiantes pró Mubarak chega a atingir o ridículo, «Apoiantes de Mubarak, montados em cavalos esqueléticos e camelos maltratados, desencadearam violência.» Cavalos esqueléticos e camelos maltratados… vejam os filmes! O exército continua sem intervir nos confrontos, apesar de ter criado linhas de separação para tentar separar as duas facções.

E o povo resiste.

Que belo exemplo!...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Os mídia ou Como dar a volta ao texto


Pouco se fala na Tunísia. É uma questão arrumada. Melhor será deixar na dúvida se a revolta serviu aos revoltosos. Foi um mau exemplo e como tal deve ser silenciado.

Com milhões de egípcio na rua dez dias, os mídia que escrevem pela mão de Israel e dos EUA encontraram uma solução, pelo menos provisória. Deixou de haver contestação contra Mubarak, passámos a terconflitosentre prós e contra Mubarak.

A Al Jazeera afirma que são polícias à paisana e as fotos que circulam apresentam os partidários de Mubarak montados em camelos e cavalos.

Obama, com o qual tudo iria correr bem nada iria correr mal, vem-nos dizer que em Setembro tudo ficará resolvido. Os governantes de Israel, quedos e mudos como se não existissem aguardam que se apague a fogueira que têm vindo a atear. A França pretendia enviar material e técnicos anti motim para a Tunísia. A União Europeia aconselha calma aos manifestantes.

Entretanto os nossos politólogos continuam a politicar.

São uma tristeza os nossos politólogos.


Uma apoiante de Mubarak "no meio da multidão", segundo as Agências Noticiosas. Mubarak deve ter ficado muito feliz.

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"O MUNDO PULA E AVANÇA!"


(o 25 de Abril calou fundo no coração de todos os oprimidos)

Cortados aos quadradinhos e colocados junto às sanitas, os jornais de referência nem servem para limpar o cu. O povo não essa merda, como a classificava Fernando Pessoa. Os jornais de referência perderam de tal modo a credibilidade que são oferecidos como prospectos publicitários. Os jornais de referência acabam na reciclagem com os artigos dos politólogos, astrólogos e outros manhosos a soldo.

O descontentamento popular ignora os jornais de referência e as opiniões dos seus assalariados, essas bestas presumidas que se apresentam como politólogos, economistas ou analistas; vá lá saber-se de quê.

O telemóvel, mail, facebook ou o SMS que juntou em Madrid uma multidão que desmascarou Aznar, mandam às urtigas os jornais de referência, órgãos de intoxicação social pertença dos senhores do dinheiro. Não esquecer que as televisões bebem na mesma fossa.

Temos à nossa disposição as novas armas que tunisinos, egípcios e outros oprimidos manejam à perfeição.

“o mundo pula e avança



SOLIDARIEDADE COM A LUTA DO POVO EGÍPCIO
MUBARAK, DEMISSÃO!
CONCENTRAÇÃO
Dia 1 de Fevereiro, 3ª feira, 18h00
Largo Camões, Lisboa
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O medo mudou de campo



sem capacidade para fazer face aos problemas económicos e sociais do seu povo, o gigante imperialista, com pés de barro a esboroarem-se, tenta impor o seu diktat.

Quando os povos se revoltam o imperador recomenda calma. Se a fome e a opressão continuam a alimentar a fúria dos povos em luta o império rosna. E quando a força dos povos se impõe o império deixa cair os tiranos a seu soldo, procede a um recuo estratégico e entra no jogodemocráticopara o minar. Veja-se o nosso 25 de Abril, Mário Soares, Carlucci e CIA.

Nós tínhamos medo deles mas se eles não tivessem medo de nós não se armavam”.

(não é uma fotografia é um símbolo)


“Na Tunísia e no Egito vemos que é pela lutaque se conquistam mudanças, frisou Luís Garra da CGTP no final de uma marcha de protesto na Covilhã.

A história é feita pelos povos!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O relato da bola

para quebrar o stress neste fim de semana

-- um divertido contributo para a pequena história das telecomunicações --


O relato da bola

Ao contar esta estória por mim vivida, apercebi-me que não estava a ser convincente para os que me escutavam. Os meus interlocutores continuavam a ouvir com algum interesse mais pelo incomum do conteúdo do que pela credulidade que lhe atribuíam.

Quando afirmei que o relato de um jogo de futebol enviado de Lisboa via radiotelegráfica, era radiodifundido uma ou duas horas depois no “Rádio Clube da PraiaCabo Verde como se de um jogo em directo se tratasse, os que me ouviam esboçaram um sorriso de complacência.

Para quem não viveu no reino encantado das telecomunicações em que imperava o maravilhoso telégrafo morse que tão bons serviços prestou e admirado foi, difícil é fazer-lhes crer como se veiculava o serviço informativo na década de quarenta do século passado, onde situamos esta quase aventura.

À velocidade ronceira de vinte palavras por minuto, média de cem caracteres, todos os domingos o prato forte do noticiário da “Presse Lusitânia” era preenchido com o relato de um desafio de futebol.

A primeira etapa desta saga tinha início na “Agência Lusitânia” junto ao Chiado, serviço mais de propaganda do que de informação, destinado a promover e glorificar o regime fascista.

O “jornalista” encarregue da árdua tarefa de passar ao papel um relato de futebol transmitido pela rádio, atendia o telefone, conversava com quem quer que aparecesse ou dava uma saltada à Brasileira quase em frente. Os boletineiros da Marconi iam colhendo as páginas dactilografadas que entregavam na central telegráfica na Rua de São Julião onde o texto depois de passado a morse em fita perfurada, era transmitido à velocidade não superior a cem caracteres por minuto para que mais facilmente pudesse ser recebido tendo em conta as interferências atmosféricas e outras ou à inaptidão de muitos radiotelegrafistas nas colónias e na navegação.

E neste exercício de paciência, as duas partes do desafio escorriam arrastadas ultrapassando os noventa minutos de jogo como se um longo prolongamento houvesse.

Em Cabo Verde, na Estação da Marconi situada na Achada de Santo António, distante do Rádio Clube e localizado junto à Estação dos Correios na Cidade da Praia, os sinais de morse em pachorrenta cadência voltavam novamente ao papel dactilografado que o Antoninho, estafeta de lentidão reconhecida, num vai e vem, entregava ao locutor de serviço.

Acontece que relatar três ou quatro páginas de folhas A4 mesmo se lidas lentamente não corresponderia à distância de quinhentos metros percorridos pelo Antoninho mesmo que não encontrasse um amigo ou conhecido que à boa maneira de qualquer cabo-verdiano teria de se inteirar de como se encontrava toda a família, animais e culturas e depois reiniciar a descida até ao Cais e a subida para a Achada de Santo António e, chegado à Marconi pegar nas páginas entretanto recebidas pelo radiotelegrafista e retornar ao Rádio Clube.

Como não era possível interromper a transmissão de Lisboa, a recepção estava sujeita a interrupções de vária ordem tais como interferências, falta de energia eléctrica ou mesmo fading geral em ondas curtas. Nada disto impedia que o locutor enquanto aguardava o estafeta continuasse imperturbável e com crescente emoção a relatar o desafio, como se estivesse em directo criando avançadas de destreza, situações empolgantes, remates à trave, agressões e outras faltas que tanta celeuma provocava entre os ouvintes.

Ah!... Mas quando numa das páginas aparecia um golo, o tão ambicionado golo, o locutor ajeitava melhor o microfone, afinava a garganta, construía o ataque imparável e lançava o grito esperado: goooolo! E repetia gooolo, gooolo! Creio mesmo que o fazedor do espectáculo se deixava envolver pelo o entusiasmo por si criado acabando por se emocionar.

O relato terminava quando recebida a última página, para se certificarem do resultado final, não fosse ter escapado algum golo na travessia do Atlântico. Mas, mesmo se algum golo se tivesse extraviado nada estava perdido o locutor afinava mais uma jogadas de perigo e no último minuto acertava o resultado.

Assim se confunde a ficção e o real. O espectador do jogo em Lisboa talvez vibrasse menos que o ouvinte que seguia com atenção o mesmo jogo fabricado pelo locutor com a vantagem de os ouvintes do jogo de ficção usufruírem de mais tempo de entretenimento.

E porquê tanto espanto se nos lembrarmos das rádionovelas de então ou das telenovelas de hoje que magnetizam multidões?

Acompanhei todas as fases deste cândido embuste quer na “Lusitânia” e na Marconi na Rua de São Julião em Lisboa quer na Marconi na Achada de Santo António e no próprio Rádio Clube da Praia em Cabo Verde.

A “Presse Lusitânia” fascista, com outros títulos e meios, continua a alienar ouvintes, leitores e espectadores diluindo-lhes a realidade numa aguadilha paradisíaca.


de a contar da esquerda Ernesto Vitória, Manuel Tomaz Dias e José Ferreira

em baixo também a contar da esquerda Vítor Carreiro e Cid Simões.

(Manuel Tomaz Dias construiu o emissor do Rádio Clube a locução estava a cargo de Vítor Carreiro, Ernesto Vitória e o José Ferreira e eu, adolescente encantado com os mistérios da rádio, fazia de “assistente”).

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